terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Boletim Técnico: Cercosporiose da guariroba (Syagrus oleracea) causado por Passalora eitenii

Bruno Barboza dos Santos
Academico do curso de Bacharelado em Agronomia

INTRODUÇÃO

A guariroba (Syagrus oleracea) é uma palmeira nativa do Brasil (Figura 1), também conhecida por outros nomes populares, são eles: gueiroba, gariroba, palmito-amargoso, catolé, coco-babão, coco - amargoso. Possui como classificação científica os seguintes dados: Reino: Plantae, Divisão: Magnolipphyta, Classe: lipiopsida, Sub-classe: Commelinidae, Ordem: Arecales, Família: Arecaceae, Sub-família: Arecoideae, Tribo: Cocoeae, Gênero: Syagrus e Espécie: Syagrys oleracea (WIKIPÉDIA, 2011.)
A planta possui  estipe solitária, ereta, colunar, acinzentada, podendo atingir até 20 metros de altura, e 20 a 30 cm de diâmetro, com copa crispada e deflexa, suas folhas são grandes de até 3 metros de comprimento, bainha estreita, bainha caduca e flores que surgem em cachos durante a primavera até o outono, dispostas espiraladamente na copa; bainha fibrosa de 45-100cm de comprimento, pinas lineares de ápice acuminado e não pendentes; inflorescências interfoliares de até 70cm de comprimento, lenhosa, frisada, geralmente axilares, grandes, paniculadas e envolvidas por bráctea desenvolvida na forma de quilha (espata) que muitas vezes são lenhosas (cimba) (LORENZI, 2000)
As flores são numerosas, pequenas, curto-pediceladas ou sésseis, unissexuadas ou raramente andróginas, trímeras, actinomorfas, heteroclamídeas ou raramente monoclamídeas.  Androceu com 6 estames dispostos em 2 séries de 3, estaminódios frequentemente presentes. Gineceu de ovário súpero, tricarpelaro. Os frutos possuem aspecto lenhoso, indeiscentes e levemente elíptico, com polpa de coloração verde-amarelada, cujo mesocarpo possui amêndoas brancas oleaginosas, as quais são comestíveis, ocorre em cachos, são elipsóides, lisos, 4,0 - 5,5cm de comprimento com mesocarpo espesso, carnoso, adocicado e fibrosos, geralmente ocorrem entre outubro e fevereiro (LORENZI, 2004.)
Sua madeira é moderadamente pesada, macia, de boa durabilidade mesmo quando exposta ao tempo. A polpa do fruto é comestível e muito apreciada pelo gado e por porcos, a amêndoa além de fornecer óleo é também comestível, sendo até comercializada.  As folhas são usadas para confecção de vassouras e as flores são melíferas. A palmeira é bastante ornamental, sendo uma das mais cultivadas para a arborização urbana em diversas cidades do Brasil, muito utilizada em projetos de paisagismo, pois, além de ser uma planta de grande porte que propicia excelente sombra, é muito bonita e apreciada por muitos, também é ótima para plantios mistos em áreas de preservação permanente (LORENZI, 2000).
A propagação desta palmeira ocorre por sementes, embora cresça espontaneamente nas matas do Centro Oeste e Sudeste do Brasil, porém a planta prefere regiões de clima quente e solos bem drenados (WIKIPÉDIA, 2011).
Entre seus produtos destaca-se o palmito ou broto terminal, o qual tem grande aceitação pela sociedade, considerado por muitos como verdura de sabor amargo - o que de fato é quando comparado aos palmitos doces das espécies da Mata Atlântica, o palmito da guariroba é uma iguaria de largo aproveitamento culinário em alguns estados, inclusive algumas regiões de Goiás e Minas Gerais. Da semente se extrai óleo comestível (WIKIPÉDIA, 2011).
O seguinte trabalho teve como objetivo descrever o patógeno Passalora eitenii, considerando aspectos da taxonomia, sintomatologia, etiologia, epidemiologia e o controle do mesmo.

MATERIAIS E MÉTODOS

  Para a realização deste trabalho foram utilizados os seguintes matérias: Folhas de guariroba (Syagrus oleracea), microscópio estereoscópico (lupa), corante azul-de-algodão, seringa com agulha, lâmina, lamínula, microscópio e esmalte. Processos com observação na lupa da folha, captura do fungo, confecção da lâmina e fotos para a realização desse trabalho foram realizados no Laboratório de Microbiologia do IF Goiano campus Urutaí – GO.
O fungo foi coletado de uma folha de guariroba, da qual foi retirada através do método de pescagem direta (com auxilio de uma lupa para melhor visualização), com a agulha fixada em uma seringa as estruturas do fungo, as quais foram capturadas para em seguida ser realizada a confecção da lâmina. Para se fazer a lâmina é necessário colocar uma gota do fixador lactofenol-cotton-blue na superfície da mesma onde posteriormente será depositado o material coletado na folha de guariroba, após o termino se deposita, uma lamínulas em cima do material coletado. A vedação da lâmina foi realizada com esmalte ao redor da lamínulas. Observou-se a lâmina no microscópio óptico para a identificação das estruturas fúngicas.
Ainda usando o microscópio óptico iniciou-se o registro macro e microscópico utilizando-se a câmera digital Canon modelo Power Shot A580, concluído esse processo, baixou-se as fotos em um computador e utilizando o programa da Microsoft Office Picture Manager, editou-se as imagens, em seguida em outro programa Microsoft Office o Power Point, fez-se a montagem da prancha para ser colocada nos resultados e discussões do trabalho.






RESULTADOS E DISCUSSÃO

Hospedeiro/cultura: Guariroba (Syagrus oleracea)
Família Botânica: Arecaceae
Doença: Mancha-Foliar
Agente Causal (Anamorfo): Passalora eitenii
Local de Coleta: Cristalina - Goiás
Data de Coleta: Agosto de 2011.

Taxonomia: O teleomorfo pertence ao reino Fungi, divisão Ascomycota, classe Dothideomycetes, ordem Capnodiales, família Mycosphaerellaceae, gênero Passalora sp. O anamorfo pertence ao Reino Fungi, grupo incerto dos Fungos Mitospóricos, sub-grupo Hifomicetos.
  De acordo com INDEX FUNGORUN (2011), há apenas dois registros desse patógeno no Brasil até o presente momento. Já, o site USDA, apresenta que no Brasil já há até o presente momento três registros de Passalora eitenii, os quais foram descritos respectivamente por: Crous e Braun (2003); Medeiros e Dianese (1994); Mendes et al. (1998), Dianese et al. (1998).
Sintomatologia
Os sintomas primários da mancha foliar escura na guariroba podem observadas logo após a deposição do inóculo, na forma de pequenas manchas cloróticas, (sem ocorrência de encharcamento do tecido), a região central começa a sofrer necróses e posteriormente estabelecendo as lesões necróticas, com o passar de mais alguns dias, sendo estas lesões escuras e variando sua forma de circulares a irregulares as quais no futuro podem vir a coalescerem, se fundirem. A manifestação dos sintomas começa nas folhas, na sua face inferior, progredindo para as mais novas (BERGAMIN et al., 1995).
As lesões são geralmente menor (1 a 7 mm de diâmetro), de contornos mais uniformes, desenvolve frutificações do patógeno na superfície abaxial das folhas, na superfície adaxial ficam marrom escuro a preta, sendo que nas folhas severamente afetadas ocasiona a diminuição da área fotossintética, pois ocorre a coalescência das lesões e em seguida as mesmas caem com facilidade.
As manchas cloróticas são sintomas pleisonecróticos, as manchas de coloração marrom ou negra constituem sintomas holonecróticos e as frutificações do patógeno são os sinais da doença (PIO-RIBEIRO et al., 2005). Na face abaxial das folhas lesões apresentam no centro coloração páleo amarelada. Com presença de pulverulência, bordas necróticas.





Figura 1.: Sinais e sintomas de Passalora eitenii em folhas de Guariroba (Syagrus oleracea). A,B. Planta de guariroba de onde foram coletadas as amostras para realização dos estudos. C. Detalhe, confluência das lesões na face adaxial da folha.  D. Face adaxial apresentando lesões. E. Face abaxial apresentando lesões. F. Lesão na face abaxial. G. Lesão na face adaxial.


Etiologia
O agente causal da mancha foliar escura Passalora eitenii, produz hifas bem definidas, as quais se agrupam formando estroma (Fig. 2) na face abaxial de lesões mais velhas, produzindo numerosos conidióforos, não ramificados, os quais se reúnem em fascículos densos em círculos concêntricos, marrom pálidos a oliviáceos e conídios solitários, hialinos, em geral retos ou levemente curvos, arredondados no ápice e sem constrição, apresentando de um a nove septos, sendo mais freqüente três a quatro (BERGAMIN et al., 1995).
Outras características do fungo são conidióforos agregados em fascículos, emergindo de um estroma sub-cuticular na face abaxial de lesões velhas. Os conidióforos são lisos, retos, de coloração marron claro, não ramificados, maioria septados, medindo de 26-57µm x 4 µm, células conidiogênicas terminais, com cicatrizes escuras e pouco espessas. Os conídios são solitários, claros, retos a ligeiramente curvos, medindo de 32-70 µm x 4-5 µm, maioria com três septos, apresentando um hilo truncado e ápice obtuso. (MEDEIROS e DIANESE, 1994).

 Figura 2: Estruturas do patógeno. H,I. Lesões confluentes, escuras na face adaxial da folha. J. Conidióforo (bar= 40,3 µm), no detalhe em sua extremidade a formação de um conídio. L. Esporodóquio com presença de estroma. (bar= 41,9 µm) M, N. Conídio (bar= 52 µm), no detalhe a cicatriz no ponto exato onde se desprendeu da célula conidiogênica.  

Epidemiologia
O agente da mancha foliar escura (Fig. 2)  é um parasita facultativo, pois sobrevive de uma época de cultivo para outra, especialmente em restos de cultura e plantas voluntárias. O fungo P. eitenii estudado, é particularmente um agente patogênico ao gênero Syagrus sp. O inoculo inicial que dá início às infecções primárias pode ser produzido por estruturas de sobrevivência formadas por conídios e fragmentos de micélio produzidos nos tecidos dos restos culturais, especialmente nas folhas, na matéria orgânica do solo, em hospedeiros alternativos, ou mesmo em tecidos de plantas (BERGAMIN et al., 1995).
A disseminação dos propágulos ocorre logo após o início das primeiras lesões, a disseminação do inoculo, a curta distância, se dá por respingos de água, vento, insetos e movimento de fragmentos de material vegetal infectado, produzindo ciclos secundários de infecção. Ao serem depositados na superfície da planta, em condições favoráveis, dentro de seis a oito horas os conídios germinam, formando um ou mais tubos germinativos que irão penetrar através dos estômatos ou nas células da epiderme diretamente. Após um período de 5 a 14 dias, dependendo da espécie do fungo, do genótipo e idade das folhas do amendoim e condições ambientais surgem os primeiros sintomas. Tais patógenos podem ser disseminados a longas distâncias, através de estruturas fúngicas presentes, na parte externa e fragmentos de plantas infectadas como contaminantes (SHOKE e CULBREAT, 1997).
Os fatores que favorecem o desenvolvimento das manchas foliares escuras são: alta umidade relativa do ar (acima de 90-95 %), temperaturas iguais ou superiores a 19 oC, chuvas periódicas (maiores que 2,5 mm) durante o ciclo da cultura e o molhamento das folhas devido à alta umidade (proporcionado pelo orvalho ou pelas chuvas periódicas). A produção local de esporos é a principal fonte inicial de inoculo, visto que a disseminação ocorre só a pequenas distâncias, a não eliminação de restos culturais ou de plantas e o plantio de cultivares suscetíveis são fatores favoráveis para estas doenças (SHOKE e CULBREAT, 1997).
Controle
Ainda não se tem registros de controle práticas de manejo biológico e genético as quais possam ser realizados para esse controlar a incidência desse patógeno na cultura da guariroba.
Por outro lado, o controle da mancha foliar escura pode ser alcançado com boa eficiência através de estratégias básicas, como o uso de práticas culturais, que reduzem o inoculo inicial, retardando o início das epidemias, da adoção de medidas que diminuem a taxa de infecção, mantendo a ocorrência das doenças abaixo do nível de dano, juntamente com o uso sempre que possível, das medidas complementares, como por exemplo:  a  escolha de época de plantio para evitar condições favoráveis à ocorrência de epidemias, outra técnica de manejo recomendada é o controle de ervas daninha, para diminuir a formação de microclima junto às plantas, que favorece o desenvolvimento das doenças, além da mesma agir como hospedeiro alternativo para o patógeno, além do uso de mudas sadias, oriundas de boa procedência (BERGAMIN, et al., 1995).
 O controle químico com fungicidas tem sido recomendado para o controle das manchas foliares, porém ao optar pelo uso do fungicida, deve se atentar para os cuidados a fim de obter o máximo de eficiência: escolha adequada do produto, uso da dosagem recomendada, aplicação no momento adequado, método de aplicação, entre outros (BERGAMIN et al., 1995).
Segundo o Agrofit, 2011, fungicidas do grupo triazol como, difeconazole (Score 0,35 L/ha) e tebuconazole (Nativo-0,6 a 0,75 L/ha), ambos têm se mostrado eficientes no controle do agente da mancha foliar escura. Outros fungicidas como chlorothalonil (Vanox 500 SC-2,5 a 3,5 L/ha), por suas características de fungicida protetor, pode ser aplicado alternadamente com difenoconazole ou tebuconazole. O chlorothalonil e o tebuconazole reduzem a germinação de esporos e a intensidade de esporulação nas lesões, mas apenas o tebuconazole é capaz de reduzir a freqüência de infecção e aumentar o período de incubação após os tubos germinativos terem penetrado nas folhas da guariroba (AGROFIT, 2011).

LITERATURA CITADA

AGROFIT. Disponível em: HTTP://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_ cons/principal_agrofit_cons> consultado em: agosto de 2011.

BERGAMIN A.; KIMATI, H.; AMORIM, L.; Manual de Fitopatologia – Principios e Conceitos. Vol. 1; 3 edição. SP. Agronômica Ceres, 1995.

FARR, D.F., & Rossman, A.Y. Fungal Databases, Systematic Mycology and Microbiology Laboratory, ARS, USDA. Retrieved September 28, 2011, from /fungaldatabases/

INDEX FUNGORUM.  Disponível em:  consultado em: agosto de 2011.

LORENZI, H.; Hermes Moreira de Souza; Judas Tadeu de Medeiros Costa; Luiz Sérgio Coelho de Cerqueira; Evandro Ferreira: Palmeiras brasileiras e exóticas cultivadas. Instituto Plantarum, Nova Odessa, 2004 ISBN 85-86714-20-8;
LORENZI, H Árvores Brasileiras: Manual de identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas do Brasil, Vol. 1;  3​ edição; Nova Odessa - SP. Instituto Plantarum, 2000.

MENDES, M. A. S.; URBEN, A. F.; Fungos relatados em plantas no Brasil, Laboratório de Quarentena Vegetal. Brasília, DF: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Disponível em: http://pragawall.cenargen.embrapa.br/aiqweb/michtml/fgbanco01.asp. Acesso em: 27/9/2011.

MEDEIROS, R.B.; DIANESE, J.C. 1994. Passalora eitenii. nov. on Syagrus comosa in Brazil and a key to Passalora species. Mycotaxon, Li: 509-513

PIO-RIBEIRO, G.; ANDRADE, G.P. & MORAES, S. A. Principais doenças do amendoim e seu controle. In: Santos, R.C. ed. O agronegócio do amendoim no Brasil. Embrapa Algodão, Campina Grande, PB. 2005. Cap. VII. p. 263-337.

SHOKES, F.M.; CULBREATH, A.K. Early and late leaf spots. In: KOKALIS-BURELLE, N.; PORTER, D.M.; RODRÍGUES-KÁBANA R.; SMITH, D.H.; SUBRAHMANYAM P. (Eds.) Compendium of peanut diseases. 2. Ed. New York: The American phytopathological Society, 1997. p.17-20.

WIKIPEDIA, disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Guariroba, consultado em setembro de 2011.

Boletim Tecnico: Ferrugem do jambeiro amarelo (Syzygium jambos (L.) Alston) causada por Puccinia psidii G. Winter

Bruna Ribeiro Machado
Acadêmica do curso de Agronomia
INTRODUÇÃO
            O jambo-amarelo (Syzygium jambos (L.) Alston) da família Myrtaceae, conhecido também como jambo-comum, jambo-da-índia, jambo-cheiroso ou jambo-verdadeiro, é originário da região Indomalaia, de onde foi introduzido nas regiões tropicais americanas e africanas. No Brasil é encontrado em diversos estados, onde contenha boa distribuição de chuvas e sem problemas de drenagem, mas não é cultivado comercialmente (PORTAL SÃO FRANCISCO, 2011).
            É uma árvore com ramos acinzentados e cicatrizes foliares aparentes, com folhas opostas, elípticas, de ápice agudo, glabras, de coloração verde-escura e brilhante com a face inferior mais clara. Suas flores são de coloração branco-esverdeadas, adensadas, de estames longos brancos, são bem destacadas na árvore, e são perfumadas e melíferas. Seu fruto é do tipo baga globosa, de cor amarelo-rósea, róseo-branca, ou arroxeada, com polpa suculenta, perfumada e de sabor muito agradável (PORTAL SÃO FRANCISCO, 2011).
            O jambeiro hoje é utilizado, principalmente, como planta ornamental e como quebra-ventos, além de ser uma frutífera consumida ao natural ou como doces, geléias, compotas e a polpa do fruto fermentado utilizada na produção de aguardente. Há também indicações terapêuticas dizendo que o jambo é eficaz contra dor de cabeça, catarro e tosse (PORTAL SÃO FRANCISCO, 2011).
            Uma das principais doenças da família Myrtaceae é a ferrugem, causada pelo fungo Puccinia psidii, e sabe-se hoje que todos os membros dessa família botânica são hospedeiros para a doença. Por isso, ficou conhecida como “Ferrugem das Mirtáceas”. Trata-se de uma ferrugem neotrópica, originária da América do Sul, com um imenso número de hospedeiros nativos, silvestres ou cultivados. A importância dessa ferrugem tem aumentado muito com o cultivo de espécies, hoje economicamente importantes como a goiaba, a pitanga e a jabuticaba, muitos dos quais são cultivados para a indústria na produção de sucos, doces e geléias. Mas, a capacidade notável de P. psidii de se adaptar e infectar mirtáceas importadas e não originárias da América do Sul, caso do jambeiro e do eucalipto, traz um problema ainda maior para o cultivo dessas espécies (FIGUEIREDO, 2001).
            O objetivo deste trabalho é descrever a sintomatologia, etiologia, epidemiologia e o controle de Puccinia psidii (L.) Aston. Nos frutos de jambo amarelo.
MATERIAIS E MÉTODOS
            Os propágulos sintomáticos de jambo-amarelo (folhas e frutos) foram coletados na área da Fazenda Marreco na cidade de Pires do Rio – GO. As amostras foram levadas para o laboratório de Microbiologia do Instituto Federal Goiano - Campus Urutaí para análise em microscópio estereoscópio.
            Com o auxílio do microscópio estereoscópio foram preparadas lâminas semipermanentes das estruturas do patógeno utilizando fixador e corante lactofenol com azul de algodão. Utilizou-se o método de corte histológico para preparo das lâminas. As lâminas foram vedadas com esmalte adesivo. O excesso de corante foi recolhido com o uso de papel toalha. As estruturas do fungo são analisadas em microscópio óptico.
            As estruturas morfológicas do agente etiológico sob microscópio óptico, foram registradas utilizando câmera fotográfica digital, modelo Cyber Shot da marca Canon®, para posterior edição e montagem da prancha de fotos.
            Um “suco” de esporos foi preparado na câmara de fluxo com água destilada e esporos do fungo coletados do fruto. Posteriormente, gotas desse “suco” foram colocadas em meio BDA e tampadas com lamínulas. O meio BDA foi vedado com plástico e colocado na geladeira. Após cinco dias essas lamínulas foram retiradas do meio e colocadas em lâminas com o corante e fixador para posterior visualização no microscópio óptico.
RESULTADO E DISCUSSÃO
Hospedeiro/cultura: Jambo-amarelo (Syzygium jambos (L.) Alston)
Família Botânica: Myrtaceae
Doença: Ferrugem
Agente Causal: Puccinia psidii G. Winter
Local de Coleta: Fazenda Marrecos, Pires do Rio, GO
Data de Coleta: 12/09/2011
Sinonímias: Bullaria psidii (G. Winter) Arthur & Mains (1922) e, também, Dicaeoma psidii (G. Winter) Kuntze (1898) (INDEX FUNGORUM, 2011).
Taxonomia: o fungo pertence ao reino Fungi, divisão Basiodiomycota, classe Pucciniomycetes, ordem Pucciniales, família Pucciniaceae, gênero Puccinia psidii G. Winter (INDEX FUNGORUM, 2011).
Sintomatologia: o fungo pode infectar tecidos em formação, folhas, gemas, ramos, botões florais, flores e, principalmente, os frutos em plantas adultas. Quando ataca as plântulas no viveiro, a moléstia pode causar uma necrose na extremidade dos caulículos e nas folhas novas, resultando na perda da muda (JUNQUEIRA et al., 2001). 
            Nas folhas de plantas adultas, inicialmente, há o aparecimento de pequenas pontuações amarelas e necróticas que evoluem para manchas necróticas circulares (Fig.1-A), de diâmetro maior e recobertas por uma densa massa pulverulenta de coloração amarela viva constituída pelos esporos (urediniósporos e teliósporos) que são os propágulos ou estruturas do fungo responsáveis pela formação da doença. Com o passar do tempo, essa massa amarela desaparece, permanecendo apenas uma área necrótica seca e frequentemente apresentando rachaduras (Fig. 1C). Quando em condições ambientais favoráveis à doença, as lesões se coalescem, ocasionando a morte do limbo, resultando em grande perda de tecidos e queda das folhas (JUNQUEIRA et al., 2001).
            As flores e os botões florais quando são atacados pela ferrugem na fase inicial do seu desenvolvimento, exibem lesões circulares, de diâmetros variáveis e recobertas por uma massa pulverulenta de coloração amarela intensa que podem causar a perda parcial ou total da produção. Os frutos são intensamente atacados pelo fungo desde os primeiros estádios de desenvolvimento e caem em grande quantidade, causando também perdas parciais ou totais da produção. Os frutos que forem atacados e que permanecerem na planta mumificam-se, tornando-se deformados e sem valor comercial, servindo como uma porta de entrada para vários microrganismos secundários responsáveis por podridões (JUNQUEIRA, et al., 2001).
Etiologia: o gênero Puccinia apresenta 5.255 espécies válidas em literatura e a publicação do táxon Puccinia psidii foi realizada no ano de 1884 pelo autor G. Winter. O gênero, ainda, apresenta espécies sinônimas como, por exemplo, Bullaria psidii (G. Winter) Arthur & Mains (1922) e, também, Dicaeoma psidii (G. Winter) Kuntze (1898) (INDEX FUNGORUM, 2011).
            O fungo causador da doença, P. psidii, um basidiomiceto pertencente à ordem Uredinales, é um parasita obrigatório e apresenta alta especificidade em relação ao hospedeiro. A colonização dos tecidos vegetais é feita através do crescimento micelial intercelular e da emissão de haustórios intracelulares (KIMATI et al., 1995).
            O fungo P. psidii caracteriza-se por afetar plantas da família Myrtaceae e somente infectar tecidos jovens ou em desenvolvimento. A presença de pontuações de coloração amarela são sinais, que correspondem aos soros uredinais, constituídos de milhares de urediniósporos. Os soros uredinais têm formato circular e atingem de 0,2 a 0,3 mm de diâmetro, sendo muito comum a coalescência dos mesmos, recobrindo boa parte ou totalmente o órgão infectado. Os urediniósporos apresentam variações quanto a forma, as quais podem ser piriformes (em sua grande maioria), esféricas ou ovais e apresentam equinulações em toda a volta dos mesmos (Fig. 1-G). Seu tamanho situa-se entre 10x20 a 15x25um. O vento é seu principal agente de disseminação (KIMATI, et al., 1997). 

 Figura 1. Ferrugem incidente nas folhas de Jambo-amarelo (Syzygium jambos) A. sintomas de manchas necróticas circulares, B. sintomas de manchas necróticas circulares na face abaxial, C. e D. áreas necróticas secas apresentando rachaduras, E. esporos emergidos no tecido vegetal, F. e G. urediniósporos apresentando equinulações ao redor dos mesmos.
Epidemiologia: o agente causal da ferrugem, por ser um parasita obrigatório, necessita de hospedeiro vivo para seu desenvolvimento e, em função da sua especialização em relação ao hospedeiro, geralmente não possui hospedeiro alternativo. Assim nos trópicos, o patógeno sobrevive principalmente na forma de urediniósporos que, geralmente, permanecem sobre plantas voluntárias após a colheita. Em muitas situações, os teliósporos atuam como estruturas de resistência e garantem a sobrevivência do patógeno na ausência do hospedeiro (KIMATI, et al., 1995).
            A formação de orvalho é um dos fatores determinantes de novas infecções e produção de novos urediniósporos de Puccinia psidii. Além da formação de orvalho, outras condições ambientais favoráveis como temperaturas menores que 20°C, umidade relativa alta, em torno de 80%, e longo período de molhamento são necessárias à germinação, penetração e infecção do fungo, além de favorecer também elevados índices de produção de esporos e aumento da doença (BLUM e DIANESE, 2001). Já temperaturas muito elevadas são adversas ao patógeno e, caso a infecção já tenha ocorrido, induzem à formação de teliósporos (estruturas de resistência), além de ocorrer necrose de parte do tecido foliar e, posteriormente, senescência da folha infectada (APARECIDO, 2009).
            A disseminação pode ocorrer a curtas ou a longas distâncias através do vento, da água, insetos e outros agentes disseminadores. A água, na forma de respingos, tem papel importante na disseminação dos esporos dentro da planta ou para plantas vizinhas. O vento, no entanto, é o agente de maior importância. Além de promover a disseminação dentro da planta e para plantas próximas a fonte de inóculo, o vento é responsável por levar esporos a grandes distâncias, promovendo uma distribuição eficiente do inóculo em amplas áreas geográficas (KIMATI et al., 1995).
            O fungo Puccinia psidii foi identificado em jambo-amarelo, Syzygium jambos, como hospedeira, em muitos países como – Colômbia, Costa Rica, EUA, Hawai, Panamá, Uruguai e Brasil. Além do jambo-amarelo, o mesmo fungo foi identificado em mais outras 231 hospedeiras, como por exemplo em goiaba, Psidium guajava, na Argentina, no Brasil e na Colômbia; espécies de Eucalipto, como Eucalyptus captata registrado no Brasil, no Uruguai; entre outras (FARR & ROSMAN, 2011).
Controle
   A utilização de variedades resistentes e o uso de produtos químicos são as formas mais viáveis de controle (Kimati, et al., 1995). A resistência genética é o melhor controle da ferrugem – menos poluente e mais econômico. O melhoramento genético para resistência durável é a alternativa à continua superação da resistência das cultivares, devido a alterações na população patogênica, que resultam em novas raças (BARCELLOS, 2007).
            Utilizar-se de práticas culturais também é um controle menos poluente. Promover um melhor arejamento e insolação do pomar através de podas e desfolhas. Realizar a poda em períodos com condição climática desfavorável à ocorrência da doença. Realizar adubação adequada, de acordo com a análise do solo, evitando excesso de adubação nitrogenada. Erradicar das proximidades do pomar variedades muito susceptíveis e/ou mirtáceas que possam servir de fonte de inóculo permanente, e, se possível instalar o pomar em locais que apresentem baixa umidade relativa ou menor período chuvoso (AGROFIT, 2011).
            Na ausência de material geneticamente resistente, o controle químico tem-se mostrado bastante eficiente e devem ser considerados como uma alternativa potencial de controle (KIMATI, et al., 1995). Pulverizações preventivas com fungicidas cúpricos podem ser realizadas em frutos com até 3 cm de diâmetro. Após este tamanho, os frutos são sensíveis ao cobre. Quando as pulverizações preventivas não controlarem a doença, realizar pulverizações curativas com o uso de produtos à base de oxicloreto de cobre, hidróxido de cobre, óxido cuproso e calda bordalesa (AGROFIT, 2011).
            Desde a década de 1980, o triadimenol é o fungicida mais utilizado para o controle da ferrugem. Entretanto, em vista da preocupação quanto ao uso contínuo de um mesmo princípio ativo, aliada às exigências dos órgãos de certificação florestal sobre o uso de produtos que não contenham cloro na sua molécula, pois este, se presente, pode persistir no ambiente, sendo necessária a busca de outros fungicidas eficientes no controle da doença (ZAUZA, et al., 2008).
            No mercado há vários fungicidas eficientes para o controle de ferrugens, como as estrobilurinas e os triazóis. As estrobilurinas têm atividade biológica variada e potencial de controle de ampla gama de fungos. Inibem a respiração mitocondrial ao bloquearem a transferência de elétrons entre os citocromos B e C, o que interfere na formação de ATP, atuando nos estádios de pré-penetração e inibindo a germinação de esporos, o desenvolvimento de tubos germinativos e a formação de apressórios. Apresentam, também, ação curativa, por inibirem o desenvolvimento do fungo nos estágios pós-germinação e causarem o colapso do micélio dentro do tecido colonizado, bem como ação antiesporulante. Ademais, as estrobilurinas podem induzir alterações fisiológicas em várias culturas e levar ao acréscimo da produtividade, aumento da tonalidade da cor verde das folhas e atraso da senescência e elevação na concentração de clorofila, proteínas e biomassa, o que favorece o índice de colheita. As moléculas desses compostos têm difusão translaminar e decomposição rápida no ambiente e são absorvidas pelas folhas de forma gradual e constante, o que confere proteção mais prolongada na superfície (ZAUZA, et al., 2008).
            A maioria dos fungicidas do grupo dos triazóis tem ação sistêmica acropetal, inibindo a biossíntese de esteróis, especialmente do ergosterol. A deficiência desse esterol e o acúmulo de compostos intermediários induzem a formação de membranas alternativas e a desorganização celular. Tem efeito fungitóxico elevado e penetração e translocação rápida nos tecidos vegetais, o que evita perda por lixiviação, efeito residual prolongado, e age como protetor nos eventos pré-penetração e como curativo nos eventos pós-penetração (ZAUZA, et al., 2008).
LITERATURA CITADA:
AGROFIT, disponível em: http://extranet.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons. Acessado em: 01/11/11.
APARECIDO, C.C. Ecologia de Puccinia psidii, agente causal da ferrugem das mirtáceas. 2009. Artigo em Hypertexto. Disponível em: . Acesso em: 27/9/2011.
BARCELLOS, A.L. Combate à Ferrugem. Cultivar. Junho de 2007.
BLUM, L.E.B.; DIANESE, J.C. Padrões de liberação de urediniósporos e desenvolvimento da ferrugem do jambeiro. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Brasília – DF. 2001.
FARR & ROSMAN, SBML Systematic Botany of Mycological Resources. Disponível em: . Acesso em: 10 de setembrol de 2011.
FIGUEIREDO, B.M. Palestra: Doenças Fúngicas emergentes em Grandes Culturas. Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal do Instituto Biológico. São Paulo – SP. 2001
INDEX FUNGORUM. Disponível em: . Acesso em: 10 de setembro de 2011.
JUNQUEIRA, N.T.V.; ANDRADE, L.R.M.; PEREIRA, M.; LIMA, M.M.; CHAVES, R.C. Doenças da Goiabeira no Cerrado. Circular Técnica nº15. EMBRAPA CERRADOS. Planaltina-DF. 2001
KIMATI, H.; AMORIM, L.; BERGAMIN FILHO, A. Manual de Fitopatologia: princípios e conceitos. 3a Ed, Vol. I, Editora Agronômica Ceres Ltda, São Paulo SP. 1995.
KIMATI, H.; AMORIM, L.; BERGAMIN FILHO, A.; CAMARGO, L.E.A.; REZENDE, J.A.M. Manual de Fitopatologia: doenças das plantas cultivadas. , Vol. II, Editora Agronômica Ceres Ltda, São Paulo SP. 1997.
PORTAL SÃO FRANCISCO, disponível em: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/jambo/jambo-4.php acessado em 06 de outubro de 2011.
ZAUZA, E.A.V; COUTO, M.M.F.; MAFFIA, L.A.; ALFENAS, A.C. Eficiência de Fungicidas Sistêmicos no Controle da Ferrugem do Eucalyptus Departamento de Fitopatologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV). 2008

Boletim Técnico: Incidência de Podridão negra das crucíferas causada por Xanthomonas (Xanthomonas campestris pv. campestris) em Repolho (Brassica oleracea var. captata L.)

Adriano Alves Caixeta
Acadêmico do Curso de Agronomia

A agricultura brasileira e mundial é bastante afetada por várias doenças causadas por espécies do gênero Xanthomonas, ocasionando assim perdas substanciais em várias culturas de grande importância econômica. A podridão negra causada por Xanthomonas campestris pv. campestris, é considerada umas das doenças mais destrutivas de crucíferas. A família Cruciferae/Brassicaceae inclui uma grande variedade de culturas de importância econômica cultivadas para alimentação, preparo de condimentos e plantas ornamentais. A podridão negra ocorre em todas as regiões produtoras de crucíferas em todo o mundo causando perdas na produção e qualidade das culturas (CENARGEN, 2011).
Xanthomonas é um gênero da família da Pseudomonaceae. Com exceção da bactéria Xanthomonas maltophilia todos os outros microrganismos desse gênero são fitopatogênicos. As bactérias pertencentes ao gênero Xanthomonas podem produzir goma xantana, um polissacarídeo de enorme interesse para as industrias de alimentos, farmacêuticos e de petróleo. A goma apresenta capacidade de formar soluções viscosas e géis hidrossolúveis que lhe fornecem propriedades reológicas únicas (UEL, 2011).
O objetivo desse trabalho e desenvolver um boletim técnico da podridão negra das crucíferas em repolho levando em consideração aspectos da sua sintomatologia, etiologia, epidemiologia e controle.
MATERIAS E MÉTODOS
As amostras de folhas de repolho (Brassica oleracea var. captata) com sintomas de podridão negra foram recolhidas na cidade de Bento Gonçalves (RS) e Urutaí (GO), e levadas para análise no laboratório de Microbiologia do Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí.
Para isolamento da bactéria foi extraído um fragmento do tecido da amostra (assepcia superficial com solução álcool [50%], hipoclorito de sódio [3%], e água) e colocado em um recipiente com água destilada estéreo, foi feito um processo de maceração (desfragmentando do tecido) para se obter uma solução, utilizando uma alça de platina colocou-se uma pequena quantidade dessa solução e a transferiu para um meio de cultura 523 pelo processo de riscagem, e em seguida esse meio foi colocado em câmara de crescimento por 48 horas. Os sintomas e o meio de cultura foram fotografados com a câmera digital Canon® modelo Power Shot A580, utilizando microscópio estereoscópico (lupa).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Hospedeiro/Cultura: Repolho – Brassica oleracea var. captata L.
Família Botânica: Brassicaceae
Agente causal: Xanthomonas campestris pv. campestris
Local da coleta: Bento Gonçalves, RS; e Urutaí, GO.
Taxonomia: Reino Procariontes, Divisão Gracilicutes, Classe Proteobacteria, Ordem Pseudomonadales, Família Pseudominadaceae, Gênero Xanthomonas, Espécie Xanthomonas campestris pv. campestris
Sintomatologia
 A presença do patógeno é inicialmente manifestada pelo escurecimento dos vasos nas margens das folhas (Fig. 1A). A região afetada aumenta rapidamente das bordas para o centro das folhas (Fig. 1B), resultando no aparecimento de áreas cloróticas em forma de “V” fechando dos bordos para o centro do limbo (Fig. 1C). A infecção das nervuras progride para o pecíolo e talo, com a descoloração do tecido vascular. As folhas infectadas amarelecem rapidamente e murcham. As áreas em forma de “V” necrosam, podendo cair e deixar as nervuras expostas. A podridão se apresenta dura e seca. As cabeças de repolho, quando infectadas de um só lado, podem apresentar assimetria ou deformação. A bactéria prolifera nos tecidos vasculares, podendo exsudar quando o talo é cortado. A podridão causada pelo patógeno exala forte odor (UFRGS, 2010).
Etiologia
O agente causal dessa enfermidade é a bactéria Xanthomonas campestris pv. campestris. O patógeno e uma bactéria gram-negativa, aeróbica e baciliforme (UFRGS, 2011).
A variabilidade de populações de patógenos pode estar relacionada à adaptação a diferentes genótipos do hospedeiro, resposta a fungicidas e antibióticos, habilidade para tolerar substâncias tóxicas, utilizar substâncias para o crescimento e mudar a virulência em relação às plantas hospedeiras (CASELA & GUIMARÃES, 1996). Alguns estudos têm constatado variabilidade de isolados de X. campestris em relação a antibióticos e produção de esterases (ADHIKARI & BASNYAT, 1999).




Figura 1. Podridão negra das crucíferas causado por Xanthomonas campestris pv. campestris em repolho. A. Folha de repolho com sintomas, B. Lesão necrótica, C. detalhe da lesão amarelecendo e necrosando o tecido em forma de “V”. D. colônias bacterianas de coloração amarelada, E. colônias bacterianas em microscópio estereoscópio.

Epidemiologia
Em 2001, levantamentos em plantios orgânicos de brócolos (Brassica oleracea var. italica L.), couve-chinesa (Brassica pekinnensis L.), couve-flor (Brassica oleracea var. botrytis L.) e couve-manteiga (Brassica oleracea L. var. acephala DC.) no estado de Pernambuco, registraram elevadas prevalências da podridão-negra, sendo de até 88,9% em couve-flor. Isto indica a importância da podridão-negra para as culturas de brássicas em Pernambuco e destaca a adaptabilidade do patógeno aos ambientes e aos hospedeiros (PERUCH et al., 2006).
X. campestris pv. campestris sobrevive em sementes, alojando-se na sua superfície e/ou no seu interior, em restos culturais fibrosos de plantas doentes, em plantas daninhas e em plantas hospedeiras, como epífita, sem entrar em contato com o interior do tecido da planta. A disseminação do patógeno, a longas distâncias, é realizada através de sementes ou de mudas doentes e, a curtas distâncias, por respingos de água de chuva ou de irrigação, geralmente na direção dos ventos predominantes. Também pode ser disseminados durante tratos culturais (KIMATI et al., 2005). As epidemias de podridão negra são favorecidas por temperatura e umidade elevadas (UFRGS, 2011). Temperaturas entre 28 e 30oC e presença de água de irrigação, de chuva ou de condensação são favoráveis para penetração da bactéria. A penetração ocorre através de aberturas naturais (estômatos e hidatódios) ou por ferimentos provocados na superfície da parte aérea (KIMATI et al., 2005).
Controle
Atualmente, essa doença tem sido parcialmente controlada pela utilização de cultivares resistentes. Entretanto, essa bactéria ainda representa uma ameaça para agricultura do país e, portanto, métodos mais eficientes de controle dessa doença dever ser desenvolvidos. Embora a sequência do genoma de X. campestris pv. campestris tenha sido revelada, informações a respeito da expressão de proteínas e genes desse patógeno em condições controladas ou na interação com a planta hospedeira permanecem escassos (CENARGEN, 2011).
O emprego de sementes sadias é indispensável para controle dessa bacteriose. Pesquisas tem demonstrado que a infecção máxima tolerável em sementes de brócolis, nos EUA, é de 0,01%. O tratamento térmico de sementes de repolho e de couve-de-bruxelas (imersão em água a 50oC, durante 25min) e de sementes de brócolis na mesma temperatura, durante 20min, é indicado. Trabalhos desenvolvidos no Brasil demonstram a eficácia do tratamento com água a 50oC, por 30min, para erradicação de X. c. pv. campestris de sementes de repolho. Sementes tratadas nessas condições deram origem a menos de 2% de plantas doentes, enquanto a testemunha originou 70% de plantas com sintomas de podridão negra (KIMATI et al., 2005).
Outra possibilidade de controle é o tratamento de sementes com antibióticos. Pode-se usar imersão por 30min em solução de aureomicina ou terramicina, na dosagem de 1 a 3g do antibiótico por litro de água. O excesso do antibiótico é neutralizado imergindo-se as sementes, por 30min, em salmoura (15g de sal de cozinha por litro de água) (KIMATI et al., 2005).
É recomendado a eliminação total, por meio de aração profunda, de restos culturas infectados, plantas voluntárias e plantas daninhas hospedeiras do patógeno. Em áreas anteriormente cultivadas com crucíferas, é aconselhável a rotação de culturas por um período de dois anos. O plantio de variedades ou híbridos com maiores níveis de resistência é recomendado (KIMATI et al., 2005).
Também é recomendado:
- Escolher a época de plantio adequada, preferencialmente períodos mais secos e frios, especialmente para os genótipos mais suscetíveis.
- Selecionar o local de plantio, evitando-se solos infestados e proximidade de plantios contaminados.
- Conservar bons níveis de N, P, K e micronutrientes no solo, pois a deficiência aumenta a propensão das plântulas à doença.
- Utilizar sementes certificadas.
- Efetuar o tratamento químico das sementes pelos seguintes procedimentos:
- Tratamento seco por 16 horas com hipoclorito de cálcio na proporção de 10 a 20g do p.a. por kg de sementes.
- Tratamentos com Nyolate (desinfetante à base de ácido lático e hipoclorito de sódio) por 30 a 60 minutos (UFRGS, 2011).
Apesar de algumas pesquisas sobre o controle biológico de X. campestris pv. campestris em citros, feijão, algodão, arroz e soja, muito pouca informação existe sobre o controle biológico da podridão negra em crucíferas (SCIELO, 2011).



LITERATURA CITADA
ADHIKARI TB; BASNYAT R. 1999. Phenotypic characteristics of Xanthomonas campestris pv. campestris from Nepal. European Journal of Plant Pathology 105:303-305.
ASSIS, S.M.L., MARIANO, R.L.R., MICHEREFF, S.J., SILVA, G., MARANHAO, E.A.A. Antagonismo de leveduras a Xanthomonas campestris pv. campestris no filoplano de repolho no campo. Revista de Microbiologia 30:191-195 1999.
CASELA CB; GUIMARÃES FB. 1996. Especialização fisiológica de fungos fitopatogênicos. Revisão Anual de Patologia de Plantas 4:75-93.
CENARGEM, Boletin de Pesquisa e Desenvolvimento. Disponível em: <http://www.cenargen.embrapa.br/publica/trabalhos/bp093.pdf>, acessado em: outubro de 2011.
KIMATI, H., AMORIM, L., REZENDE, J.A.M., BERGAMIN FILHO, A., Manual de Fitopatologia, vol. 2, doenças das plantas cultivadas 4o ed. Cap. 31, São Paulo: Agronômicas Ceres, 2005.
PERUCH LAM; MICHEREFF SJ; ARAÚJO IB. 2006. Levantamento da intensidade da alternariose e da podridão negra em cultivos orgânicos de brássicas em Pernambuco e Santa Catarina. Horticultura Brasileira 24:464-469.
SCIELO, Levantamento da intensidade da alternariose e da podridão negra em cultivos orgânicos de brássicas em Pernambuco e Santa Catarina. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/%0D/hb/v24n4/14.pdf>, acessado em: outubro de 2011.
UFRGS. Disponível em: <http://www6.ufrgs.br/agronomia/fitossan/fitopatologia/ficha.php?id=177>, acessado em: outubro de 2011.


Diferenciacao de padrao sintomatico de mildio em cultivares tardias e precoces de soja.

Milton Luiz da Paz Lima

       O míldio da soja tem como agente causal Peronospora manshurica. Nas plantas inicialmente seus sintomas apresentam dois padrões. 

     No campo neste ano agrícola 2011-2012 foi observado em cultivares precoces o padrão de manchas isoladas esféricas de coloração amarelada, apresentando os sinais de coloração palea acinzentada na face inferior da folha. 

     Nas cultivares tardias observou-se dois padrões de sintomas, o primeiro já supra citado de manchas esféricas amareladas, e outro padrão de clorose avançando o padrão das nervuras das folhas apresentando um padrao irregular lembrando a arquitetura de uma pena (nervura da hospedeira peninérvia). Neste segundo padrao sintomático observou-se uma abundância da produção de estruturas reprodutivas na face inferior da folha.

     As estruturas reprodutivas são representadas por esporângios, esporangióforos abundantes, e no interior dos esporângios zoósporos. São parasitas biotróficos, não cultivados em meio de cultura e que podem sobreviver através da produção de estruturas sexuais – oósporos. Os esporângios podem disseminar-se pelo vento, e podem produzir micélios ou diferenciar e originar zoósporos. O filme dágua na superfície vai favorecer o patógeno.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Doenças incidentes na soja no final do mes de dezembro de 2011 no municipio de Ipameri, GO e Urutaí, GO

Sintoma de fitotoxidez de herbicida.


Fitotoxidez por herbicida seletivo de pos-emergencia

Mildio - Peronospora manshurica

Sintoma de mildio - Peronospora manshurica


Mildio - Peronospora manshurica

Mildio - Peronospora manshurica, Ipameri, GO

Necrose da haste da soja - "Cowpea mild mottle virus" - mosca branca transmissor (Ipameri, GO).

Necrose da haste da soja - "Cowpea mild mottle virus" - mosca branca transmissor (Ipameri, GO).

Necrose da haste da soja - "Cowpea mild mottle virus" - mosca branca transmissor (Ipameri, GO).

Necrose da haste da soja - Cowpea mild mottle virus - mosca branca transmissor (Ipameri, GO).








Mancha de Cladosporium - Cladosporium sp. (Ipameri, GO)






Mancha de Phoma - Phoma sp. (Urutaí, GO)

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