terça-feira, 22 de setembro de 2026

PATOLOGIA DE SEMENTES DE TRIGO: DIVERSIDADE, IDENTIFICAÇÃO, TÉCNICAS DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO QUÍMICO

 

PATOLOGIA DE SEMENTES DE TRIGO: DIVERSIDADE, IDENTIFICAÇÃO, TÉCNICAS DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO QUÍMICO

1 INTRODUÇÃO

O trigo (Triticum aestivum L. e espécies relacionadas) ocupa posição estratégica na segurança alimentar mundial e constitui uma das principais culturas produtoras de grãos destinados à alimentação humana. Essa importância econômica e alimentar faz com que a qualidade das sementes assuma uma dimensão que ultrapassa o estabelecimento inicial da lavoura: sementes sanitariamente comprometidas podem transportar patógenos entre regiões, introduzir inóculo em áreas anteriormente livres, reduzir a emergência e atuar como fonte de infecção para diferentes órgãos da planta ao longo do ciclo.

Na perspectiva da patologia vegetal, a semente deve ser compreendida como uma unidade epidemiológica. Ela pode transportar o patógeno na superfície, no pericarpo, no tegumento, no embrião ou em tecidos internos, dependendo da espécie e da interação estabelecida durante a formação do grão. Essa associação pode resultar em contaminação superficial, colonização, infecção, sobrevivência ou transmissão. A simples detecção de um microrganismo, portanto, não significa necessariamente que ele seja patogênico ou que possua capacidade de transmissão. Essa distinção é um dos fundamentos da patologia de sementes e continua plenamente atual (AGARWAL; SINCLAIR, 1996; MUNKVOLD, 2009).

O problema assume características particulares no trigo porque diversos patógenos associados às sementes estão relacionados a doenças que podem comprometer o estabelecimento da cultura e, posteriormente, a produção. Bipolaris sorokiniana, Fusarium spp., Microdochium spp., Pyricularia grisea, Ustilago tritici e espécies de Tilletia constituem exemplos de organismos cuja relação com sementes apresenta importância epidemiológica diferenciada. Alguns estão associados ao tombamento e à podridão radicular; outros são responsáveis por manchas foliares; e outros ainda apresentam ciclos fortemente dependentes da transmissão por sementes.

A literatura internacional demonstra que as doenças fúngicas do trigo constituem importante componente da limitação da produtividade mundial. Entre os principais problemas encontram-se ferrugens, manchas foliares, giberela, brusone e doenças radiculares, cuja epidemiologia pode envolver diferentes fontes de inóculo, incluindo sementes infectadas ou contaminadas (FIGUEROA; HAMMOND-KOSACK; SOLOMON, 2018).

Em particular, Bipolaris sorokiniana merece atenção na patologia de sementes. O fungo está associado ao ponto-preto dos grãos, à podridão comum das raízes e à mancha-marrom, e a semente infectada pode funcionar como importante fonte de inóculo para o estabelecimento da doença. A associação entre infecção das sementes, redução da germinação e transmissão do patógeno torna esse organismo um dos principais alvos dos programas de tratamento de sementes de trigo (KUMAR

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