quarta-feira, 27 de abril de 2011

Revisão Literária do Melhoramento Genético da cultura da cebola (Allium cepa)


Autora: Patrícia Vaz da Costa

1- 1-INTRODUÇÃO

A cultura da cebola (Allium cepa) pertence à família Alliaceae originou-se das regiões asiáticas correspondentes aos atuais Irã e Paquistão. A cultura é praticada há milênios. Trata-se de condimento cosmopolita, também muito utilizado na culinária brasileira (Filgueira, F. A. R., 2007).

No Brasil a cebola foi introduzida por imigrantes açoreanos que colonizaram as regiões de Rio Grande e Pelotas no século XVIII (Foutora, 1994). As variedades introduzidas por estes colonizadores foram expostas a seleção natural e humana e constituem-se até hoje num valioso germoplasma o qual vem sendo utilizado por praticamente, todos os programas de melhoramento genético de cebola no Brasil, tanto de instituições públicas de pesquisa como da iniciativa privada (Lisbão, 1993).

A produção mundial de cebola, nos últimos anos, esteve entre 37,38 e 38,49 milhões de toneladas/ano, provenientes de uma área que gira de 2,2 a 2,3 milhões de hectares/ano, com uma produtividade média de 16,7 t/ha. Os maiores países produtores mundiais são China, Índia, Estados Unidos, Turquia, Japão, Irã, Paquistão, Rússia, Espanha e Brasil, que respondem por mais de 67% da oferta mundial de cebola (FAO, 1998).

A globalização da economia mundial e a formação do Mercosul interferiram significativamente no mercado de hortaliças no Brasil. As tendências das produções na Argentina e no Brasil evidenciam um mercado competitivo, no qual continuarão participando aqueles países que tiverem maiores vantagens comparativas e fizerem reconversão nos setores produtivos. Portanto, o momento por que passa a cebolicultura é crucial e deve apresentar definições. Somente continuará no mercado o produtor que se tecnificar, obtiver produto de qualidade e se adaptar a essas mudanças no mercado. Com a formação de grandes blocos econômicos, hoje o mercado não se define em âmbito regional, mas, internacional. O produtor deve estar atento às alterações nas regiões produtoras de cebola de outros países e deve estar identificado junto ao consumidor (Ferreira, 1997).

No Brasil, a cebola destaca-se ao lado da batata e do tomate como as olerícolas economicamente mais importantes tanto pelo volume produzido, em torno de 900 mil toneladas/ano, como pela renda gerada. A sua produção ocorre nas regiões Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), que contribui com 37,7% da produção nacional, Sudeste (São Paulo e Minas Gerais), com 35,3% e Nordeste (Pernambuco e Bahia), com 27% (Costa, N. D, 2011).

O abastecimento do mercado interno é obtido pela integração das safras das regiões produtoras nacionais acrescida com a importação da cebola da Argentina, em livre mercado e com oferta de janeiro a dezembro, concentrando-se nos meses de maio a setembro e, em muitos casos, acima das necessidades de consumo do país, que giram em torno de 80.000 toneladas/mês (Costa, N. D, 2011).

Não obstante o calendário mensal de oferta de cebola seja extremamente favorável em termos de distribuição de safras, o que normalmente permite ao mercado operar com relativa calma, a produção interna ainda mostra algumas oscilações, alternando excessos de oferta com períodos de escassez do produto, cenários que costumam estar relacionados a fatores climáticos, à disponibilidade de sementes e, principalmente, aos preços recebidos pelos produtores nos anos anteriores, sendo que os bons preços da cebola numa safra estimulam o plantio da safra subseqüente, o que induz o excesso de oferta e a conseqüente queda nos preços (Costa, N. D, 2011).

A cebolicultura nacional é uma atividade praticada principalmente por pequenos produtores e a sua importância sócio-econômica fundamenta-se não apenas em demandar grande quantidade de mão-de-obra, contribuindo na viabilização de pequenas propriedades, como, também, em fixar os pequenos produtores nas zonas rurais, reduzindo desse modo a migração para as grandes cidades (Brasil, 1997). No censo agropecuário de 1985, verificou-se haver cerca de 97.876 agricultores economicamente ativos com a cultura da cebola. Destes, aproximadamente 76.400, ou seja, 78,10%, são proprietários, o restante trabalha em regime de arrendamento, parceria ou ocupação (Boeing, 1995).

A planta é tenra, atinge 60 cm de altura e apresenta folhas tubulares, cerosas. O caule verdadeiro é um disco comprimido, na base da planta, de onde partem folhas e raízes. As bainhas foliares formam um pseudocaule, cuja parte inferior é um bulbo. As raízes crescem no sentido predominantemente vertical, concentrando-se em um cilíndrico de 60 cm de altura por 25 cm de diâmetro, aproximadamente (Filgueira, F. A. R., 2007). A parte utilizável é um bulbo tunicado, compacto, originado pela superposição de bainhas foliares carnosas. Aquela bainha mais externa constitui uma película seca, com coloração típica da cultivar. As flores estão reunidas em uma inflorescência tipo umbela simples na ponta do escapo floral. São hermafroditas, porém predomina a polinização cruzada. O fruto é uma cápsula contendo seis sementes de coloração negra (Filgueira, 2007).

A cebola é tipicamente bienal, com o ciclo biológico completo, compondo-se de duas etapas: a vegetativa e a reprodutiva. No Brasil, é uma das raras culturas oleráceas nas quais o fotoperíodo pode tornar-se o fator limitante. Isso ocorre caso as exigências foto periódicas não sejam satisfeitas (Filgueira, F. A. R., 2007).

O desenvolvimento da cultura é condicionado pela adaptação da cultivar às condições agroecológicas e agrotecnológicas vigentes. Nesse sentido, as firmas produtoras de sementes têm desenvolvido ou introduzido cultivares adaptadas às diversas regiões com ênfase em híbridos. Com as facilidades atuais de importação da Argentina, a escolha da cultivar tornou-se ainda mais crítica, já que o produto nacional deve competir em qualidade e preço (Filgueira, F. A. R., 2007).

A grande variação de características morfológicas e fisiológicas, nesta espécie, está associada à sua alta taxa de polinização cruzada, bem como ao intenso processo de seleção a que foi submetida ao longo de sua domesticação, estendendo-se até os dias atuais. As seleções visam, de modo geral, modificar características como: o formato, a coloração, a retenção de escamas e o tamanho de bulbos, assim como aumentar a produtividade, melhorar a conservação pós colheita e o nível de resistência a pragas e doenças e a adaptação a diferentes condições edafoclimáticas. Como resultado marcante, pode-se ressaltar a adaptação da cebola a diferentes latitudes em relação ao seu centro de origem, considerando-se que o fotoperíodo é fator limitante no processo de bulbificação (Costa, N. D, 2011).

A divergência genética é de grande importância para o melhoramento, pois, adequadamente explorada, pode reduzir a vulnerabilidade da cultura a doenças e, ao mesmo tempo, acelerar o progresso genético para determinados caracteres (CUI et al., 2001). Quanto mais divergentes forem os genitores, maior a variabilidade resultante na população segregante, e maior a probabilidade de reagrupar os alelos em novas combinações favoráveis. Diferentes técnicas de análise multivariada têm sido usadas para estimar a divergência genética (BENIN et al., 2003), incluindo análises de componentes principais , variáveis canônicas e métodos aglomerativos (CRUZ & REGAZZI, 1997).

Hoje, a cebola está sendo cultivada em regiões distintas, dentro de uma grande amplitude geográfica, estendendo-se do equador até regiões mais próximas aos círculos polares (Costa, N. D, 2011).

O objetivo do trabalho foi relatar sobre a Revisão Literária do Processo de Melhoramento genético da cultura da cebola.

2-DESENVOLVIMENTO

2.1- Variedades da cultura de cebola:

Aurora, Baia Periforme, Baia Precoce Piracicaba, Baia Super Precoce, Baiadura, Baiaouro, Bola Precoce, Bronco, Criola, Diamante, Encino, Granex 33, Granex 777, Graex 90, Granex 2000, Granex Ouro, Granex Yellow, Houston, IPA-6, Itapuã 101, Jubileu, Lara, Linda Vista, Madrugada, Maxima, Mercedes, Nissan, Olinda Super Roxa, Ômêga, Petroline, Pira Ouro, Pirana, Primavera, Primax, Red Creole, Régia, Roxa do Barreiro, Rustler, Serrana, Sonic, Stetson, Superex, Suprema, Texas Grano, Texas Grano 502, White Creole e Whitex (Criar e Plantar, 2011).

2.2- Clima e época de Plantio

A altitude e a latitude da localidade condicionam as condições agroclimáticas e determinam época de plantio, para cada cultivar. Normalmente semeia-se de fevereiro a maio, diretamente no campo ou em sementeira. Entretanto, objetivando obter colheita na entressafra, fitomelhoristas brasileiros têm criado cultivares adaptadas à semeadura mais cedo-a denominada “cultura de verão” (Filgueira, F. A. R., 2007).

A iniciação e o desenvolvimento do bulbo dependem, então, do fotoperíodo e da temperatura. No entanto, a bulbificação também é afetada por outros fatores: tamanho da planta e idade fisiológica, suprimento de N: a deficiência e o excesso retarda; e suprimento de água: o excesso retarda. Tais fatores devem ser adequadamente manejados, para obtenção de bulbos comerciáveis (Filgueira, F. A. R., 2007).

Conforme a duração do ciclo e a exigência foto periódica, as cultivares plantadas no Brasil podem ser didaticamente reunidas em três grupos, conforme se segue:

2.3- Cultivares Precoces

O ciclo é curto, com duração de 4-5 meses, da semeadura à colheita. São as cultivares menos exigentes em fotoperíodo, desenvolvendo bulbos sob 10-11 horas de luz (Filgueira, F. A. R., 2007).

Características: plantas mais suscetíveis à queima-de-alternária; bulbos de coloração externa bem clara; baixo teor de matéria seca; sabor muito suave, preferível por certos consumidores; baixa capacidade de conservação dos bulbos; e alcance de menores cotações nos mercados. As cultivares precoces apresentam ampla adaptabilidade ao cultivo em diversas regiões brasileiras. Bons exemplos são os híbridos precoces Granex 33, Granex 90 e Granex 429 (Filgueira, F. A. R., 2007).

Uma nova cultivar que merece destaque é a Alfa Tropical, desenvolvida pela Embrapa Hortaliças e apropriada para a denominada “cultura de verão”. Para o centro-sul, tem sido recomendada a semeadura nos meses de novembro e dezembro. A colheita de bulbos ocorre na entressafra de cebola, de março a maio, substituindo o sistema de produção por bulbinhos, mais onerosos. Os bulbos são de coloração baia clara, pungentes, predominando o formato globular; o ciclo da cultura é de 120-135 dias da semeadura. É prudente que o olericultor estabeleça “unidades de observação”, inicialmente devido às peculiaridades dessa cultivar (Filgueira, F. A. R., 2007).

2.4- Cultivares de Ciclo Mediano

A duração do ciclo é de 5-6 meses, e a exigência fotoperiódica, de 11-13 horas.

Características: mediana resistência à queima-de-alternária; bulbos de coloração mais acentuada; teor mediano de matéria seca; sabor mais pungente; melhor conservação; e bulbos mais valorizados nos mercados. As cultivares desse grupo apresentam adaptabilidade geográfica mais restrita, sendo o fotoperíodo o fator limitante à cultura, o que pode ser exemplificado com as cultivares brasileiras não-híbridas: Baia Periforme, Bola Precoce, IPA-6, e Roxa do Barreiro (Filgueira, F. A. R., 2007).

2.5- Cultivares Tardias

Apresentam ciclo mais longo, de 6-8 meses, e são mais exigentes em fotoperíodo-acima de 13 horas. Características: alta resistência à queima-de-alternária; bulbos de coloração escura, com teor de matéria –seca, sabor muito acentuado, ótima conservação; são altamente valorizados na comercialização. Essas cultivares apresentam adaptabilidade restrita ao extremo sul (Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina), não se adaptando ao plantio no centro-sul. São exemplos de cultivares brasileiras tardias, não-híbridas: Rio Grande Bojuda, Jubileu e Bella Crioula (Filgueira, F. A. R., 2007).

2.6- Multiplicação por bulbinhos

Dentre as variedades que se prestam para a formação de bulbinhos, destacam-se Baia Bojuda e Periforme. Entretanto, algumas linhagens dessas variedades produzem bulbinhos que, na formação dos bulbos, dão grande porcentagem de charutos, produtos sem valor comercial (Criar e Plantar, 2011).

Bulbinhos com diâmetro transversal entre 15 e 25mm são os melhores; entretanto, podem-se empregá-los com menor diâmetro, pois estes apodrecem menos no período de armazenamento, porém, apresentam mais falhas no campo de plantação e dão origem a bulbos de tamanho um tanto reduzido. Os de maior diâmetro, ou seja, acima de 35 mm, são comerciáveis, têm peso mais elevado, pelo que não se recomenda seu plantio, e apresentam o inconveniente de originar bulbos perfilhados e defeituosos (Criar e Plantar, 2011).

Os bulbinhos que forem apodrecendo durante o armazenamento deverão ser eliminados. Na véspera da plantação, corta-se a haste rente ao bulbinho (Criar e Plantar, 2011).

A melhor época de plantação de bulbinhos coincide com aquela recomendada na semeação de cebola para cultura normal: fins de fevereiro e meados de março. O ciclo será muito curto, as plantas terão bom tombamento e o produto obtido, boa apresentação (Criar e Plantar, 2011).

Para ser plantado, não é necessário que o bulbinho esteja com início de brotação. O plantio de março será colhido em junho, quando o produto alcança ótimo preço no mercado. Além de produzirem bulbos, os bulbinhos também se prestam para conserva (Criar e Plantar, 2011).

2.7- Anomalias Fisiológicas

O “charuto” é um bulbo alongado, sem valor comercial, produzido em plantas sem tombamento. A alta incidência desta anomalia na cultura indica inadaptação da cultivar às condições agroecológicas, especialmente o fotoperíodo. Outras anomalias, como bulbos duplos, são menos freqüentes (Filgueira, F. A. R., 2007).

2.8- Controle Fitossanitário

A queima-de-alternária é ocasionada pelo fungo Alternaria porri, afetando mais comumente a parte aérea. Inicialmente causa manchinhas brancas, que evoluem para manchas marrom-avermelhadas, podendo destruir a folha. É doença favorecida por altas temperaturas. Os meios de controle são: uso de cultivares de ciclo mediano, resistentes; rotação com culturas não-aliáceas; e pulverização com fungicidas específicos, adicionando-se espalhante-adesivo à calda (Filgueira, F. A. R., 2007).

O denominado mal-de-sete-voltas é uma doença fúngica causada por Colletotrichum circinans. Ocasiona o enrolamento e retorcimento das folhas com curvatura para um e outro lado, evidenciando crescimento irregular nas diferentes áreas do limbo foliar. As plantas afetadas não tombam ao final do ciclo e produz bulbos anormais, tipo “charuto”. Os meios de controle são: uso de cultivares resistente; rotação de culturas; e pulverização com fungicidas sistêmicos (Filgueira, F. A. R., 2007).

O chamado piolho-da-cebola é um inseto-praga minúsculo, Trips tabaci, que vive em colônias na bainha das folhas, sugando a seiva e depauperando a planta. Os ataques são mais comuns em tempo quente e seco. Para o controle, podem-se pulverizar as plantas com inseticidas de ação sistêmica ou de profundidade (Filgueira, F. A. R., 2007).

2.9- Condições ótimas de armazenamento

Cebolas com pungência baixa ou suaves/doces podem ser armazenadas por um a três meses. Os bulbos devem ser armazenados em câmaras frias que, de preferência, possuam boa circulação de ar. De maneira geral, cebolas produzidas a partir de sementes têm maior vida de prateleira quando comparadas com cebolas obtidas a partir de transplante. A vida útil da cebola é dependente da cultivar. No Brasil, cebolas do grupo Baia Periforme, que possuem teor de matéria seca variando entre 7 e 12%, conservam-se melhor do que outros materiais que possuem teores menores, como é o caso das cultivares dos grupos Granex e Grano, que possuem matéria seca entre 4 e 6%(Embrapa, 2011).

O uso de hidrazida malêica, apesar de toda controvérsia que existiu em torno do produto, principalmente em relação ao seu potencial cancerígeno, é recomendado para a prevenção de brotamento durante o armazenamento prolongado. O produto deve ser aplicado duas semanas antes da colheita quando os bulbos estão maduros e 50% das plantas já estalaram. Todavia, é recomendado que a planta ainda possua de 5 a 8 folhas verdes, fisiologicamente ativas, de tal forma a permitir que o produto seja absorvido e translocado até os bulbos(Embrapa, 2011).

3-MELHORAMENTO GENÉTICO DA CEBOLA

O melhoramento genético de plantas tem sido de extrema importância para o desenvolvimento agrícola em todo o mundo. Com a sua utilização, conseguiu-se criar e introduzir cultivares de cebola dotadas de elevado potencial produtivo, maior nível de resistência às doenças e às pragas existentes na região, melhor conservação pós-colheita, bem como, adaptação de genótipos às condições ambientais locais.

As formas mais importantes de classificar as cebolas são quanto as exigências fotoperiódicas, o padrão genético, e a preferência e forma de consumo (Embrapa, 2011).

Cultivares são melhor adaptadas a locais e épocas nas quais ocorrem o mínimo de fotoperíodo e temperatura exigidos para a bulbificação. As cultivares de ciclo precoce, médio e tardio, são plantadas nos estados da região Sul. Nas regiões Sudeste e Centro Oeste são plantadas cebolas "super precoces", precoces e médias. Nos demais estados brasileiros plantam-se cultivares "super precoces" e precoces. Devido a interação com temperatura, tamanho e idade da planta, densidade de plantio, fertilização, irrigação, etc., a bulbificação e produção de cebola podem variar consideravelmente em uma mesma faixa de fotoperíodos (Embrapa, 2011).

Outra forma de agrupamento das cultivares de cebola é pelo padrão genético, determinado pelo grau de homogeneidade adquirido pela população por meio do melhoramento genético. No primeiro grupo estão às populações geneticamente heterogêneas como 'Baia Periforme', 'Pêra' e 'Crioula', mantidas por produtores e em coleções de germoplasma. Constituem a base das cultivares brasileiras, por apresentarem tolerância a doenças, boa conservação pós-colheita e ampla variação em formato, tamanho, cor, número e espessura de películas de bulbos. Cebolas do grupo 'Crioula' são adaptadas principalmente à região Sul. Seus bulbos possuem conservação pós-colheita muito boa, película de cor marrom escura e ampla aceitação pelo mercado (Embrapa, 2011).

O segundo grupo é composto por seleções estabilizadas e bem adaptadas que são comercializadas como cultivares de polinização livre, ao qual pertencem todas as cultivares brasileiras e as do tipo Grano, importadas. As cultivares nacionais possuem geralmente bulbos globulares a globulares alongados, película amarela, marrom, vermelha ou arroxeada e de espessura variável, conteúdo alto de matéria seca, sabor, odor e pungência acentuados, folhas cerosas e bom nível de resistência a doenças foliares. A cultivar Conquista, disponibilizada pela Embrapa Hortaliças em 1988 é do tipo 'Baia Periforme' e possui resistência a Peronospora destructor (míldio) no escapo floral, sendo importante na fase de produção de sementes. Algumas cultivares do tipo 'Baia Periforme' como Baia Periforme, Baia Periforme Super Precoce, Baia Precoce Piracicaba e Pira Ouro são adaptadas ao método de produção por bulbinhos (Embrapa, 2011).

As cultivares importadas caracterizam-se pelos bulbos globulares achatados, película amarela clara e fina, escamas espessas, conteúdo baixo de matéria seca, sabor, odor e pungência mais suaves e pouca cerosidade na folha. Possuem adaptação ampla quanto ao comprimento de dia, são bastante produtivas e resistentes ao florescimento, mas muito suscetíveis a doenças foliares. As cultivares de polinização livre mantêm ampla variabilidade genética e juntamente com as populações geneticamente heterogêneas formam o material básico para seleção e melhoramento genético (Embrapa, 2011).

O terceiro grupo é composto pelas cultivares híbridas de dias curtos, ao qual pertencem as do tipo 'Granex' desenvolvidas nos Estados Unidos. São populares no Brasil 'Granex 33', 'Granex 429', 'Granex Ouro', 'Mercedes' e 'Superex'. Cultivares 'Granex' possui bulbos achatados ou redondo achatados, precocidade de maturação, resistência ao pendoamento, sabor, odor e pungência suaves e resistência a raiz rosada (Pyrenochaeta terrestris). São, no entanto, mais suscetíveis a mancha púrpura (Alternaria porri), e ao mal de sete voltas (Colletotrichum gloeosporioides) que as cultivares nacionais, e a exemplo das cultivares 'Grano', são facilmente danificadas pelo manuseio demasiado e possuem vida pós-colheita curta, mesmo sob condições de frio. Apesar do aumento crescente da área plantada com cultivares híbridas de cebola no Brasil, ainda não se tem híbridos nacionais disponíveis. As cultivares híbridas, devido aos efeitos benéficos da heterose e ao alto padrão genético (maior uniformidade de bulbificação, maior capacidade de adaptação por tolerar maior densidade de plantio, e pela maior produtividade em relação as cultivares de polinização livre), têm despertado o interesse de cebolicultores médios e de grande porte(Embrapa, 2011).

O tipo de cebola preferido varia com o mercado e a preferência do consumidor, e constituem-se em outra forma importante de classificação de cultivares. No Brasil, há preferência por bulbos de tamanho médio, pungentes, globulares, firmes, de película externa de cor amarela e marrom escura, e escamas internas de cor branca. A demanda por bulbos avermelhados (arroxeados) é pequena e concentrada no Nordeste Brasileiro e na região de Belo Horizonte, em Minas Gerais. O mercado ainda é limitado para as cebolas de sabor suave e doce, preferidas para saladas. A cv. São Paulo, disponibilizada pela Embrapa Hortaliças em 1991, é uma cebola do grupo das claras precoces suaves (Embrapa, 2011).

3.1-Desenvolvimento de cultivares de cebola amarela no Nordeste:

Desde a introdução da cultura da cebola amarela no vale do Submédio São Francisco nos anos 40, predominou o cultivo da variedade “Amarela Chata das Canárias”, proveniente de Santa Cruz de Tenerife, Ilhas Canárias, com sementes importadas, muitas vezes de baixa qualidade. Essa cultivar, apesar de ser bastante produtiva, apresentava algumas limitações, tais como: alta suscetibilidade às doenças mal-de-sete-voltas (Colletotrichum gloeosporioides Penz.) e mancha púrpura (Alternaria porri), péssima conservação pós-colheita, formato de bulbos muito achatado e limitações para produção de sementes no trópico semi-árido. Entretanto, pela indisponibilidade de outros genótipos para os cebolicultores, o cultivo da referida cultivar era de uso generalizado na região, o que resultava em ameaça à sustentabilidade da cebolicultura no Nordeste (Costa, N. D, 2011).

Diante deste quadro, a Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária-IPA decidiu, em 1972, implantar um Programa de Melhoramento Genético da Cebola, o qual vem sendo executado ininterruptamente até o presente. Desde aquela época, contou-se com a colaboração de outras instituições, tais como: Instituto Biológico/SP, Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz/Universidadade de São Paulo, Conselho Nacional de Pesquisa, Embrapa (Semi-Árido e Hortaliças), Universidade Federal Rural de Pernambuco e, mais recentemente, a Texas A&M University/Estados Unidos da América. Inicialmente, o programa teve como objetivos básicos a obtenção de novas cultivares adaptadas às condições do vale do São Francisco, bem como, a viabilização da produção de sementes no Nordeste. Promoveu-se o melhoramento mediante a utilização do método de Seleção Massal em germoplasmas de cebola do grupo Baia Periforme que, em avaliações anteriores, haviam apresentado características mais vantajosas quando comparadas com a cultivar Amarela Chata das Canárias (Costa, N. D, 2011).

Como resultado desses esforços, foram obtidas, no ano de 1980, duas cultivares denominadas Pera IPA-1 e Pera IPA-2. Em 1985, esses materiais foram substituídos por outra cultivar obtida por intercruzamentos de dez populações de cebola Baia Periforme, efetuando-se, a seguir, vários ciclos de seleção massal, a qual foi denominada Composto IPA-6 (Costa, N. D, 2011).

Em 1992, foi liberada a cultivar Belém IPA-9, com características semelhantes à Composto IPA-6, porém, com maior resistência ao mal-de-sete- voltas e à mancha púrpura. O referido material, também originado a partir de uma população Baia Periforme, foi obtido após sete ciclos de seleção em cultivos não pulverizados, e sob condições favoráveis à incidência das doenças (Costa, N. D, 2011).

Por sua vez, a Belém IPA-9 está sendo substituída pela Vale Ouro IPA-11, resultante do cruzamento de Roxa IPA-3 x Belém IPA-9, e lançada, em 1997. A Vale Ouro IPA-11, em comparação com a Belém IPA-9, é mais produtiva, mais resistente ao mal-de-sete-voltas, e ao tripes – principal praga da cebolicultura nordestina, além de possuir bulbos de formato mais alargado. Com esta cultivar pretende-se elevar a rentabilidade da cultura, assim como, aproximar-se da atual exigência de mercado, que apresenta preferência por bulbos com formato globoso (Costa, N. D, 2011).

Embora a concentração do plantio da cebola no Nordeste ocorra no primeiro semestre, essa olerícola é também cultivada nos demais meses do ano para atender o consumo local. No entanto, como os plantios instalados no período de agosto a dezembro, com as cultivares anteriormente utilizadas, apresentavam uma significativa queda na produção de bulbos, verificou-se a necessidade do desenvolvimento de cultivares específicas para épocas distintas em uma mesma região. Objetivando solucionar tal problema, a Empresa IPA desenvolveu um projeto visando criar novas populações de cebola para cultivo em período sob condições de foto período crescente e temperaturas elevadas. Como resultado, obteve-se, em 1982, a cultivar Pera IPA-4 originada da adaptação de uma população de Baia Periforme, por meio de seleção massal, tomando como base para seleção, a precocidade de maturação, o formato, o tamanho e a coloração dos bulbos. Essa linha de pesquisa teve continuidade com a obtenção, em 1986, da cultivar Chata IPA-5. Para tanto, utilizou-se o método de seleção massal estratificada na população segregante obtida a partir do cruzamento envolvendo Baia Periforme Precoce do Cedo x Amarela Chata das Canárias. Nesse mesmo segmento de pesquisa, lançou-se no ano seguinte (1987), uma terceira cultivar denominada Pera Norte IPA-7, obtida após vários ciclos de seleção massal na cultivar Pera Norte, introduzida do Rio Grande do Sul. Suas principais vantagens concentravam-se na boa conservação e características qualitativas de bulbos, como: coloração amarela bronzeada e escamas mais espessas com melhor aderência. Entretanto, as duas últimas cultivares não tiveram, naquela época, uma boa aceitação pelos produtores e, como conseqüência, foram retiradas do comércio, permanecendo apenas a cultivar Pera IPA-4 (Costa, N. D, 2011).

3.2- Desenvolvimento de cultivares de cebola roxa no Nordeste:

O cultivo da cebola roxa foi iniciado com a utilização da cultivar que, na dependência do local no qual era explorada, poderia ter diferentes denominações populares, tais como: Roxa de Terra Nova, Manoel Coelho, Roxinha de Belém e Roxinha Comum. Porém, todas botanicamente classificadas como Allium cepa var. aggregatum L. Posteriormente, foi introduzida a cultivar Red Creole (Allium cepa L.), comercialmente muito apreciada. Entretanto, a baixa produtividade desses materiais, aliada à suscetibilidade da Red Creole ao mal-de-sete-voltas, contribuíram para reduzir sua rentabilidade econômica. Em razão desses fatores, desenvolveram-se trabalhos de melhoramento genético que tiveram como objetivo inicial, o desenvolvimento de cultivares com maior potencial produtivo e resistência a doenças foliares (Costa, N. D, 2011).

Em 1983, foi incorporada ao sistema produtivo, a cultivar Roxa IPA-3, obtida por meio de seleção massal na população Roxa do Barreiro. Este material, além de ser muito produtivo, apresenta uma alta tolerância ao tripes e elevado nível de resistência ao mal-de-sete-voltas. Entretanto, por exigências fisiológicas, o seu cultivo em regiões de baixa latitude (8°a 9° S), limita-se ao período de agosto a novembro. Ainda em 1983, introduziu-se de Moçambique a cultivar Mutuali que, após vários ciclos de seleção, foi adaptada para cultivo na região do Nordeste, passando a ser denominada Mutuali IPA-8. Esta cultivar, quando comparada com a Roxa IPA-3, sobressai-se por apresentar melhor conservação pós-colheita, possuir melhores características comerciais e maior adaptação às condições climáticas da região, de tal modo que o seu cultivo pode ser feito durante todo o ano. Contudo, após ser amplamente utilizada nas plantações regionais durante mais ou menos seis anos, decidiu-se retirá-la do mercado, por apresentar florescimento natural, estimado em 6%, quando cultivada sob condições de temperatura amena. Com isso, os produtores passaram a empregar sementes colhidas em suas próprias plantações. Mas, pela impossibilidade de se fazer o devido controle de qualidade, ocorreu à degeneração de características comercialmente importantes. Em sua substituição, a Empresa IPA lançou, em 1995, a cultivar Franciscana IPA-10, resultante do cruzamento Roxa IPA-3 x Red Creole. Esta cultivar caracteriza-se por apresentar bulbos de formato globoso achatado, coloração roxa intensa e uniforme, boa conservação pós-colheita e bom nível de resistência ao mal-de-sete-voltas e alternaria (Costa, N. D, 2011).

Atualmente, a Empresa IPA vem dando continuidade ao Programa de Melhoramento de Cebola, contemplando os segmentos de cebolas amarelas e roxas, com o objetivo de desenvolver germoplasmas com bom nível de resistência ao mal-de-sete-voltas e à raiz rosada, boa tolerância ao tripes, elevada potencialidade para produção de bulbos de formato globoso, com pseudocaule fino, boa conservação pós-colheita e pungência moderada (Costa, N. D, 2011).

Por outro lado, com a implantação do Mercosul, um dos maiores desafios da cebolicultura brasileira é desenvolver cultivares que possam competir com a cebola argentina (tem características diferentes da brasileira, com maior durabilidade nas gôndolas (cerca de 20 dias ou mais)) , cuja importação vem crescendo, basicamente, em função de aspectos qualitativos. Deste modo, acrescentou-se uma nova linha de pesquisa ao atual Projeto de Melhoramento, visando desenvolver cultivares que apresentem, a exemplo da cebola argentina, bulbos com características de escamas (pele) mais espessa, múltiplas, de boa retenção e coloração amarela bronzeada (Costa, N. D, 2011).

A melhor adapatação de cultivares de cebola como um resultado do estímulo à variação do fotoperíodo e temperatura, ocorre a cada 5 – 10º de latitude, isto é, dentro dessa faixa de latitude para cada região de cultivo de cebola, existem ou devem ser obtidas cultivares/populações próprias, bem adaptadas ao processo produtivo regional. Levando-se em conta a faixa de variação acima para uma razoável utilização pelos produtores de cultivares/populações, a integração Embrapa Hortaliças (Brasília –DF 15º48’ S 47º.50’ W) e a Embrapa Semi-Árido (Petrolina –PE 9º.24’ S 40º.30’ W) é de grande importância. O Programa de Melhoramento de Cebola da Embrapa/Hortaliças foi iniciado em 1980 e conta com diversas populações e cultivares (Costa, N. D, 2011).

3.3-Avaliação de populações de cebola branca para indústria;

A indústria no Brasil tem importado cebola processada para atender sua demanda. Inexiste cultivares nacionais de cebola branca liberadas para processamento. O objetivo principal foi avaliar populações de cebola branca para processamento industrial, com seis ciclos de seleção, desenvolvidas pelo CNPH. Em 1994, foram realizados ensaios em São José dos Pinhais-PR, Jaíba MG e Brasília-DF. Em Brasília, foram obtidas as maiores produtividades, seguida por Jaíba e pelo ensaio do Paraná. A população CNPH-6028 apresentou, em todas as localidades, a maior produtividade e o menor teor de sólidos solúveis, não sendo adequada para desidratação, mas poderia ter chances na fabricação de picles e para o consumo “in natura”. A população CNPH-6029 obteve boa perfomance para indústria no Paraná, brix acima de 15º em Brasília-DF e JaíbaMG. Durante 1994, em Brasília, sete entre as dez populações apresentaram brix acima de 15º. Em 1995 foram realizados ensaios em Curitiba-PR e Brasília-DF (Costa, N. D, 2011).

Houve incremento significativo da produtividade no Paraná com semeadura em abril de 1995 (antecipação de 30 dias em relação a 1994). O ciclo total no Paraná tem sido seis semanas mais tardias que o do Distrito Federal. Sementes básicas foram produzidas em 1996 e 1997 das populações CNPH-6026 e CNPH-6029. A população CNPH-6029 foi superior na produção de bulbinhos para a produção de picles em Brasília, e em brix, taxa de conversão e cor na indústria de desidratação em Brasilândia- MG. Duas unidades de validação foram conduzidas em 1996, em Minas Gerais, uma no projeto de irrigação do Jaíba e outra no município de São Gotardo. Em 1997, uma Unidade Demonstrativa de cebola e um Dia de Campo foram feitos no Projeto Jaíba em Mocambinho-MG. As duas populações CNPH-6026 e CNPH-6029 foram submetidas à aprovação ao comitê de Lançamento de Novas Cultivares da Embrapa – Hortaliças, sendo aprovada estrategicamente a população CNPH-6029 para liberação como nova cultivar, com a denominação de BETA CRISTAL (Costa, N. D, 2011).

4-CONCLUSÕES

Conclui-se que no segmento da produção, a preocupação com a competição externa colocou o atendimento às exigências do mercado como o principal centro de atenção do agronegócio da cebola. Nesse aspecto, os produtores procuram por produto com maior competitividade em qualidade, custos e preços, optando por sementes que garantam maior produtividade, apresentem maior grau de resistência às doenças e que forneçam produtos comerciais com alto padrão de qualidade. Essas preferências incluem cultivares de polinização aberta ou híbridas que proporcionem colheita uniforme, exatamente dentro da época programada e padrão comercial similar ao do produto importado, especialmente quanto à uniformidade no tamanho do bulbo, cor, retenção de escamas e sabor. Ademais, percebe-se clara avidez por tecnologias para produção de cebola menos pungente (tipos suaves e doces) mais adequada para consumo fresco em saladas, e tipos mais apropriados à industrialização (conservas, pasta, flocos, pó) e, também, cultivares adequadas para cultivo em sistemas orgânicos, como forma de agregar maior valor ao produto nacional.

Diante das exigências do mercado, as instituições de pesquisa públicas e privadas vêm ajustando suas atividades para atender às demandas dos produtores e dos consumidores, procurando desenvolver cultivares com as características que atendam às tendências atuais do mercado.

5-BIBLIOGRAFIA

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