quinta-feira, 1 de julho de 2010

“ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DO FUNGO Fusarium solani”

Autor: Guilherme Augusto M. Padovani

Existem 1414 registros de espécies, formae speciales e variedades de Fusarium spp. registrados em literatura. A espécie Fusrium solani (Mart.) Sacc. (1881), apresenta 49 tipos de especializações, sendo 30 formae speciales, 18 variedades e uma subespécie denominada de F. solani-tuberosi. O taxon que gerou a espécie valida atualmente é denominado de Fusisporium solani Mart.(1842); (Index Fungorum, 2010).


Fusarium solani (Mart.) Sacc. apresenta como sinonímia F. javanicum e apresenta como teleomorfo o ascomiceto Nectria hematococca. Seu micélio é branco, abundante, difuso, com gotículas de coloração branco leitosa e brilhante em placa de Petri, contem micronídios cilíndricos ou ovais, e suas dimensões são de 8-16x2-4 µ. Seus clamidósporos são globosos podendo ser isolados ou aos pares. As espécies similares apresentam fiálides longas e eretas, medindo 45-80 x 2,5-3 µ e constitue a principal distinção de F. solani da espécie similar F. oxysporum, que apresenta fiálides curtas. Os Hospedeiros mais importantes pertencem aos gêneros Allium sp., Arachis sp., Capsicum, Eupatorium, Foeniculum, Glycine, Gossypium, Hibiscus, Linum, Phaseolus sp., Sesamum, Trifolium, Zea. Diversas formae speciales foram propostas para a espécie. (UFPEL, Patologia de Sementes).


O teleomorfo apresenta o seguinte posicionamento taxonômico, Reino Fungi, Divisão Ascomycota, Classe Sordariomycetes Sub-classe Hypocreomycetidae Ordem Hypocreales, Família Nectriaceae, Este fungo apresenta micélio aéreo filamentoso, denso e cotonoso, formado de hifas ramificadas, septadas; dois tipos de conídios: macro e microconídios e estruturas assexuadas de resistência: clamidósporos. Quando presentes os clanidospóros podem ser terminais, intercalados, isolados ou em cadeias. Nos conídios fusiformes são produzidos esporodóquios (Tuberculiriaceae). (Index Fungorum, 2010).


Existem 860 registros de Fusarium solani encontrado em 416 espécies hospedeiras, em vários países dos continentes Europeu, Asiático, Americano, Africano e Oceania. Sendo que os principais hospedeiros são Solanum sp., Pinus sp., e Phaseolus sp. (Farr & Rossman, 2010)


No Brasil as hospedeiras são: Bellmoschus esculentus M. (Quiabo), Acacia margium Will. (Fabaceae), Allium cepa L. (Cebola), Allium sativum L. (Alho), Anacarcardium occidentalle L. (Cajueiro), Ananas Mill. (Bromiliaceae), Arachis hypogoea L. (Amendoim), Bita vulgaris L. (Beterraba), Capsicum annum L. (Pimentao), Capsicum spp. L.(Solanaceae), Chysanthenum spp. (Asteraceae), Coffea arabica L. (Cajueiro), Colocasia esculenta Schott. (Inhame selvagem), Cucumis nilo L. (Melão), Daucus carota L. (Cenoura), Gladiolus spp. (Iridaceae), Glicyne max Mirr. (Soja), Gossypium hiscutum L. (algodão), Gyprophyla sp. L. (Cariofillaceae), Hancornia speciosa Gomes (Mangaba), Helianthus annus Linn. (girassol), Hervea brasiliensis (Willd. ex A.Juss.) Müll. Arg. (Seringueira), Hervea sp. (Euphorbeaceae), Hibiscus esculentus Linn. (Quiabo), Lycopersicum esculentum Mill. (Tomateiro), Manihot esculenta Crantz (Mandioca), Musa paradisiaca L. (Bananeira), Origanum vulgare L. (Oregano), Oriza sativa L. (Arroz), Passiflora idulis Sims (Maracujá), Passiflora spp. (Passifloracia), Phaseolus lanatus L. (Feijaõ-de-lima), Phaseolus vulgaris L. (Feijão), Piper nigum L. (Pimenta do reino), Piscum sativum L. (Ervilha), Ricnus communis Linn. (Mamona), Schefflera arboricola Hayata (Chefera pequena), Schizolobium amazonicum Huber ex Ducke (Parica), Solanum tuberosum L. (Batata), Triticum aesticum Linn. (Trigo), Urena lobata Linn. (Malvaceae), Vittis spp. (Vitaceae) e Zea mays Linn. (Milho) (Embrapa cenargen, 2010).


Fusarium solani é a espécie mais comum de Fusarium recuperadas em humanos e animais. É um agente etiológico em ceratite, endoftalmite, infecções cutâneas, pacientes queimados, micetoma, onicomicose, sinusite doença pulmonar, endocardite, infecções do cateter, e artrite séptica.


Pacientes neutropênicos com doenças hematológicas malignas e aqueles submetidos a transplante de medula óssea são de alto risco para doença disseminada. Também tem sido relatada em sistemas de distribuição de água do hospital. Caracterização molecular sugere que clinicamente significativas isoladas variam consideravelmente e são mais referidos como membros da "espécie Fusarium solani complexo". Cylindrocarpon lichenicola e Acremonium falciforme foram recentemente adicionados ao complexo de espécies de F. solani baseado em estudos moleculares e um espectro de doenças oportunistas semelhante ao observado para F. solani. (Doctor fungos).


A identificação microbiológica decorre, inicialmente, de provas bioquímicas, porém o uso de técnicas de biologia molecular pode enriquecer o conhecimento a esse respeito, tendo como conseqüências um impacto significativo no nível de resolução taxonômica, na qualidade científica problemas de classificação, no que diz respeito à caracterização e à definição de novos táxons, em diversos grupos de microrganismos (Embrapa cenargen, 2010).


As espécies do gênero Fusarium possuem classificação baseada nas suas características morfológicas. As principais características consideradas para designar espécies são: morfologia da colônia, pigmentação e taxa de crescimento, especificidade de hospedeiros e perfil de metabólitos secundários Tharane, (1990). Devido à plasticidade e variações de características fenotípicas desse gênero, os marcadores morfológicos não são suficientes, o que tem levado a uma série de discordâncias na especiação desses fungos (Oliveira e Costa, 2002). Sendo assim, a sistemática molecular, que tem por base as relações filogenéticas, é uma ferramenta que oferece considerável segurança no estabelecimento de um sistema complementar de classificação para fungos, auxiliando na definição de alguns grupos taxonômicos e na designação mais precisa da posição desses microrganismos (Embrapa cenargen, 2010)


Estes fungos presente no solo ou veiculados pelas sementes, são responsáveis por podridão de raízes, ginóforos, vagens e sementes, ''damping-off'' e murcha vascular, onde, estes fungos causam a redução do desenvolvimento da planta, amarelecimento, queda de folhas e morte da planta, foram relatados também causando podridão de frutos em pós-colheita causando perdas consideráveis .Abrahão, (1949).


A podridão radicular seca do feijoeiro comum, cujo agente causal é o fungo Fusarium solani (Mart.) Hans f. sp. phaseoli, ocorre tanto na Europa como na América onde já foram constatadas reduções de até 86% na produção em situações de limitado crescimento radicular (Bianchini et. al., 1997).


Este patógeno tem sido amplamente relatado no Brasil como agente causal de doenças radiculares no feijoeiro comum (Phaseolus vulgaris L.) e na soja (Glycine Max L.); (Kimati, et. al., 1997).


O objetivo desse trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos de Fusarium solani.

O trabalho foi feito no Laboratório de Microbiologia do Instituto Federal Goiano campus Urutaí.


Os propágulos foram retirados de folhas de raízes de feijão (Phaseolus vulgaris L.) coletadas no laboratório em uma caixa do tipo Gerbox com papel filtro e água destilada para o desenvolvimento das côlonias fúngicas, apanhou-se as raízes da caixa e levou-as para a visualização em microscópio estereoscópico com a finalidade de se encontrar propágulos fúngicos.
Após a visualização dos propágulos devemos coletá-los da superfície foliarcom o auxílio de uma pinça e colocá-los em uma lâmina contendo uma gota de fixador lactofenol cotton-blue, em seguida colocou-se uma lamínula sobre a lâmina. Retirou-se o excesso de corante com papel higiênico, logo após vedou-se com esmalte e levar o conjunto para visualização em microscópio ótico. No microscópio a primeira objetiva a ser usada deve ser a menor (4x), para que possamos observar se os propágulos foram depositados na lâmina, após a observação destes, aumentamos as objetivas para os aumentos de 10x e 40x, para se observar as estruturas fúngicas com mais detalhes.


Comparamos as estruturas observadas com estruturas descritas em literatura para identificar o gênero ao qual o fungo pertence. Nesse trabalho o fungo identificado pertenceu ao gênero Fusarium solani.


Para esse trabalho foram realizadas microfotografias das estruturas fúngicas no microscópio ótico e das frutificações fúngicas na epiderme das folhas no microscópio estereoscópico, utilizando câmera digital Canon® modelo Power Shot A580.


Figura 1. Aspectos morfológicos de Fusarium sp., A. Macroconídios (mac) e conidióforo (cd) (bar = 16µm), B. Conidióforo (bar = 2,5µm), C. Detalhe macroconídio (bar = 3,7µm), D. Macroconídios fusiformes, tipo “aspecto de foice” (bar = 2,5µm), E. Macroconidios fusiformes (bar = 4µm), F. Microconídios (mic), hialinos periformes ou ovais (bar = 16µm).

DESCRIÇÃO MICOLÓGICA:

As características microscópicas apresentadas nas figuras (A, B, C, D, E, F) referme-se a produção de macro e microconidios. Os macroconidios hialinos, fig. (C, D, E) são septados (pluricelulares), fusiformes ou com típico aspecto “em forma de foice” característico do gênero, muitas vezes com célula apical alongada e célula basal pedicelada. A fig. (F) apresenta conidióforo e microconidios hialinos, piriformes ou ovais com possível presença de clamidósporos (Vidotto, 2004).

Características dos conidióforos hialinos, apresentam esporos rolamentosos, simples no vértice e mais alto que o comprimento de macroconídios por algumas vezes. Os conídios hialinos com dimorfismo filamentoso são: macroconídios com célula apical ligeiramente curvada, duas células cilíndricas central, muitas vezes, ligeiramente curvada de um lado, e a célula da base, normalmente de 3 a 5 septos (Vidotto, 2004).

Apresentam colônias de crescimento rápido, claras ou levemente coloridas de marrom, rosa ou vermelho, de acordo com a espécie e podem, ou não, apresentar micélio aéreo cotonado evidente (Vidotto,2004).


LITERATURA CITADA


ABRAHÃO, J. Mancha escura e verrugose do amendoim. O Biológico, São Paulo, v.15, n.11, p.222, 1949.

BIANCHINI, A., MARINGONI, A.C. & CARNEIRO, S.M.T.P.G. Doenças do Feijoeiro. In: Kimati, H., Amorin, L., Bergamin, F.A., Camargo, L.E.A. & Rezende, J.A. (Eds.) Manual de Fitopatologia. 3 ed. 2v. Ceres. 1997. pp.376-405.
DOCTOR FUNGOS Disponível em: , acessado em: 22 junho 2010

FARR, D.F., & ROSSMAN, A.Y. Fungal Databases, Systematic Mycology and Microbiology Laboratory, ARS, USDA. Retrieved July 1, 2010, from http://nt.ars-grin.gov/fungaldatabases/
INDEX FUNGORUM Disponível em:<>, acessado em: 29 abril 2010.

KIMATI, H., AMORIM, L., BERGAMIM, F.A & REZENDE (Eds). Manual de fitopatologia. Editora Agrônoma Ceres LTDA Vol. 1. 1997.

MENDES, M. A. S.; URBEN, A. F.; Fungos relatados em plantas no Brasil, Laboratório de Quarentena Vegetal. Brasília, DF: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Disponível em: http://pragawall.cenargen.embrapa.br/aiqweb/michtml/fgbanco01.asp. Acesso em: 1/7/2010.

OLIVEIRA, C. V.; COSTA, S. L. J. Análise de restrição de DNA ribossomal amplificado (ANDRA) pode diferenciar Fusarium solani f. sp. phaseoli de F. solani f. sp. glycines. Fitopatologia Brasileira, Brasília, DF, v. 27, p. 631-634, 200

THARANE, U. Grouping Fusarium section Discolor isolates by statistical analysis of quantitative high performance liquid chromatographyc data on secondary metabolite production. Journal Microbiological Methods, St. Louis, US, v. 12, p. 23-39, 1990.

UFPEL - PATOLOGIA DE SEMENTES Disponível em:, acessado em: 22 junho 2010
VIDOTTO, V. Manual de micologia médica. Ribeirão Preto, SP: Tecmed, 2004.

“ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DO FUNGO Puccinia Emiliae.”

Autor: Danilo Marçal Gonçalves de Paula

A falsa serralha (Emilia sonchifolia-Asteraceae), quando situada em lavouras se alastra rapidamente e compete com as plantas por luz, nutrientes e água, trazendo assim redução na produção das plantas de interesse econômico, tem como características ser uma planta herbácea, ereta, de pequeno porte, com 20- 60 cm de altura. Folhas alternas, pinatipartidas, membranáceas e sésseis. Inflorescência terminal, curto-racemosa, formada por captítuloas longo-pedunculados. Invóculo unisseriado. Flores hermafroditas, de corola tubulosa, vermelha.


Aquênio anguloso, de coloração castanha e com papo piloso e branco. Planta anual com reprodução por sementes, esta hospedeira tem propriedades medicinais antioftálmica, é indicada para asma e febre. (Aranha et al., 1972)
A ferrugem da falsa serralha (Puccinia emiliae), é pertencente a família dos Pucciniaceae, existem 20 generos e 4900 espécies catalogadas, no Brasil é encontrada em quase todas regiões por ter como hospedeira uma planta de fácil disseminação, este fungo caracteriza-se por produzir telíosporos bicelulares, isoladamente ou em pequenos grupos de 2 ou 3 em um peticelo. Os teliosporos nunca são unidos lateralmente formando crosta ou colunas. As paredes desses esporos são espessas e pigmentadas de amarelo, são lisas, o teliosporo envolvido por uma bainha transparente, lembrando uma cápsula que reúne algumas dessas estruturas, está também na divisão dos Basidiomycota que caracterizam-se por produzir esporos de origem sexual exógenos, no que se diferem dos Ascomicetos, distinguem-se dos Ficomicetos por apresentarem micélio septado, a classificação baseia-se primeiramente no tipo de basídia apresentada pela espécime, classe dos Urediniomycetes e ordem dos Uredinales que são parasitas obrigatórios e causam o importante grupo de doenças denominadas ferrugens (Kimati et al,. 1978).


O sintoma de necrose que ocorre na folha da planta de estudo acontece por existir uma hospedeira, para a reprodução da ferrugem, que e causada pelo fungo (Puccinia Emiliae).


Os sintomas da ferrugem em geral são: lesões de coloração amarela a vermelha e em alguns casos branca, de formato arredondado a oblongo. Muitas espécies de plantas são atacadas pela doença mais conhecida como ferrugem, mas embora o nome seja o mesmo, muitas vezes o agente causador da ferrugem não é o mesmo em se tratando de plantas distintas. Por exemplo, a ferrugem branca do crisântemo é causada pelo fungo Puccinia horiana e a ferrugem das orquídeas pelo Sphenospora kevorkianii. Entre as grandes culturas alimentícias destaca-se a ferrugem-do-colmo do trigo, causada por Puccinia graminis, e a ferrugem asiática da soja, causada por Phakopsora pachyrhizi, entretanto existem outras espécies de fungos que causam ferrugens em café, roseira, milho, capim-limão, pessegueiro, goiabeira, macieira e jabuticabeira, entre tantos outros (Jardineiro.Net).


As ferrugens são assim denominadas devido à lesão com massa de esporos pulverulenta de coloração amarela a avermelhada. Os esporos são estruturas de dispersão dos fungos, semelhantes às sementes das plantas. Seu tamanho é diminuto e cada lesão pode conter milhões de esporos sendo que, para haver nova infecção, basta que um único esporo germine em condições ideais de temperatura e umidade. No entanto a viabilidade germinativa dos esporos é restrita e nem todos os produzidos acabam por gerar novas infecções. O principal mecanismo de dispersão dos esporos é o vento, que pode carregá-los por milhares de quilômetros (Jardineiro.Net).


As ferrugens geralmente se beneficiam de climas amenos, com temperaturas moderadas e alta precipitação. Observa-se maiores incidências em anos chuvosos e propensos a formação de orvalho sobre as folhas. Estes fatores se relacionam com a necessidade de haver molhamento das folhas para que o esporo germine. Por isso, irrigação mal manejada pode favorecer aparecimento de ferrugem, o ideal é irrigar o solo ou substrato e evitar molhar em demasia as folhas, principalmente se há histórico da doença no local (Jardineiro.Net).


Os danos causados às plantas são irreparáveis partindo do ponto de que os tecidos vegetais afetados não têm capacidade regenerativa. Em ornamentais o ideal é destruir as plantas atacadas para evitar que outras plantas sejam afetadas. Em grandes culturas, o uso de fungicidas pode minimizar o impacto negativo sobre a produção que é o objetivo dos cultivos. Infelizmente, não existem produtos fungicidas curativos, apenas preventivos, por isso as doenças são um sério problema (Jardineiro.Net).


Na classe dos Urediniomycetes e na ordem dos Uredinales que são as ferrugens, seria interessante fazer estudos no uso deste fungo para o controle desta planta daninha na região, se fosse comprovado a eficácia, traria como beneficio a diminuição do uso de defensivos, lembrando que a ferrugem não sobrevive em meio de cultura, somente no hospedeiro (Kimati et al,. 1978).

O fungo Puccinia emiliae. foi encontrado em folhas de uma planta daninha chamada Emilia sonchifolia, com o nome comum de Falsa Serralha, esta planta e encontrada principalmente em lavouras de plantas perenes e anuais de interesse econômico e tem como características principais: planta anual, herbácea, geralmente ereta, possui reprodução por sementes e é de fácil disseminação.


O modo feito para a identificação dos espécimes é iniciado pelo reconhecimento da identidade da planta hospedeira, no caso ela é considerada uma planta daninha chamada Emilia sonchifolia. Seu nome popular é Falsa Serralha, esta planta daninha foi encontrada nos entornos do IFGoiano campus Urutaí-GO por um estagiário do Laboratório. O material de estudo eram folhas exsicatadas de falsa-serralha depositadas na coleção micológica de referência do IFGoiano, foram estudadas no Laboratório de Microbiologia.


Observou-se as características destas amostras, apresentando estruturas reprodutivas do fungo, através de um estudo micológico, observou-se o fungo em microscópio estetoscópio.

Preparou-se o material em microscópio óptico (lupa), a partir da montagem de lâminas semi-permanentes em solução de um fixador chamado lactotenol cooton-blue (62,5 mL ácido lático, 2,6 mL ácido acético,100mL água e 100mL glicerina), se retira a estrutura do fungo utilizando um estilete, com um guardanapo é tirado o excesso de coranteutilizando o método de “Pescagem direta das estruturas”. Este método consiste na retirada de propágulos fúngicos da amostra em seguida , deposita-se uma uma gota de fixador a uma lâmina, após este procedimento deposita-se uma lamínula (18x18 mm), e por fim passa-se o esmalte ao redor para ocorrer a vedação do material coletado e não ocorrer a remoção do liquido e depois coloca-se um adesivo para identificação material e do aluno.


Depois do preparo do material leva-se a lâmina ao microscópio óptico para descobrir sua taxonomia, identificar estruturas morfológicas, identificação do mesmo, e registros micro fotográficos, além dos registros macrofotoráficos realizados anteriormente. Tirando fotos que serão incluídas na descrição para melhor entendimento, as imagens foram obtidas utilizando a câmera digital Canon modelo Power Shot A580 do professor Milton Luiz da Paz Lima.



Figura 1 – Aspectos morfológicos do fungo Puccinia emiliae incidente em folhas de falsa serralha, A. sintoma da doença na folha,(bar = 5mm) B. detalhe de um conjunto de uredias,(bar = 30mm) C., teliosporos papilado (bar = 8um)D. teliosporos não papilados (d1), bicelular e pedicelado (d2)(bar = 8um).


Descrição Micológica

Puccinia emiliae foi descrita em 1898, apresenta esporos espersos, apresentam 2-3 mm de diâmetro, a télia é hipófila, circular, agregada, os teliósporos são clavados (ou seja possuem papilas), subfusóides, variabilidade, ápice obtusiforme, apresentam um septo constricto, e apresenta as dimensões de 30-49 x 14-18 μm, pedicelo creme, persistente e apresenta as dimensões de 15-30 x 5-8 μm. A espécie folícola é encontrada incidente em Emilia sagittatae na Jamaica (Index fungorum, 2010).

REFERERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ARANHA, C.; BACCHI, O.: FILHO, H.F.L.. Plantas Invasoras de Culturas. Editora Campinas, Volume II, São Paulo, 1972.

INDEX FUNGORUN, disponível em: http://www.indexfungorum.org acessado em 19/04/2010.

JARDINEIRO.NET, disponível em: <>, acessado em 23 de junho de2010

KIMATI, H.; In: GALLI, F.; TOKESHI, H.; CARVALHO, P.T.C.; BALMER,T.L.; CARDOSO; CON, Salgado, C.L.; KUGNER, T.L.; CARDOSO, E.J.V.B.; BERGAMIM Filho, A. Manual de Fitopatologia. Editora Agronômica, Ceres, 2ª ed. São Paulo, SP, 1978.

PLANTAS DANINHAS ONLINE, disponível no site: <> , acessado em 14 de junho de 2010.

WIKIPEDIA, disponível no site: <>, acessado em 22 de junho de 2010

REVISÃO DE LITERATURA A RESPEITO DO MELHORAMENTO GENÉTICO DA CULTURA DO AMENDOIM (Arachis hypogaea).

Autor: Bernardo Piccolo Moreira Rezende

INTRODUÇÃO

A origem do amendoim comum (Arachis hypogaea Lineu) parece estar associada a um eventual cruzamento entre duas espécies silvestres diplóides, que teria resultado em um híbrido estéril, cujos cromossomos foram duplicados, levando a restauração da fertilidade e provável seleção de controle genético da meiose (Simpson et al., 2001).
O gênero Arachis L. engloba cerca de 80 espécies, cuja distribuição natural é restrita ao Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai (Valls e Simpson, 1994). Sendo o Brasil o país que abriga o maior número de espécies. O amendoim comum tem mostrado significativa importância econômica, quase sempre circunscrita a pequenas regiões, mas também tem-se projetado internacionalmente como novas alternativas agrícolas. No século XVI, com a chegada dos europeus, o amendoim foi sendo difundido pelo mundo, assumindo importância na dieta alimentar de alguns povos, como na China e na Índia (Freitas; Peñaloza; Valls, 2003).
O amendoim é uma das principais oleaginosas cultivadas no mundo. Anualmente, são consumidas cerca de 8 milhões de toneladas de grãos na forma in natura ou industrializada e entre 15 e 18 milhões são esmagados para fabricação de óleo comestível (Macedo, 2004). Em termos de importância econômica, esta oleaginosa é a quarta mais cultivada, ficando atrás apenas da soja, do algodão e da colza. A China a Índia e os Estados Unidos são os principais produtores mundiais; Nigéria, Indonésia e Senegal somam, juntos, 10,2% da produção mundial (Santos, 2005).
O cultivo do amendoim no Brasil ocupa aproximadamente 129.500 ha. Cerca de 75% da produção nacional está concentrada no Estado de São Paulo (Companhia Nacional de Abastecimento, 2007). Essa produção, em sua quase totalidade, advém de áreas de reforma de canaviais, nas quais o amendoim é a principal cultura utilizada na rotação com a cana-de-açúcar.
O custo de produção da cultura gira em torno de 10% do rendimento bruto, mas em anos de grande incidência de pragas, o lavrador precisa estar atento, pois a falta de controle no momento certo pode tirar toda margem de lucro gerada por esta leguminosa. Em anos favoráveis para pragas e doenças o controle químico sobrecarrega o custo de produção (Lasca, 1986).
Diversas são as pragas que podem atacar as lavouras de amendoim. Atualmente para a região de Ribeirão Preto, SP, os tripes Enneothrips flavens (Moulton, 1941) (Thysanoptera: Thripidae); a lagarta-do-pescoço vermelho Stegasta bosquella (Chambers, 1875) (Lepidoptera: Gelechidae) e a lagarta Anticarsia gemmatalis constituem os principais problemas, acelerando a queda de folhas e incrementando a ocorrência de doenças fúngicas (Gallo et al., 1988).
Os programas de melhoramento de amendoim trabalham as seguintes características: produtividade, hábito de crescimento, ciclo, resistência ou tolerância a fatores bióticos e abióticos e qualidade do produto (Godoy et al., 1999).
O objetivo principal do presente trabalho é descrever sobre o melhoramento genético do amendoim comum, onde a seleção por cultivares mais produtivas e precoces, resistência ou tolerância a doenças e pragas e resistência a estresse hídrico são os objetivos do melhoramento dessa cultura.

2. DESENVOLVIMENTO

O melhoramento do amendoim comum tem sido feito, principalmente, pelo Instituto Agronômico de Campinas. São pesquisadores que trabalham no aperfeiçoamento dessa cultura desde 1940, ano que surgiu a primeira cultivar no Brasil, a IAC Tatu. Desde então 15 outras cultivares foram lançadas pelo IAC até o ano de 2008 (IAC Tatu, Tatuí, IAC Oirã, IAC Poitara, IAC Tupã, IAC Caiapó, IAC Jumbo, IAC 22, IAC 5, IAC Tatu - ST, IAC 8112, Runner IAC 886, IAC 11541, IAC 127, IAC 137, IAC 147, IAC 213) (Instituto Agronômico de Campinas, 2010).
Segundo o Registro Nacional de Cultivares do MAPA, existe 14 cultivares de amendoim comum registradas, aptas para comercialização. BR 1, BRS 151-L7 e BRS Havana da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA); IAC 22, IAC 5, IAC 8112, IAC Oirã, IAC Poitara, IAC Tupã, IAC-Caiapó, Runner IAC 886, Tatu Vermelho e IAC Tatu-ST do Instituto Agronômico de Campinas (IAC); e Iapar 25 –Ticão do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) (Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, 2010). Atualmente, essas três instituições de pesquisa são as principais a trabalharem com o melhoramento do amendoim.

2.1 Histórico do melhoramento
Há 40 anos, o Brasil era um importante produtor de amendoim e um dos maiores produtores mundiais de óleo de amendoim, sendo a cultura concentrada nos Estados de São Paulo e Paraná. Tanto que a década de 1970 foi marcada por uma produção destinada à indústria esmagadora, que abastecia o mercado interno com óleo e o externo com farelo e óleo (Freitas e Amaral, 2002). Mas na década seguinte, um conjunto de fatores - susceptibilidade às variações climáticas; baixo rendimento por área; variações bruscas nos preços; e elevado custo de produção (Nogueira Junior, 1976), além da grande concorrência por parte de outras atividades como soja, cana-deaçúcar e laranja (Freitas; Margarido; Negri Neto, 2003), desestimulou a cultura que sofreu contínua redução de área.
No final da década de 1980, com o predomínio do óleo de soja no mercado interno, a produção nacional de óleo de amendoim passou a ser destinada ao mercado externo, mas a inexistência de normas internas de controle de aflatoxina para o farelo reduziu a competitividade desse subproduto no exterior (Rocha e Barbosa, 1990).
A década de 1990, conforme Freitas e Amaral (2002), registra uma mudança no mercado de amendoim, apontando expansão do consumo in natura e o declínio nas aquisições por parte das esmagadoras, que reduziu a produção e exportação dos subprodutos, assim o produtor de amendoim passa a direcionar a produção agrícola em função da indústria confeiteira, que requer melhor qualidade do produto. Nessa fase a demanda por cultivares que atendessem melhor as exigências da indústria confeiteira tornou-se o grande desafio, assim como a adoção de outras tecnologias que pudessem garantir a qualidade do amendoim: como novas técnicas de manejo, de colheita e pós-colheita. As pesquisas que deram origem aos cultivares, IAC Caiapó, IAC Tatu-ST e IAC Runner 886, utilizando técnicas de melhoramento genético; posteriormente, foram realizados testes em escala de produção agrícola, através de parcerias com produtores, para comparação com os resultados experimentais.
Em 1996 foi lançado o cultivar IAC Caiapó9; a pesquisa para seu desenvolvimento envolveu 23 ensaios experimentais, em que foram avaliadas as características físicas e químicas e a produtividade alcançada (Zullo et al., 1993). Em seguida, foi avaliado o desempenho produtivo em três níveis de controle de doenças e estabilidade de produção (Godoy et al., 1999), e também a avaliação em diversos níveis de controle da cercosporiose (Moraes et al., 1998). O cultivar IAC Tatu-ST10 foi oficialmente lançado em 2000.
A partir de 1998 as sementes do cultivar passaram a ser multiplicadas em parcerias com cooperativa de produtores, visando a substituição dos antigos estoques de sementes de Tatu Comum. Para o desenvolvimento do cultivar IAC Runner 88612, foram conduzidos 26 ensaios experimentais para avaliação de desempenho e potencial produtivo em relação ao controle químico de doenças comparado com outros cultivares (Godoy et al., 1999).
Nesse contexto, também deve-se considerar as inovações institucionais, em que se destaca o lançamento, em 2001, do Pró-amendoim um programa de auto-regulamentação, que objetiva melhorar a qualidade do produto in natura e industrializado no Brasil e o selo de qualidade ABICAB14, que visa estimular a melhoria de qualidade do amendoim brasileiro, assegurando ao consumidor que o produto foi fiscalizado. A produção agrícola brasileira de amendoim, para a safra 2004/05, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), ficou em torno de 301 mil toneladas.

2.2 Banco de Germoplasma
No melhoramento de plantas, três recursos básicos devem ser explorados para que se consiga maior variabilidade genética. O primeiro é o conhecimento das diferenças hereditárias entre os genótipos da espécie cultivada. O segundo, refere-se às diferenças que podem ser criadas artificialmente pelo uso de mutagens e o terceiro são as diferenças que ocorrem entre os relativos selvagens das espécies cultivadas (Farias, 1996). Segundo Jatasra & Paroda (1983), a informação precisa sobre a divergência genética é decisiva para o sucesso de um programa de melhoramento uma vez que as plantas geneticamente divergentes produzem alto efeito heterótico e consequentemente segregantes desejáveis para a produção.
O estudo de diversidade genética em germoplasma pode ser procedido em vários níveis, através da caracterização dos acessos utilizando-se descritores agronômicos, bioquímicos, nutricionais e moleculares.
Na espécie A. hypogaea vários são os descritores que podem ser utilizados para caracterizar seus acessos. Alguns deles, contudo, por apresentarem pequena variação morfológica, oferecem pouca contribuição aos propósitos da curadoria.
A Embrapa Cenargen possui um banco de germoplasma de Arachis constituído de 928 acessos, 847 dos quais originários do Brasil, 48 do Paraguai, 13 da Bolívia, 13 da Argentina e 7 do Uruguai (Valls, 1997). A maioria desses acessos é mantida no Instituto Agronômico de Campinas (IAC) em trabalhos de parceria com o Cenargen. A Embrapa Algodão quando iniciou as pesquisas com amendoim em 1986, constituiu uma coleção de Arachis hypogaea, a qual conta atualmente com 228 acessos. Embora seja composta apenas de materiais da espécie cultivada, resultados obtidos através de estudos de diversidade genética têm demonstrado que a variação infra-específica detectada entre os acessos tem sido suficiente para gerar variabilidade genética no programa de melhoramento da cultura desenvolvido pela empresa (Sales, 1995; Farias, 1996).
A manutenção do BAG-Amendoim da Embrapa Algodão visa, além de conservar os acessos, verificar como eles podem contribuir para a ampliação da base genética das futuras cultivares, avaliando o seu potencial de variabilidade para incorporação na rotina do melhoramento genético desta oleaginosa. As principais abordagens utilizadas no estudo do BAG levam em conta a caracterização e classificação dos acessos e a análise da divergência e similaridade genética entre eles.
O registro dos acessos do BAG-Amendoim da Embrapa Algodão encontra-se disponível no SIBAG - Amendoim (Sistema de Informações de Banco Ativo de Germoplasma) um "software" recentemente desenvolvido pela empresa que organiza na base de dados, os descritores utilizados na caracterização e avaliação dos acessos de amendoim. Este "software" contribui para a obtenção de listas estruturadas por critérios definidos pelos usuários e respostas rápidas a consultas para orientar linhas e ações de pesquisa ligadas ao melhoramento da cultura.

2.3 Métodos de melhoramento
O maior objetivo no melhoramento genético do amendoim é conseguir cultivares com produções superior e estáveis, resistentes a várias pragas e doenças e com larga adaptação ambiental. Soma-se a isto, a melhoria na qualidade do óleo e da proteína para atender o mercado "in natura" e a indústria de produtos alimentícios.
Os métodos convencionais do melhoramento envolvem Introdução, Seleção, Linha pura, Seleção massal ou modificada, Hibridação e recombinação seguidas pelas técnicas de pedigree, bulk ou retrocruzamento (Allard, 1971). Segundo Wynne & Gregory (1981), podem ainda serem utilizados, para obtenção de uma população melhorada, o sistema de cruzamento múltiplo, seleção recorrente e o sistema dialelo de cruzamento seletivo.
A introdução deve resolver acima de tudo a questão da aclimatação. Os procedimentos da seleção não criam variabilidade genética, apenas atua na existente. A variabilidade é criada a partir da hibridação, entretanto, não deve ser esquecido que características indesejáveis estão freqüentemente ligadas a outras de valores econômico-cultural e que, enquanto algumas cultivares melhoradas são produzidas, uma forte pressão de seleção é responsável pela diversidade da erosão genética, contribuindo para a extinção de velhas raças.
De acordo com Coffelt & Hammons (1974), o melhoramento do amendoim pode ser dividido em três estágios: a) associação ou criação de um conjunto de germoplasma variado; b) seleção de indivíduos superiores através deste conjunto; e c) utilização dos indivíduos selecionados para criar variabilidade genética. A estimativa de variância genética, herdabilidade e coeficiente de correlação podem ser de grande valor em todos os três estágios.
A maioria das características agronômicas do amendoim são de natureza quantitativa. Um programa de melhoramento em tais caracteres é primariamente condicionado pela magnitude e natureza da variação presente na população (Qadri & Kunti, 1982). A produção, por exemplo, é um caráter complexo, governado por vários pares de genes, de efeito cumulativo, não dominantes e herdado quantitativamente (Coffelt & Hammons, 1974).
Badami (1930), citado por Coffelt & Hammons (1974) sugere que em uma população a ser melhorada, deve ser feita uma seleção preliminar baseada nas plantas que apresentem maior número de vagens maduras e uma seleção final nas plantas que apresentem maior peso de semente. Entretanto, Badwal & Gupta (1968) citado por Coffelt & Hammons (1974), sugerem que a seleção baseada apenas no rendimento é geralmente menos eficiente do que a seleção baseada nos componentes de produção. Esses autores estudaram a herança e correlação de nove caracteres em amendoim e revelaram que a seleção numa população para aumentar qualquer um dos seguintes caracteres: número de vagem; peso da vagem; número de sementes ou peso de sementes, resulta num correspondente aumento nos outros por eles estudados.

3. CONCLUSÕES

O surgimento de diversas técnicas complementares ao melhoramento de plantas no Século XX tem trazido várias lições. A primeira delas foi que nenhuma tecnologia por si só pode substituir a prática do melhoramento de plantas. Isso decorre de vários fatores. Novas tecnologias podem auxiliar na criação de variabilidade e/ou seleção de genótipos superiores, mas a avaliação a campo de materiais superiores ainda é uma etapa fundamental enquanto, a agricultura for praticada como tem sido feito até hoje.
A expectativa é de que o melhoramento de plantas, nas primeiras décadas do próximo milênio, continuará evoluindo, mas as mudanças não acontecerão de forma tão drástica. A fonte de genes mais utilizada no desenvolvimento varietal continuará sendo o germoplasma núcleo das espécies cultivadas. Os principais métodos para o desenvolvimento de novas variedades também serão aqueles que utilizam a hibridação. A mais onerosa etapa no desenvolvimento varietal continuará a ser a das avaliações de campo para as características quantitativas e a necessidade do trabalho em equipe multidisciplinar tornar-se-á mais evidente.
Ao se considerar que o melhoramento de plantas é uma tecnologia agrícola que pode se estender ao longo de 10 a 20 anos e que uma nova tecnologia tem que ser conhecida, testada e disseminada, antes de atingir a plenitude do seu potencial, conclui-se, portanto, que essa mesmo com suas limitações é uma tecnologia eficaz em cumprir com seus objetivos e pode trazer elementos para melhorar a suas contribuições com a sociedade e meio ambiente.

4. Literatura citada:

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“ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DO FUNGO Rhizopus sp. ”

Lorena Natácia da Siva Lopes.

Do ponto de vista fitopatológico a classe Zigomycetes tem importância limitada. Apresenta dentro da ordem Mucorales, apenas dois gêneros fitopatogênicos de importância: Choanephora sp. e Rhizopus sp. que são parasitas fracos. O fungo é um patógeno não especializado no seu hospedeiro, que infesta um grande número de plantas; invade os tecidos através de ferimentos, apodrecendo rapidamente frutos inteiros deixando intacta apenas a cutícula. A hifa fúngica secreta enzimas pectolíticas que em condições de elevada umidade e temperatura (entorno de 25 oC) durante armazenamento favorecem o desenvolvimento de lesões (Camargo et al., 2005).

O fungo Rhizopus sp. é um sapróbio habitante do solo muito comum, ocorrendo não só em frutos, mas também em outros materiais em decomposição. É contaminante comum presente em de laboratório de manipulação de microrganismos (Bergamim et al.,1995).

Existem 158 espécies e 55 variedades de fungos pertencentes ao gênero Rhizopus sp. O fungo Rhizopus stolonifer (Ehrenb).Vuill,Revue of Muycology foi descrito em 1902. Esta espécie possui 3 variedades representadas R. stoloifer var luxurians, R. stolonifer var. lyococcus, R. stolonifer var. stolonifer. As sinonímias presentes em literatura Crinofera sp. Nieuwl, Mucor sp. Micheli, Pilophora sp. Walbi (Index Fungorum, 2010).

O fungo Rhizopus sp. pode ocasionar doenças em plantas tais como, podridões pós-colheita em frutos de tomateiro, podridões moles ou podridão-floral do-maracujazeiro qual ataca as flores recém abertas e frutos novos (BOMFIM et al., 2007). Pode ainda expressar sintomas em ameixa e nectarina. Foi verificado a não interferência na qualidade sanitária e fisiológica de sementes de abóbora variedade Menina Brasileira da incidência deste zigomiceto (Casároli, 2006).

Detectaram a incidência de Rhizopus sp. em análise sanitária de sementes de mamona em regime de luz contínua. O fungo Rhizopus sp. foi encontrado em sementes e materiais empregados no artesanato; foi relatado que este pode causar alergias humanas e coloca em risco a biodiversidade de insumos e sementes do Brasil (Felix & Resende, 2006).

Pesquisa feita por GOMES et al. (2006), constataram o aparecimento do fungo Rhizopus em sementes de amendoim comercializada em bairros de Maceió, AL .

Foi realizado em Cuiabá, MT, amostragens de grãos de soja comercializadas em supermercados, e nestas avaliou-se a incidência de microrganismos, sendo detectados nas sementes a incidência de Rhizopus sp. (KOBAYASTI et al., 2006).

BOMFIM (2006) avaliou o antagonismo in vitro dos isolados Trichoderma sp. visando o controle do Rhizopus sp., e o autor verificou que todos os tratamentos tiveram potencialidade para o controle do Rhizopus sp. (BOMFIM et al., 2006).

Os fungicidas befenil e fenilbenzeno que são utilizado na proteção de frutas para exportação reduzem grandemente a incidência de podridões causadas por Rhizopus sp. (GALLI et al., 1978). E ainda o fungicida ortofenilfenato de sódio é facilmente solúvel em água, e ainda possui relativa baixa toxidade para animais. É indicado no controle da podridões causadas por Rhizopus em cereja (GALLI et al., 1978).

A fermentação de grãos de arroz causada por Rhizopus sp foi observada por ENDRES et al. (1999).

VIDOTTO (2004) em humanos a zigomicose tem como principal agente causal o fungo Rhizopus sp. Defini-se como zicomicose uma micose com expressão clínica variada, causada por fungos pertencentes a classe zygomycetes (divisão eumycota, subdivisão zygomycotina).
Trata se de micoses gravemente deturpantes, típicas e exclusivas dos países tropicais e subtropicais (África, Indonésia, Sudeste Asiático). Sinonímia presentes em literatura ficomicose, mucormicose (Vidotto, 2004).

O Rhizopus sp ocorre tanto em hortaliças, frutíferas, gramíneas e algumas espécies arbóreas. Destas as espécies que mais teve ocorrência em diferentes estados foi na batata-baroa onde foi diagnosticado podridão pós-colheita e nas sementes e ocorreu nos estados da Paraíba, Paraná, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão. Uva diagnosticado podridão cinzenta do caule, e nas sementes ocorreu nos estados do Piauí, Ceará, Pernambuco, Amazonas e Alagoas. Pinheiro diagnosticado nas sementes ocorreu nos estados de Goiás, Distrito Federal, Sergipe, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco. Sorgo ocorreu em sementes nos estados de Pernambuco e Rio Grande do Sul. Milho causa deterioração pós-colheita e ocorre nas sementes, ocorreu nos estados do Mato Grosso do Sul, Sergipe, Pernambuco e Mato Grosso. Na soja causa podridão pós-colheita e ocorre nas sementes, nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Paraná (Embrapa Cenargem, 2010).

Existem 308 registros de ocorrência de espécies de Rhizopus sp que infectam plantas e destas as espécies que merecem destaque são: R. stolonifer, R. nigricans, R. arrhizus, R. artocarpi. Registros encontrados em todos os continentes (Farr e Rossman, 2010).

O objetivo deste trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos do fungo Rhizopus.

O trabalho foi realizado no Laboratório de Microbiologia do IFGoiano Campus Urutaí-GO onde retirou-se amostras do fungo identificado previamente como sendo Rhizopus sp., extraído de uma semente.
Em seguida, utilizando-se microscópio estereoscópico (lupa), estilete, fixador lactofenol cotton-blue: 2,6 ml ácido acético; 62,5 ml ácido lático; 100 ml glicerina; 100 ml água destilada; corante: 1g 10 ml água; etanol 70%, lâmina, lamínula, adesivo, microscópio, esmalte, preparou-se lâminas permanentes para análise e observação em microscópio composto.
Foi realizado registros macro e microscópio utilizando câmera digital Canon modelo Power Shot A580. As fotos foram editadas utilizando o programa Microsoft Office Picture Manager para a edição da imagem e o Power Point para elaboração e montagem da prancha.


Figura 1. Aspectos morfológicos do Rhizopus sp. A. Esporângio, esporangióforo e rizóide (barr=22μm), B. Esporangióforos, esporângio e massa de aplanósporos (barr=22μm), C. Detalhe do esporangióforo (barr=2μm), D. Representação do esporângio e aplanósporos do fungo (barr=4μm), E. Aplanósporos estriados irregulares (barr= 9 μm), F. rizóides (barr=7μm).


Os esporos fúngicos observados são denominados de aplanósporos subgloboso, subelíptico marrons escuros e apresentam estrias superficiais (Fig. 1E), esporângios são globosos marrons escuros a negros possuem diminutas imperfeições aparentemente são subglobosos na maturidade (Fig. 1D), esporagióforos eretos simples ramificados alaranjados a marrons escuros (Fig. 1C), rizóides são conectados nos esporangióforos sendo que na ápice podem apresentar columelas esporangiais terminais (Fig. 1F), Todas essas estruturas foram observadas na (Fig. 1A), Não apresenta esporos móveis e sim aplanósporos disseminados passivamente pelo vento e responsáveis pela reprodução do fungo (Fig.1E). Este gênero apresentou uma vantajosa e eficaz velocidade de crescimento em meio de cultura.
A base ou estrutura de sustentação do talo fúngico é composto pelos rizóides que ficam imersos no hospedeiro e localizados na base do esporangióforo (1F), e a partir dos rizóides pode-se observar hifas aéreas, os estolões, que ao tocar o substrato formam novos rizóides e esporangióforos. Somente foi verificado o ciclo assexual, não sendo verificada a presença de zigósporos.
BERGAMIM FILHO, A., KIMATI, H., AMORIM, L. Manual de fitopatologia. Volume 1. Princípios e conceitos. 3ª. edição. Editora Agronômica Ceres, São Paulo SP. 1995 .

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BOMFIM, P.M., SÃO JOSÉ, A.R., REBOUÇAS T.N.H., NOVAES, Q.S.DE., MATOS, M.A., Antagonismo in vitro de Trichoderma ssp. A Rhizopus stolonifer. Fitopatologia Brasileira 319(suplemento): 321 2006.

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WATANABE, T. Pictorial Atlas of Soil and Seed Fungi: morphologies of Cultured Fungi and key to Species, Tokio Japan; Lewis Publis Hers.,1994.




“ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DO FUNGO Graphium sp.”

Leonel Teixeira Junior

O fungo Graphium sp. pertence ao grupo insertae sedis dos fungos mitospóricos e ao subgrupo hyfomycetes.

O gênero Graphium sp. foi descrito por Corda em 1837 (Index Fungorum, 2010).
kirk et.al., (2001) relataram como teleomórfos os ascomicetos Ophiostoma sp. Microascus sp. e Pseudallescheria sp.

As espécies de Graphium sp. estão intimamente ligadas com ascomycetes diversos. Pertencem ao Reino Fungi, Divisão Ascomycota, Classe Euascamycetes, Ordem Microascales, Família Microascaceae e gênero Graphium sp. (Doctor Fungus, 2010).

Existem 172 espécies, 6 variedades e 4 subespécie pertencentes as gênero Graphium, sendo que a espécie Graphium fissum possui 2 variedades e 2 subespécies, Graphium glaucum apresenta apenas 2 subespécie e Graphium subtile possui 2 variedades e duas subespécies. As sinonímias presentes em literatura Ceratopodium sp., Phialographium sp. (Index Fungorum, 2010).

Existem 117 registros de espécies de Graphium sp. que infectam plantas, e destas as espécies que merecem destaque são: Graphium rhodophaeum, Graphium calecioides, Graphium rubrum, Graphim putredines, Graphium rigidum, Graphium penicillioides. Tais registros foram feitos na America Central, America do Norte, America do Sul, Asia, Africa, Europa e Oceania (Farr e Rossman, 2010).

Graphium sp. também foi encontrado na casca e galhos de hospedeiras desconhecidas no México e em Cuba (Farr e Rossman, 2010).

Graphium sp. foi encontrado no pimentão (Capsium Annuum L.) no Distrito Federal, na soja (Glycine Max), em sementes de erva-mate (Ilex Paraguariensis A.) com procedentes em oito municípios do estado do Paraná, em sementes de arroz (Oryza sativa) também no estado do Paraná e em outras espécies de sementes no Rio Grande do Sul (Embrapa Cenargem, 2010).

Os efeitos na saúde dependem do ascomyceto relacionado. Não há relatos de doença devido ao estágio de Graphium sp. ou Ophiostoma sp.. No entanto, o gênero Pseudallescheria sp. (fase assexuada é Scedosporium sp.) é conhecido por causar muitos efeitos para a saúde, alguns dos quais têm graves conseqüências (Emlab, 2010).

Pseudallescheria boydii espécie de fungo patogênico da família microascaceae responsável por infecções pulmonares caracterizadas por lesões crônicas fibrosas escavadas, nas quais se vêem amontoados de fungos (Médico de Portugal, 2010).

Poelma, (1974) observou uma infecção mista por via subcutânea em um golfinho em cativeiro causada por Petriella Setifera (Pseudallescheria), fase teleomórfa de Graphium sp..
Graphium sp. é um fungo filamentoso, sinemático encontrado no solo e em materiais vegetais. Podem causar murcha ou seca em plantas lenhosas (Cardoso, 1978).

Há relatos de que fungo Graphium sp. pode causar danos à madeira verde, sua presença na madeira favorece o aparecimento de fungos apodrecedores, comprometendo assim suas propriedades mecânicas (Fortin,1995). Constataram também sua presença em sementes de acácia-negra, e a maior preocupação é que o fungo esteja associado à gomose causada por Phytophthora sp. na acácia-negra no Estado do Paraná (Cascavel, 2010).

Observou-se que é bastante comum encontrar Graphium sp. em troncos de plantas de videira ocasionando apodrecimento das estacas (Scielo, 2010). Até o momento, não foram realizados ensaios para certificação do envolvimento do Graphium sp. no declínio das plantas, podendo ser considerado um saprófito associado e não parasita nestes materiais (Hortibrasil, 2010).

Vários fungos tem sido detectados em sementes de palmeiras, dentre eles Graphium sp. Os prejuízos causados por alguns desses fungos vão desde o apodrecimento das sementes, provocando falhas na germinação e posteriormente, a morte de plântulas, até o apodrecimento das raízes. Foi verificado ocasionando manchas foliares, e subdesenvolvimento em plantas, comprometendo assim sua produção (Biológico, 2010).

A bioalimentação por microorganismos autóctones selecionados, constitui uma excelente alternativa para a biodegradação do fenol. Diversos autores têm mencionado o uso de microorganismos visando a remoção do fenol em efluentes industriais dentre eles Graphium sp. é citado. Essas avaliações são úteis para classificar variáveis importantes, verificando seus efeitos no desempenho do microrganismo no processo biodegradativo (Tavares, 2009).

O objetivo deste trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos do fungo Graphium sp.

O trabalho foi feito no Laboratório de Microbiologia do IFGoiano campus Urutaí-GO.
O fungo foi retirado da raiz de feijão (Phaseulos vulgaris), incubada sob as condições de câmara úmida. Com auxilio de uma pinça e do microscópio estereoscópico, foram coletadas estruturas morfológicas ou micélio para preparo de lâminas semi-permanentes. Em seguida as estruturas retiradas foram colocadas em uma lâmina contendo uma gota de fixador cotton-blue, sendo em seguida recoberta com uma lamínula e vedada com esmalte posteriormente.
O fixador cotton-blue é constituído por 2,6ml de ácido acético, 62,5mL de ácido lático, 100 mL de glicerina, 100 mL de água destilada. O corante apresentou uma diluição de 1g para 10 mL de etanol 70%.
A lâmina foi levada ao microscópio óptico para visualização e descrição das principais estruturas morfológicas. Foi constatada a presença de, conidióforos, sinêmios, conídios, célula conidiogênica, entre outros. Comparamos as estruturas observadas com estruturas descritas em literatura para identificar o gênero ao qual o fungo pertence. Certificamos que o referido fungo pertence ao gênero Graphium sp..
As microfotografias foram tiradas no microscópio ótico, com aumento de 100x utilizando óleo de imersão. Foi tirado também fotos no microscópio estereoscópico. Para realização destas atividades foi utilizada a câmera digital Canon modelo Power Shot A580. As fotos foram editadas utilizando o programa Microsoft Office Picture Manager para a edição da imagem e o Power Point para elaboração e montagem da prancha.


FIGURA1. Morfologia em detalhes do fungo Graphium sp. A. estrutura reprodutiva observada na raiz de feijão (barr=1800μm), B. observação da massa de esporos de aspecto liquefeito (barr=257μm), C. 2 sinêmios (agrupamento de conidióforos) (barr=257μm), D. detalhe dos vários conidióforos longos, eretos e agrupados (barr=30μm), E. porção terminal do sinêmio (barr=90μm), F.células conidiogênicas e conídios localizados no conidióforo (barr=23μm), G. célula conidiogênica e conídio (barr= 5μm), H. conídios hialinos, ameroseptados e ovóides (barr=5μm).


O fungo Graphium sp. é caracterizado pela formação de sinêmio, um agrupamento de conidióforos longos e eretos (Fig. 1D). Possui sinêmio escuro e hifas septadas. Os conídios são hialinos, sem septo, unicelulares e de superfície lisa, sua forma varia de subgloboso à ovóides, (Fig. 1H), e juntos formam um aglomerado no ápice de cada sinêmio, (Fig. 1E).
Como estrutura de fixação pode observar o tecido estromático, massa de hifas, usadas na reprodução, (Fig. 1C).
Segundo Elles, (1976) o conidióforo do Graphium sp. mede 4 – 10m de comprimento por 1,2m de largura o conídio mede 2,5 – 6m de comprimento por 1 – 2m de largura e tamanho do sinêmio é de 1200m de comprimento por 70m de largura.
As colônias de Graphium sp. crescem moderadamente rápidas e apresentam um aspecto cotonoso e cor acinzentada (Doctor Fungus, 2010).


CARDOSO, C.O.N. MANUAL DE FITOPATOLOGIA vol.1, ed.2, Editora Agronômica Ceres LTDA. São Paulo 1978.

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ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DO FUNGO Cladosporium sp.

O fungo Cladosporium sp pode apresentar as formas anamórficas e teleomorficas. O anamorfo encontra-se classificado dentro do Reino Fungi, Grupo dos Fungos Mitósporicos, Subdivisão Hyphomycetes. A forma teleomorfica encontra-se classificada dentro do Reino Fungi, Divisão Ascomycota, a classe Dothideomycetes, sub-classe Dothideomycetidae, Ordem Capnodiales e a Família Davidiellaceae (INDEX FUNGORUM, 2010).
O gênero Cladosporium sp. possui exatas 735 espécies válidas na literatura, apresentando 73 variedades e 40 formae especiales (Index Fungorum, 2010). O Cladosporium sp possui 915 hospedeiras ocorrendo em vários países, como: Acacia decurrens (Malásia), Bauhinia variegata (Índia), Tabebuia sp. (Brasil), Citrus aurantifolia (México), Phoenix dactylifera (Califórnia) entre outras (SBML, 2010). São conhecidas 26 espécies de Cladosporium sp no Brasil (Cenargen, 2010).
O fungo Cladosporium sp. apresenta a seguinte morfologia: colônias efusas ou ocasionalmente puntiformes, possuem coloração muitas vezes olivácea podendo ser também acinzentadas à marrom escuro. A superfície desse fungo pode ter aparência de pelos ou flocosas. O micélio normalmente é imerso ou muitas vezes superficiais. Os estromas algumas vezes presentes apresentam setas e os hifopódes são ausentes. Os conidióforos são macronematosos ou semi–macronematosos e em alguns casos podendo ser micronematosos. Os conidióforos macronematosos normalmente são retos ou flexuosos (curvados), muitos não ramificados ou com ramificações restritas na região apical, formando um estipe ou uma cabeça de coloração marrom olivácea à marrom, podem ter superfície lisa ou verrugosa. As células conidiogênicas são poliblásticas usualmente integradas, terminais, intercalares, mais muitas vezes discretas, simpodiais e de formato cilíndrico, cicatrizadas, com proeminência na célula conidiogênicas. Os conídios podem ser produzidos em cadeias, sendo catenulados, podem ser muitas vezes solitários em algumas espécies, onde os conídios são mais largos e algumas vezes são ramificados em cadeia acropleurógena, são simples, cilíndricos, ovóides, doliformes, fusiformes, elipsóides, esféricos ou sub esféricos. Muitas vezes com distinto a protuberância em conseqüência do resíduo de secessão no final de cada conídio. Possuem coloração marrom olivácea escuro ou marrom, a superfície do conídio pode ser lisa, verrugosa ou equinulada com 0–3 septos ocasionalmente (Ellis, 1971).
O Cladosporium sp pode atacar toda a parte aérea da planta, mas a maior incidência ocorre nas folhas e no caule. Uma pesquisa avaliou que diferentes dosagens de Azadirachta sp. indica redução do Cladosporium sp. em sementes de tomateiro (Barbosa et al., 2009).
O Cladosporium sp. tem sido relatado como agente patogênico em frutos de pessegueiro (Prunnus persicae) provocando danos em pós-colheita (Martins et al., 2006); fazendo parte da microbiota das sementes de cagaiteira (Eugenia dysenterica) (Gomide et al., 1994); provocando verrugose em maracujazeiro (Passiflora edulis), sendo esta doença uma das mais importantes da cultura (Negreiros et al., 2004). Das doenças registradas no mundo existem 4786 registros de ocorrência de doenças em vários hospedeiros no mundo (Farr & Rosman, 2010).
Um experimento com o objetivo de avaliar os efeitos da temperatura de 20, 25 e 30°C na infecção de mudas de maracujazeiro, por Cladosporium sp. e na germinação de conídios de três isolados do fungo, constatou que houve um efeito significativo da temperatura sobre germinação dos conídios e infecção das mudas. No tratamento de 25°C foram observados os maiores percentuais de germinação e o maior número de lesões esporulantes. A incidência e a severidade foram menores na temperatura de 30 °C (Souza et al., 2009).
Foi feito um trabalho para avaliar a microflora fúngica de três cultivares de sementes de urucum, provenientes do município de Tomé-Açu, PA. Os tratamentos foram: sementes de três cultivares de urucum, com desinfestação superficial por hipoclorito de sódio 2 %, durante 5 minutos e sementes sem desinfestação. Após vários testes os gêneros de fungos detectados com maior freqüência nas três cultivares foram: Aspergillus sp., Calcarisporium sp., Cladosporium sp., entre outros. A conclusão da pesquisa foi que o tratamento com hipoclorito de sódio reduziu a percentagem de ocorrência dos fungos na três cultivares de urucum (Santos et al., 2008).
A colheita mecanizada pode influenciar a qualidade sanitária das sementes ao provocar danos mecânicos nestas. Um trabalho com o objetivo de avaliar a qualidade sanitária de sementes de milho colhidas por duas colhedoras operando em duas velocidades, com e sem desinfestação superficial avaliou a sanidade pelo método do papel de filtro com congelamento, com quatro repetições de 50 sementes, sendo detectados os fungos Aspergillus flavus, A. niger, A. ochraceus, Cladosporium sp., Fusarium verticilioides e Penicillium sp. Somente para o fungo Cladosporium sp. e Penicillium sp., houve interação siginificativa entre colhedora e velocidade, sendo todas as demais interações não significativas. A influência isolada dos fatores colhedora e velocidade foram variáveis para cada fungo; e sementes com desinfestação tiveram menores índices de contaminação (Gomes, 2008).

O trabalho foi realizado no Laboratório de Microbiologia do IF Goiano campus Urutaí.
O fungo Cladosporium sp., foi retirado da folha de Tabebuia sp., popularmente conhecida como unha-de-boi, coletada no campus do Instituto Federal Goiano, Urutaí, GO, e levada para análise no Laboratório de Microbiologia.
Primeiramente foi colocada a folha unha-de-boi no microscópio estereoscópico para observar e coletar com o estilete as estruturas fúngicas. Em seguida depositou-se fixador lactofenol cotton-blue (62,5 mL ácido lático, 2,6 mL ácido acético, 100 mL água e 100 mL glicerina), na lâmina (para visualização e conservação das estruturas do fungo), assim fez-se a retirada do fungo da folha, colocando-o na lâmina, para posteriormente cobri-la com a lamínula e realizar a vedação com esmalte.
Essa lâmina foi levada ao microscópio óptico para visualização das estruturas fúngicas.
Em seguida foram sendo identificadas as estruturas do fungo. As microfotografias foram tiradas no microscópio óptico. Os registros microfotográficos foram realizados utilizando a câmera digital Canon® modelo Power Shot A580.


Figura 1. Aspectos morfológicos do fungo Cladosporium sp. A. Conídio uniseptado e escuro (bar=2µm). B. Conidióforo com célula conidiogênica ampuliforme (bar=7µm). C e D. Conidiogênese enteroblástica (bar=9µm). E. Ramificação do conidióforo multiseptado e escuro (bar=35µm). F. Hifa (bar=32µm) escura e conglomerado de conídios (bar=6µm).


DESCRIÇÃO MICOLÓGICA:


Na folha de Tabebuia sp., foi encontrado o fungo Cladosporium sp., onde esse causou na face adaxial da folha lesões cloróticas, com margens pouco definidas, já na superfície inferior, correspondente a clorose, as manchas foram de formato e tamanho irregulares, com produção de massa de esporos de com verde oliva à marrom.
Foi possível observar no gênero encontrado conidióforo com células conidiogênica ampuliforme (Fig. 1 B), a conidiogênese enteroblástica foi visível (Fig. 1C e D), além de conidióforos multiseptados de coloração escura apresentando ramificações (Fig. 1E), hifas escura e conglomerado de conídios (Fig. 1D) e conídios uniseptado e escuro (Fig. 1F).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


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GOMIDE, C.C.C.; FONSECA, C.E.L.; NASSER, C.B.; CHARCHAR, M.J.D.; FARIAS NETO, A.L. Identificação e controle de fungos associados a sementes armazenadas de cagaita (Eugenia dysenterica DC.). Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasíilia, vol. 29, n.6, p.885-890, jun.1994.

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“ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DO FUNGO Plasmopara viticola”

Autor: Marco Antonio de Resende Moraes

O fungo Plasmopara viticola, sinônimo de Botrytis viticola, causador da doença Míldio, afeta, além de muitas espécies de Vitis, plantas como Ampelopsis heterophylla, A. brevipedunculata, Partenocissus quinquefolia e P. tricuspidata (Kimat e Galli, 1980).
São 194 o número de espécies do fungo Plasmopara viticola, 18 variedades e 23 formae especiales registradas na literatura para este gênero (Índex Fungorum, 2010). No Brasil o fungo Plamospara viticola ataca afeta principalmente os estados São Paulo, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, Ceará (Cernagen, 2010).
São 1300 gêneros de Plasmopara, 3 espécies de Plasmopara viticola, que são: Ampelopsis brevipendulata var. heterophylla, Ampelopsis sp, Ampelopsis brevipedunculata (Index fungorum, 2010).
Os sintomas do míldio iniciam-se por um encharcamento do mesofilo, formando o sintoma conhecido por “mancha de óleo”, uma mancha pálida, pequena, de bordos indefinidos, mais facilmente visíveis por transparência contra a luz. Em condições de alta umidade (acima de 95%), na face inferior da folha, sobre a mancha de óleo, observa-se uma eflorescência branca, densa, de aspecto cotonoso, constituídas pela frutificação do fungo Plasmopara viticola. Este sintoma é conhecido por “mancha branca” ou “mancha mofo”.
O fungo pertence à classe dos Ficomicetos. É parasita obrigatório e nos tecidos dos hospedeiros produz, através dos estômatos, esporangióforos ramificados, monopodialmente, que suportam esporângios ovalados característicos (Kimati e Galli, 1980).
Com o passar do tempo, a área infectada necrosa e as manchas tornam-se avermelhadas. As lesões necróticas são irregulares e podem coalescer, ocupando grande área do limbo foliar. Folhas severamente infectadas geralmente caem. Esta desfolha reduz o acumulo de açúcar nos frutos e enfraquecem a planta, comprometendo a produção do ano seguinte (Amorim e Kuniyuki, 2005).
Nas inflorescências infectadas ocorre o escurecimento da ráquis, podendo ainda haver esporulação do fungo, seguido pelo secamento e queda dos botões florais. Quando o fungo ataca as bagas mais desenvolvidas, estas são infectadas pelos pedicelos e o fungo se desenvolve no interior da baga, tornando-as escuras, duras, com superfícies deprimidas, provocando a queda das mesmas. Este sintoma nesta fase de desenvolvimento é denominado de "míldio larvado" ou "grão preto" (Sônego,1980).
Nos tecidos do hospedeiro, P. viticola cresce intercelularmente através de hifas cenocíticas (8-10 µm de diâmetro) emitindo haustórios globosos ao interior das celular parasitadas. Em frutos jovens, os esporangioforos emergem pelas lenticelas. A formação destas estruturas requer 95-100% de umidade relativa, pelo menos quatro horas de escuro, e ocorre preferencialmente no intervalo de temperatura de 18-22 ºC. Os esporangioforos destacam-se com facilidade dos esporangioforos e são disseminados pelo vento ou respingos de chuva. Cada esporângio da origem a 1 a 10 zoósporos (6-8 x 4-5 um) biflagelados. Esta estrutura na presença de água movimenta-se na superfície do hospedeiro e encistam próximo ao estômato. Logo após encistar, o fungo P. viticola emite um tubo germinativo que penetra no hospedeiro. Zoospóros são preferencialmente unicelulares e fusões protoplasmáticas de hifas oriundas de diferentes zoósporos podem ocorrer dentro dos tecidos parasitados, dando origem a micélio heterocariotico (Amorim e Kuniyuki, 2005).
O agente causal do míldio da videira pertence ao reino: Chromista, divisão: Oomycota, classe: Oomycetes, sub. Classe: Peronosporomycetidae, ordem: Peronosporales, família: Peronosporaceae.
Classe Oomycetes: esse grupo peculiar de fungos, salvo raras exceções, não apresenta quitina na sua parede celular e, sim, celulose. Glucanas são os principais componentes da sua parede celular. Os oomycetes são caracterizados através da sua reprodução assexual, pela formação de zoósporos biflagelados, tendo um flagelo do tipo chicote e outro do tipo tinsel. Os oósporos são formados dentro ou a partir de esporângios, que variam de forma conforme os gêneros e espécies de fungos envolvidos. O talo dos oomycetes é micelial, bem desenvolvido, diplóide, com hifas asseptadas, a reprodução sexual é caracterizada pela formação de oósporos, esporo de repouso diplóide, de parede espessa, originário de fecundação do oogônio (gametângio feminino) pelo anterídio (gametângio masculino) (Krugner e Bacchi, 1995). Família Peronosporaceae: contém um total de 7 gêneros abrangendo cerca de 600 espécies. Esta família inclui espécies que produzem bolor e mofo azul. A família contém patógenos de plantas necessário. Parasitismo é realizado através da utilização de haustórios, que são estruturas especializadas que são capazes de penetrar nos tecidos do hospedeiro. Em geral, as plantas parasitas são dicotiledôneas. O Peronosporaceae ter alguma importância econômica, uma vez que incluem espécies que têm sexo micorrízicos plantas parasitas utilizados em culturas agrícolas. Alguns exemplos destes tipos de protistas são: Plasmopara viticola , Peronospora tabacina e Bremia lactucae que produzem doenças em uvas , rapé e alface, respectivamente (Alexopolous et al.2010).
A reprodução assexual ocorre através dos estômatos, com a emissão de esporangióforos (140-250 µm de comprimento), ramificados monopodialmente, que produzem esporângio ( 14 x 11 µm), ovalados e hialinos. Cada esporângio da origem a 1 a 10 zoósporos (6-8 x 4-5 µm), biflagelados. A fase sexuada do agente causal ocorre dentro dos tecidos do hospedeiro, principalmente nas folhas. Com a decomposição dos tecidos do hospedeiro, os oósporos são liberados durante o inverno. A disseminação ocorre por ocorre por respingos de chuva e pelo vento. A fase sexuada é a principal forma de sobrevivência do fungo nos países temperados, embora no Brasil, a sobrevivência possa se dar por micélio no interior dos tecidos vivos. O fungo pode completar seu ciclo em apenas 4 dias (Amorim e Kuniyuki, 2005).
O objetivo deste trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos do fungo Plasmopara viticola.

O trabalho foi realizado no Laboratório de Microbiologia do IFGoiano campus Urutaí, GO.
O fungo foi retirado da folha de uva coletada na região de Ipameri e Urutaí – GO,. Analisou-se sintomas nas respectivas folhas, foi preparado lâminas semi-permanentes pelo método de pescagem utilizando microscópio estereoscópio, usando azul algodão como corante (composição : ácido acético, ácido lático, glicerina e água destilada, composição do corante: água destilada e etanol), Na lâmina com adição fixador lactofenol cooton-blue (62,5 mL ácido lático, 2,6 mL ácido acético, 100 mL água e 100 mL glicerina), depositou-se fragmentos de estruturas fúngicas para conservação das estruturas do fungo, em seguida coberta com lamínula e vedada com esmalte.
Essa lâmina foi levada ao microscópio ótico para visualização das estruturas fúngicas, observado como características a formação de esporangióforos e esporângios nas extremidades, sendo considerado um falso fungo, microfotografado foram tiradas no microscópio estereoscópico e ótico. Os registros micro e macrofotográficos foram realizados utilizando câmera digital Canon® modelo Power Shot A580.
Figura 1: Míldio de videira(plasmopara viticula) incidente em uva(Vitis vinícola) A. esporangio: (bar = 1 µm), B: esporangióforo: (bar = 28 µm), C: esporângio ligado ao esporangioforo, D: esporângio, esporangioforo: (bar = 4 µm), E: trios, F: frutificação de Plasmopara viticola na parte inferior da folha, G: mancha de "óleo" de míldio

Descrição Micológica
O fungo Plasmospora viticola possui ascas em lóculos. Os ascósporo são hialinos, tri-septados, de dimensão aproximada de 15,5 x 1,25 µm. Os lóculos são desprovidos de ostíolo e, portanto, os ascósporos são liberados pela desintegração do estroma. Na sua fase imperfeita forma conídios unicelulares, hialinos, oblongos a ovóides, de 2,5 x 5,5 µm de dimensão, em acérvulos, sobre uma base estromática. Os conídios são produzidos na fase de crescimento vegetativo da videira, sob condições não foi observada a fase perfeita. O fungo sobrevive de um ano para outro nas lesões dos sarmentos e gavinhas, bem como nos restos de cultura no solo, onde, no inicio da estação produz conídios e mais raramente, ascósporos.


LITERATURA CITADA

AMORIM, L. E KUNIYUKI, H. Doenças de videiras In: kimati,H.; Amorim, L.; Rezende, J. A. M.; Bergamin Filho, A.; Camargo, L. E. A.; Manual de Fitopatologia, doenças das plantas cultivadas.Ed. Ceres, São Paulo-SP. 2ª Ed. 2005.

KRUGER, T. L. & BACHI, L. M. A. Fungos In: Bergamin Filho, A.; Kimati, H. ; Amorim,L. , Manual de Fitopatologia. Volume I: Princípios e conceitos. Terceira edição. Editora agronômica Ceres Ltda,1995.São Paulo-SP.

KIMAT, H.; GALLI, F. Doenças de videiras. In: Galli F., Carvalho T.C.P., Tokerhi H., Balmer E., Kimat H., Cardoso N.O.C., Salgado L.C., Krungner L.T., Cardoso N.B.J.E., Bergaminho Filho A., Manual de Fitopatologia, Doenças de plantas cultivadas. Ed. Agronômica Ceres LTDA, Sao Paulo-SP. Volume II. 1980.
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Farr, D.F., & Rossman, A.Y. Fungal Databases, Systematic Mycology and Microbiology Laboratory, Disponível em:http://nt.ars-grin.gov/fungaldatabases/ acessado em 29 de junho de 2010.




“ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DO FUNGO Oidium caesalpiniacearum.”

Autor: Flávio Henrique da Silva

No Brasil, o único hospedeiro de ocorrência registrada de
Oidium caesalpiniacearum é a Bauhinia forficata, popularmente conhecida como pata de vaca ou unha-de-boi (Mendes e Urben, 2010). O gênero Bauhinia, pertencente à família Fabaceae, subfamília Caesalpinioideae, abriga mais de 200 espécies conhecidas, sendo que na grande maioria são encontradas originalmente no continente asiático, mas pode-se verificar a presença de algumas espécies originárias de outras regiões, como no caso da Mata Atlântica, no Brasil, onde podemos encontrar as espécies B. forficata e B. longifólia (Rosa, et al., 2008).

A forma anamórfica deste fungo pertencente ao gênero Oidium sp. e/ou espécie O. caesalpiniacearum, faz parte do Reino Fungi e grupo dos Fungos mitospóricos, hifomicetes. Seu teleomorfo pertence na divisão Ascomycota, da classe Leotiomycetes na subclasse Leotimycetidae, e por fim pertencente à família Erysphaceae. (Index Fungorum, 2010).

Oidium sp. é um parasita biotrífico, pois é encontrado na natureza somente parasitando tecidos vivos, nunca tecidos em decomposição. Possui a fase anamórfica (assexuada). Este tipo de reprodução ocorre através da esporulação que consiste na emissão de estruturas reprodutivas (conidióforos) para produção de conídios. Este fenômeno é essencial para a reprodução assexuada de fungos multicelulares. A esporulação implica a existência de estruturas especializadas formadas por hifas verticais, separadas por septos do restante micélio. O processo de propagação vegetativa se define por fragmentação somática, onde cada fragmento se desenvolve em um novo indivíduo. A hifa (menor unidade do micélio) se quebra em seus componentes celulares, devido a isso a doença causada por esse patógeno é denominada de oídio (Grego: oidio = pequeno ovo). (Kar e Das, 1998).

O surgimento do fungo fica mais propício em um ambiente onde há elevada temperatura e umidade. Produz importantes doenças em plantas cultivadas, trazendo ou não sérias conseqüências, como a morte da planta hospedeira. Esse patógeno coloniza ambas as faces das folhas da planta, forma inicialmente áreas esbranquiçadas irregulares e posteriormente, ao recobrir toda a superfície, ocasiona um aspecto branco e pulverulento às folhas. Essa infestação provoca a desfolha das plantas, como conseqüente redução na produção (Kimati. et al., 1978). Assim o patógeno causa o estrangulamento e deformação dos limbos mais novos e morte dos rebentos foliares.

Exatas 482 espécies de Oidium sp. são descritas e válidas em literatura (Index Fungorum, 2010). Sendo que quatro espécies de Oidium sp. hospeda-se em nove espécie de Bauhinia, ocorrendo em vários países, como: Bauhinia galpinii (África sul), Bauhinia purpurea (Índia), entre outras (Farr, e Rossman, 2010). No banco de dados brasileiro são conhecidas 31 espécies de Oidium descritas em plantas hospedeiras, contudo em pata-de-vaca (Bauhinia forficata) só foi registrado a ocorrência de O. caesalpiniacearum (Mendes e Urben, 2010).

Em humanos, alguns tipos de Oidium sp. podem causar malefícios a saúde, como é o caso do Oidium albicans que instala-se no tecido pulmonar, causando monilíase pulmonar, que se manifesta com tosse, emissão de líquido purulento misturado com sangue, febre e depauperamento orgânico. O mesmo fungo quando se instala na mucosa oral, provoca monilíase oral ou sapinho (Saudeakira, 2010). Todavia o patógeno O. caesalpiniacearum encontra-se especialização fisiológica apenas para a planta unha de boi.

Até o presente não há informações disponíveis sobre quaisquer efeitos tóxicos, industriais ou farmacêuticos do Oidium caesalpiniacearum.

O objetivo deste trabalho é apresentar uma descrição micológica de Oidium caesalpiniacearum incidente em folhas de unha-de-boi.

Amostras de folhas de unha de boi (Bauhinia sp. foram analisadas no Laboratório de IFGoiano campus Urutaí-Go.

O isolado fúngico foi observado parasitando folhas da planta unha-de-boi que estava presente em viveiro de mudas do Instituto Federal Goiano campus Urutaí.

Sob microscópio estereoscópico processou-se a amostra.

Retirou-se estruturas fúngicas da folha, e depositou-se numa gota de corante azul-de-algodão (ácido acético, ácido lático, glicerina e água) numa lamina de microscópio e logo após depositou-se uma lamínula. A amostra preparada para visualização em microscópio composto foi selada com esmalte ao redor para preservação e identificação das estruturas fúngicas.

Utilizando literatura especializada o fungo identificado a nível de gênero.

Registros micro e macrofotográficos foram realizados em microscópio ótico utilizando a câmera digital Canonr modelo Power Shot A580.


Figura 1 – Oidium caesalpiniacearum em Bauhinia unguiculata. A. Folha apresentando sintomas de Oidium, B. Aspecto do micélio esbranquiçado na superfície foliar, C. Conidióforo e célula pé ampuliforme (bar = 10µm) (c), D. Conidióforo e conídio em início de processo de sucessão (bar = 13µm), E. Apressório (seta) (bar = 13µm), F. Conídio (bar = 16 µm).


Descrição micológica

Observou-se na folha de Bauhinia unguiculata aspecto do micélio esbranquiçado de Oidium caesalpiniacearum, apresentou conidióforo (Fig. 1CD) solitário, e célula-pé ampuliforme com base larga(c), que é raramente encontrada, além da presença de apressórios (Fig. 1E, seta), conídios hialinos e conídios em forma de ovóide, ameroseptados (Fig. 1F).

O fungo Oidium caesalpiniacearum apresenta hifa hialina, ramosa, 2,5-8 μm, o apressório não é tipicamente lobado, conidióforo simples, oriundo de hifa estéril, apresenta em sua base um espessamento ampuliforme, é reto e apresenta dimensões de 30-55 x 5,5-8 μm. Os conídios são solitários, elipsóides, cilíndricos, ovóides e apresenta as dimensões de 24-43 x 11-20 μm. (Index Fungorum, 2010). Foi registrado incidindo sobre espécies de Bauhinia unguiculata.

As novas espécies são bem caracterizadas por apresentar infecções hipófilas, causam descoloração foliar alaranjada ou marrom escura. O apressórios é ligeiramente lobado. Oidium Bauhinia recentemente descrito na África do Sul, é claramente distinguível por possuir apressório multilobado e de distinta aparência infectiva (Index Fungorum, 2010).


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