segunda-feira, 4 de julho de 2011

MELHORAMENTO EM RECURSOS GENÉTICOS DE ABÓBORA


Danilo Marçal Gonçalves de Paula



1. INTRODUÇÃO

No Brasil, as espécies olerícolas plantadas por meio de sementes ocupam uma área de em torno de 500 a 550 mil hectares. As cucurbitáceas compõem a segunda maior família de importância econômica, com destaque para as abóboras (Cucurbita moschata) cujo volume comercializado no ano de 2008, foi de 90.606 toneladas (Talamini & Ramos, 2011).
Esta hortaliça é utilizada tradicionalmente na alimentação da população, especialmente a nordestina. Grande parte da produção do país vem da região Nordeste, que é proveniente do plantio de pequenos e médios produtores. No Estado de Sergipe são plantadas as variedades denominadas tradicionais. A produção abastece o mercado interno e os frutos são também comercializados de forma intensiva para outros Estados do Brasil (Talamini & Ramos, 2011).
As Cucurbitáceas representam 23% do volume de hortaliças comercializadas no Brasil. Além do grande valor econômico e alimentar, o cultivo de Cucurbitáceas no Brasil, em especial as abóboras, têm grande importância social na geração de empregos diretos e indiretos, pois demanda grande quantidade de mão-de-obra, desde o cultivo até a comercialização. A pesquisa de orçamento familiar realizada pelo IBGE (2004) concluiu que o consumo per capita de abóbora aumentou de 1,4 Kg para 4,6 Kg, no Brasil, entre os anos de 2002 e 2003. Incluem várias espécies que se destacam como economicamente expressivas no abastecimento de hortaliças no mercado nacional. Muitos desses materiais ainda são tipos crioulos, popularmente conhecidos como abóboras e morangas ou simplesmente jerimum e são mantidos nas propriedades rurais pelos próprios produtores (Lopes & Sobrinho, 1998).
O Brasil importa boa parte das sementes utilizadas no mercado, sementes de dezoito cultivares de abóboras foram importadas entre 1981 e 1985. As abóboras japonesas e as abobrinhas americanas merecem destaque especial. O híbrido Tetsukabuto, importado do Japão representa 83% das importações. Os altos rendimentos e a maior uniformidade dos híbridos aliados a um maior nível de resistência a pragas e doenças têm favorecido a introdução destes materiais no mercado nacional com isso tornando-os populares, mas a utilização de sementes importadas de estreita base genética pelos produtores poderia comprometer essa variabilidade existente (Lopes & Sobrinho, 1998).
Conforme a variedade, a abóbora apresenta tamanho e formato diferente, mas sua forma mais comum é a redonda, um pouco achatada na parte de baixo. É consumida como doces, compotas ou também como acompanhamento nos pratos brasileiros. Na área nutricional, destacam-se pelo alto teor de caroteno, vitaminas e sais minerais (Portal São Francisco, 2011).
Existem dentro da família da abóbora várias espécies, as principais são: Menina Brasileira ou abóbora de pescoço, Paulista, Brasileirinha, Italiana, Japonesa ou Cabotiá, Abóbora do campo, Espaguete. Existem cerca de 760 espécies de abóbora (Portal São Francisco, 2011).
Em maio de 2007 foi estabelecido um Banco Ativo de Germoplasma de Aboboras e Morangas, motivo deste trabalho, com mais de 4.000 acessos. Este acervo foi conseguido a partir de varias expedições de coleta, de muitas introduções obtidas de outros bancos e de uma pequena quantidade obtida através de intercambio e introdução de outros países. Trabalhos vêm sendo realizados no sentido de avaliar, caracterizar, multiplicar e conservar esse riquíssimo acervo genético atualmente disponível na Embrapa (Boiteux, et. al., 2010).
O objetivo deste trabalho foi fazer uma revisão de literatura a respeito do melhoramento genético da cultura da abóbora.

2. DESENVOLVIMENTO

As abóboras são classificadas na divisão Magnoliophyta, classe Magnoliopsida (dicotiledôneas), subclasse Dilleniidae, ordem Violales, família Cucurbitaceae (Silva, 2010).
A planta é herbácea, e de caule rastejante e duro em sua maioria, com gavinhas, suas raízes são adventícias, o que auxilia na fixação da planta. O hábito de crescimento é indeterminado, podendo as ramas atingir 6 metros. Possuem folhas grandes, alternas, simples, freqüentemente lobadas, sem estípulas, de coloração verde-escura, com manchas de coloração clara, recorte geralmente superficial, às vezes intermediário, ápice agudo, com pecíolos longos, algumas folhas apresentam manchas prateadas na interseção das nervuras, exceto para os híbridos interespecíficos. O fruto é uma baga, com epicarpo rígido, mesocarpo carnoso e placenta muito desenvolvida, apresentam formatos e tamanhos variados. No ponto de inserção no fruto, o pedúnculo é de seção pentagonal, formando cinco lóbulos formados por uma cortiça dura, amplamente expandido na junção com o fruto e estreito da porção mediana em diante (Silva, 2010).
A abóbora é uma planta monóica, isto é, que carrega na mesma planta flores macho e flores fêmea em lugares diferentes, pode se autofecundar: uma flor fêmea pode ser fertilizada por pólen que vem de uma flor macho da mesma planta. Entretanto, as fecundações cruzadas predominantes são: a flor fêmea é fertilizada por pólen que vem de diferentes plantas da mesma variedade ou de outra variedade. As flores macho são facilmente reconhecidas, pois elas aparecem acima da folhagem no final de longos caules. As flores fêmeas são facilmente reconhecidas também, porque em sua base se encontra o futuro fruto, na verdade o ovário, já possuindo uma forma bem definida. O tamanho desse ovário pode ser conseqüente: assim, ele atinge às vezes 15 cm de comprimento na variedade Tromba d’Albenga. Por se tratar de uma espécie alógama, deve haver grande variabilidade genética (Portal São Francisco, 2011).
O modo de maior uso para o melhoramento genético de abóbora e a polinização controlada, manipulando as flores do modo que você deseja. Observação: As flores abrem de madrugada e fecham na metade da manhã, por isso é preciso fazer a polinização de manhã bem cedo, deve também evitar visitas de abelhas, fazer o isolamento temporal e espacial, colher as flores masculinas que você não deseja utilizar, transferir pólen da flor masculina para a flor feminina, identificar após alguns dias se a polinização foi efetuada, através da observação do inicio do crescimento do ovário (Ferreira, 2011).
Numa planta de abóbora, as flores macho aparecem muito antes das flores fêmeas e elas são bem mais numerosas que essas últimas. Pode-se notar também que durante os períodos de temperatura muito alta, as flores macho são predominantes. É essencial tomar consciência que as polinizações cruzadas só podem se manifestar no seio da mesma espécie. Não há fecundações cruzadas e hibridações naturais possíveis entre as diferentes espécies de Cucurbita se não é uma probabilidade muito reduzida implicando Cucurbita argyrosperma (Portal São Francisco, 2011).
O maior grau de compatibilidade se manifesta com Cucurbita moschata. Um grau menor de compatibilidade se manifesta com variedades e populações selvagens de Cucurbita pepo, assim como algumas variedades de Cucurbita maxima e de formas de Cucurbita foetidissima. Um grau ainda menor de compatibilidade se manifesta com as espécies selvagens tais como Cucurbita lundelliana, Cucurbita martinezzi, Cucurbita pedatifolia e Cucurbita digitata. As hibridações são antes de tudo entre variedades (no seio de cada espécie) e não há hibridações entre Cucurbita pepo, Cucurbita maxima, Cucurbita moschata e Cucurbita ficifolia. A única espécie que pode se hibridar com as três primeiras dessas quatro espécies é a Cucurbita argyrosperma. Deve-se destacar que, entretanto, a espécie Cucurbita argyrosperma é pouco conhecida e pouco cultivada em zonas temperadas (Portal São Francisco, 2011).
É importante entender que a hibridação acontece no verdadeiro fruto que é a semente. O que nós comemos é a carne do falso fruto que é na verdade um alargamento do ovário. Os óvulos foram fecundados por pólen transmitido da flor macho a flor fêmea. Cada óvulo fecundado se torna uma semente. Quando o óvulo de uma variedade é fecundado por pólen vindo de outra variedade (da mesma espécie), ele gera uma semente cujas potencialidades são muito diferentes (Portal São Francisco, 2011).
Os principais estudos e pesquisas com o melhoramento de abóbora e feito pela: Embrapa hortaliças, Embrapa Semi-Árido, Embrapa Clima Temperado. Os híbridos que foram elaborados através de técnicas de cruzamento feitos por essas unidades, visando atender a exigências e resolver problemas foram: C. ficifolia, C. ecuadorensis, C. foetidissima, C. pedatifolia, apresentam resistência a viroses. C. lundeliana, C. ecuadorensis, C. okeechobeemsis, demonstra grande resistência ao oídio. Algumas espécies silvestres: Ricas em cucurbitacina(protetores das plantas contra ataque de insetos). C.foetidissima, C. cordata, C. digitata, C. palmata: Sementes ricas em óleo e proteínas e raízes em amido (Ferreira, 2009).
As características a serem notadas para a escolha das abóboras a serem cruzadas são: prolificidade, precocidade, cor casca, cor da polpa, tamanho e formato frutos, peso e número frutos, teor de açúcar, hábito de crescimento, cor das sementes, espessura da polpa, diâmetro transversal, diâmetro longitudinal (Ferreira, 2009).
O melhoramento feitos com abóboras tem vários objetivos, que são: Resistência a doenças: Oídio, Míldio, Micosferela, Mancha Aquosa, Virus: WMV, PRSV-w, ZYMV. Resistência a insetos- praga: Pulgão, Tripes, Mosca Branca, Larva Minadora, Broca das Curcubitáceas. Quanto a substancias: Betacarotena/Licopeno: São Anti-oxidantes, Cucurbitacina: Inseticida, Citrulina: Anti-oxidante, Anti-cancerígeno, laxante (Ferreira, 2009).
Muitas espécies de cucurbitáceas apresentam genes descritos, existindo extensas listas de genes. No entanto, uma ampla diversidade fenotípica permanece ainda sem a devida caracterização genética. As curcubitáceas seguem o típico padrão diplóide de segregação, o que facilita o estabelecimento de experimentos e a interpretação dos resultados de ensaios de genética clássica bem como na localização mais precisa de marcadores em mapas moleculares (Boiteux, et. al., 2010).
A análise genômica é feita através da organização de germoplasma e obtenção de estimativas de relações genéticas entre espécies e entre acessos de espécies tais como em C. moschata; C. pepo. Determinação de pureza genética de cultivares ou híbridos e identificação de marcadores moleculares associados com genes de resistência a doenças, construção de mapas genéticos para uso em sistemas de seleção assistida visando monitorar a incorporação de características qualitativas e quantitativas de interesse. O uso de isolamento de genes de interesse e a produção de variedades transgênicas já são uma realidade neste grupo de hortaliças (Boiteux, et. al., 2010).
A autofecundação é o modo mais utilizado para obtenção de novas linhagens e cultivares de curcubitáceas. Entretanto, a autofecundação aumenta a homozigose média das plantas e pode acarretar um efeito conhecido como “depressão endogâmica” em espécies alógamas. As cucurbitáceas, sendo alógamas, são exemplos de um grupo de espécies em que diversos autores não têm observado perda de vigor pela endogamia. Por esse motivo, a autofecundação tem sido utilizada para obtenção de linhagens em programas visando o desenvolvimento de híbridos F1 (Silva, 2010).
Apesar de vários autores adotarem a hipótese de reduzida depressão por endogamia em cucurbitáceas, alguns resultados de pesquisa mostram depressão causada por endogamia para várias características em C. pepo e C. maxima. No entanto, existem relatos de diversos autores comprovando que há possibilidade de se obter linhagens tão boas quanto híbridos com uma baixa depressão por endogamia (Silva, 2010).
A principal técnica utilizada no Brasil de melhoramento genético de abóbora é a seleção massal, utilizando após a análise biométrica de linhagens, resultam em bons ganhos no isolamento das características desejáveis, a técnica de seleção massal é baseada no fenótipo, não ocorre teste de progênie, forma caracteres de alta herdabilidade, nos campos de sementes ocorre a seleção truncada ou massal negativa e a manutenção da pureza variental. Utiliza-se a população original, obtém os indivíduos selecionados, no final se consegue a população melhorada (Scielo, 2006).

3. CONCLUSÕES


A abóbora é de suma importância em nosso país, pois está tradicionalmente na alimentação da população. No Brasil, foram iniciados os trabalhos de melhoramento do gênero Cucurbita em 1942, pela Seção de Olericultura do Instituto Agronômico de Campinas, São Paulo.
Esta hortaliça é cultivada em quase todas as regiões, é uma hortaliça rústica que produz bem sem a utilização de muitos insumos e tratos culturais.
O melhoramento genético da abóbora no Brasil tem como objetivo encontrar cultivares com características que resolvam problemas e aumentem potenciais, vem sendo basicamente para desenvolver cultivares resistentes a doenças, insetos- praga, aumentar teores de substâncias que tem caráter importante para a agricultura, pecuária e culinária: Anti-oxidantes, Cucurbitacina: Inseticida, Citrulina: Anti-oxidante, Anti-cancerígeno, laxante (Ferreira, 2009).

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOITEUX, L. S.; TORRES, A. C.; FONSECA, M. E. de N. Embrapa Hortaliças. Estratégias de análise genômica e biotecnologia empregadas em programas de melhoramento e na caracterização de recursos genéticos de cucurbitáceas. Disponível em:Acessado em abril de 2011.
FERREIRA, M. A. J. da F. Embrapa Semi-Árido. Recursos Genéticos Pré-melhoramento de Hortaliças. Disponível em:. Acessado em abril de 2011.
LOPES, J. F.; SOBRINHO, M. A. J. Embrapa Hortaliças. Coleta de germoplasma de abóboras e morangas. Disponível em: . Acessado em abril de 2011.
PORTAL SÃO FRANCISCO. Abóbora. Disponível em: . Acessado em abril de 2011.
SILVA, T. B. da S. Dissertação. Seleção, comportamento fenótipo e genótipo e desenvolvimento de uma nova cultivar de abóbora, (Cucurbita moschata Dusch). Disponível em:. Acessado em abril de 2011.
TALAMINI, V.; RAMOS, S. R. R. Agron. Disponível em: . Acessado em abril de 2011.
BEZERRA N, F; LEAL N, R. Scielo. Resumo. Análise biométrica de linhagens de abóbora. Disponível em: . Acessado em junho de 2011

domingo, 3 de julho de 2011



Cladosporiose ou verrugose (Cladosporium herbarum) incidente no caule, folha e fruto de maracujá (Passiflora edulis).

Patrícia Vaz

Acadêmica do curso de Agronomia

INTRODUÇÃO

O maracujazeiro é uma planta tropical pertencente ao gênero Passiflora sp., cujas espécies cultivadas são, principalmente, Passiflora edulis f.sp. flavicarpa DEg (maracujá amarelo) e P. alata Curtis (maracujá doce). O Brasil é o maior produtor mundial, com uma área estimada em 35.637 hectares no ano de 1999. As regiões Nordeste e Sudeste são as maiores produtoras, com áreas estimadas em aproximadamente 18.000 e 9.000 ha, respectivamente. Todo o maracujá produzido no Brasil tem sido destinado à produção de suco e à comercialização de frutas frescas. A cultura do maracujazeiro é afetada por problemas fitossanitários, incluindo doenças que chegam a causar sérios prejuízos e até mesmo inviabilizar economicamente a cultura em algumas áreas (Kimati, et al., 2005).

Além do fungo Cladosporium herbarum (Pers.) Link, que causa a verrugose no maracujazeiro, outras doenças atacam essa cultura como: Endurecimento dos Frutos (Passion fruit woodiness virus-PWV), Mancha bacteriana (Xanthomonas campestris pv. Passiflorae (Pereira) Dye), Podridão do colo (Nectria haematococca Berk. & B (Fusarium solani (Mart.) Sacc)), Podridão do pé ( Phytophthora nicotiana var. parasítica (Dastur) e P. cinnamomi Rands), Antracnose (Glomerella cingulata (anamorfo Colletotrichum gloeosporioides (Penz)), Septoriose (Septoria passiflorae Sydow), Mancha de alternaria (Alternaria passiflorae Simmonds e A. alternata (Fr.) Kiessler) entre outras e serve como hospedeiras para outros fungos como: Alternaria alternata (Fr.) Keissl, Alternaria passiflorae J.H. Simmonds, Alternaria sp. Nees, Cladosporium maracuja Viégas, Colletotrichum coccodes (Wallr.) S. Hughes, Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc, Curvularia eragrostidis (Henn.) J.A. Mey, Dictyothyrium hieronymi (Rehm) Bat, Fusarium equiseti (Corda) Sacc, Fusarium oxysporum f.sp. passiflorae W.L.Gordon ( Cenargem 1, 2011).

Existem cerca de 500 espécies encontradas na natureza, pertencentes ao gênero Cladosporium sp., ao qual possui o posicionamento taxonômico da seguinte forma: pertence ao reino Fungi, ao grupo de fungos Mitospóricos, sub grupo Hifomiceto. E na fase teleomórfica possui a seguinte posição taxonômica: reino Fungi, divisão Ascomycota, classe Dothideomycetes, subclasse Dothideomycetidae, ordem Capnodiales e família Davidiellaceae (Index Fungorun, 2011).

A cultura do maracujá tem varias incidências de fungo pelo mundo como: Alternaria aliena na Austrália (Simmons, 1993), Alternaria alternata no Brazil (Mendes, 1998), Alternaria aragakii no Hawaii (Simmons, 1993), Aspergillus restrictus em New Caledonia (Huguenin, 1966), Pythium middletonii na Malaysia (Liu, 1977), Pseudomonas passiflorae no South Africa (Gorter,1977), Glomerella phomoides em Fiji (Firman,1972), Phomopsis tersa na China (Zhuang,2001), Puccinia scleriae no Brazil e em outros países (Mendes,1998).

Este fungo é responsável ​​por suscitar típicas reações de hipersensibilidade mediada por IgE (anticorpos), que variam de rinite e sintomas oculares de comprometimento grave do trato respiratório inferior, e causar um estado clínico crítico, bem como importância terapêutica, (Rid, et al,2011).

Espécies de Cladosporium sp. são comuns e difundidos, e interagem com os humanos em todas as fases da vida como na produção de alérgenos no ambiente interno. E responsável por causar a deterioração de frutas e causar doenças de plantas, ou estar associada com micoses humanas (Crous, et al, 2011).

Aprevalência da reatividade IgE a C.herbarum em pacientes que sofrem de alergia varia entre 5% e 30% nas diferentes zonas climáticas. Como a alergia ao mofo tem sido frequentemente associados à asma grave, juntamente com outros sintomas alérgicos, é importante definir de forma mais abrangente o repertório alérgeno (Rid , et al,2011) .

Eles são muito comuns e são encontrados nos pântanos, nas florestas e nos jardins à medida que crescem tendem a ficar em plantas em decomposição ou em folhas. Além disso, é possível encontrá-los em estufas, em geladeiras mal limpas e produtos alimentícios. Também crescem sobre os têxteis, como roupas. Cladosporium herbarum é o fungo mais comum em materiais vegetais mortos e é distribuída em todo o mundo. O micélio cresce lentamente, e devido a inclusões de melanina o fungo possui a cor de verde oliva a marrom, ou negro aveludado. A liberação de esporos é de preferência a temperaturas crescentes. Os esporos são facilmente disseminados pelo vento e correntes de ar, e eles podem resistir à seca e a longas distâncias, mesmo através de oceanos e desertos são transportados (Cladosporium herbarum, 2011).

O objetivo do trabalho é identificar, descrever e apontar a sintomatologia, etiologia, epidemiologia e controle C. hebarum incidente em folhas de maracujá.


MATERIAIS E MÉTODOS

O trabalho foi realizado no Laboratório de Microbiologia do IFGoiano- Campus Urutaí-GO, e o material coletado para descrição da doença foi na fazenda Santo Inácio a 16 Km do município de Orizona.

Utilizou-se microscópio estereoscópio para preparo de laminas semipermanente. Utilizou-se fixadorlactofenol cotton-blue [2,6 de ml ácido acético; 62,5 ml de ácido lático; 100 de ml glicerina; 100 ml de água destilada; 1g de corante, 10 ml de água; etanol 70%], para preparo de lâminas.

Realizou-se registros macro e microscópicos dos sintomas e sinais.

O isolamento de tecido sintomático foi aplicado realizando inicialmente desinfestação superficial com álcool 50% durante 3 minutos seguidos de hipoclorito de sódio [0,3%] durante três minutos e por fim lavagem triplamente seriada em água destilada. Os fragmentos foram depositados em placa de Petri contendo meio de cultura ágar água (AA), permanecendo sobre incubação por um período de 48 horas. Em seguida purificou os isolamentos repicando o micélio para meio de cultura batata-dextrose-ágar (BDA).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Hospedeiro/cultura: Maracujá (Passiflora edulis Sims).

Família Botânica: Passifloraceae

Doença: Cladosporiose ou verrugose

Agente Causal: Cladosporium herbarum (Pers.) Link

Local de Coleta: Fazenda Santo Inácio

Data de Coleta: 14/03/11

Taxonomia: Pertence ao reino Fungi, ao grupo de fungos Mitospóricos, subgrupo Hifomiceto. E na fase teleomórfica pertence ao reino Fungi, divisão Ascomycota, classe Dothideomycetes, subclasse Dothideomycetidae, ordem Capnodiales e família Davidiellaceae (Index Fungorun, 2011).

Sintomatologia: Nas folhas, surgem pequenas manchas circulares, inicialmente translúcidas e posteriormente necróticas, causando uma lesão aquosa ou anasarca, com o centro verde-acinzentado correspondendo à frutificação do fungo. Quando as lesões localizam-se próximas ou sobre as nervuras, pode haver deformação ou encarquilhamento. Em alguns casos, o rompimento do tecido no centro da mancha causa perfuração na folha. Manchas semelhantes às das folhas podem ocorrer nas sépalas de botões ou de flores abertas. Os ramos e ponteiros apresentam, inicialmente, lesões semelhantes às das folhas, que se transformam em cancros de aspecto alongado, deprimido, onde ocorrem as frutificações do patógeno, adquirindo coloração cinza- oliva. A ação do vento pode causar a quebra dos ramos no local dessas lesões. Nos frutos, ocorre o aparecimento de lesões circulares levemente deprimidas, que crescem e se tornam corticosas, salientes e de coloração pardacenta na casca dos frutos, não atingindo as partes internas e, portanto, não afetando a qualidade do suco (Kimati et al., 2005)

Etiologia (Sinais):

O fungo C. herbarum possui colônia profusa, aveludada, na coloração verde-oliva ou marrom-olivácea. Os conidióforos são retos ou flexuosos, geniculados e sempre nodosos, claros a marrom-oliváceos, lisos, com cerca de 250 µm de comprimento e 3 a 6 µm de largura. Os conídios são razoavelmente grandes, sempre em longas cadeias ramificadas, forma variando de elipsoidal a oblonga, arredondada em duma das extremidades, de coloração clara a marrom-olivácea, uni ou binucleados com 5 -23 x 3-8 (principalmente 8-15 x 4-6) µm com 0-1 septos. A superfície do conídio apresenta pequenas verrugas bem distintas (UFRGS, 2011) (Ellis, 1971).

Apresenta colônia profusa, aveludada, na coloração verde-oliva ou marrom-olivácea. Os conidióforos são retos ou flexuosos, geniculados e sempre nodosos, claros a marrom-oliváceos, lisos, com cerca de 250 mm de comprimento e 3 a 6 mm de largura. Os conídios são razoavelmente grandes, sempre em longas cadeias ramificadas, forma variando de elipsoidal a oblonga, arredondada em duma das extremidades, de coloração clara a marrom-olivácea, uni ou binucleados. A superfície do conídio apresenta pequenas verrugas bem distintas (Fitopatologia1, 2011)

O patógeno pode ser disperso por meio de ventos e de mudas doentes (H. Kimati, 2005).

O fungo C. herbarum foi descrito por (Pers.) Link 1816 e possui quatro sinonímias sendo Byssus herbarum, Dematium herbarum, Dematium vulgare e Heterosporium epimyces (Index Fungorum, 2011) (Farr & Rossman, 2011).

Características morfológicas e morfométricas.

Isolado encontrado

Ellis, 1971.

Colônias

Marrom e pequenas (Fig. 1)

Marrom e pequenas

Presença de genicula no Conidióforo

Presente

Presente

Dimensões do conidíoforo

50-180 x 0,5-0,75 µm

250 x 3-6 µm

Produção de conídios

Em cadeia

Em cadeia

Número de septos

0-1

0-1

Presença de cicatriz no conídio

Presente

Presente

Tabela 1: Características morfológicas e morfométricas dos isolados encontrados.

Epidemiologia: Os maiores índices de incidência a severidade são registrados nos períodos chuvosos, em que a temperatura gira em torno de 22 °C e a umidade relativa se mantêm superior a 80 % (Toda fruta, 2011) e segundo H. Kimati, a doença é mais severa no início da primavera, quando a temperatura é mais amena para ocorrer infecção e os tecidos jovens são mais suscetíveis que os adultos.

Uma espécie muito comum, especialmente abundante nas regiões temperadas, nas plantas herbáceas mortas e plantas lenhosas; freqüentemente isolado do ar, encontra-se em solo, alimentos, tintas, têxteis (Ellis, 1971).

O patógeno é considerado um saprófito facultativo que se transforma em um patógeno em várias condições de estresse. Ela produz podridão em uma série de importantes culturas de frutas, por exemplo, uva, pêra e cereja, mas é comumente encontrado em materiais vegetais mortos e é distribuída em todo o mundo.

O C. herbarum possui outras hospedeiras como: quiabo, cajueiro, na soja, na helicônia-papagaio e no arroz ataca as sementes (Cernagen, 2011)

Nas regiões mais quentes, ocorrem sintomas somente em frutos e, sob calor intenso, o fungo se mantém nas partes externas dos botões florais, brácteas e cálices, sem causar prejuízo à frutificação, mas agindo como potencial de inoculo para uma posterior infecção aos frutos. Esta doença pode ocorrer ao mesmo tempo com a antracnose e a bacteriose (Lima, 1999).

Ele é considerado um saprófita que se transforma em um patógeno em várias condições de estresse. Ela produz podridão em uma série de importantes culturas de frutas, por exemplo, uva, pêra e cereja, na superfície do molde passas e figos, e também prejudica milho e centeio. Sua teleomorfo, Tassiana Mycosphaerella (De Not.) Johans é responsável pela doença mancha parda da folha da palmeira. Ocorre no Brasil como um importante patógeno em maracujá (Passiflora edulis Sims.) causando os sintomas de verrugose, reduzindo a produção e qualidade dos frutos (Barbosa, 2011).

O fungo C. herbarum infecta também outras culturas como o quiabo, cajueiro, amendoim, mama-cadela, soja, cevada, aceroleira, arroz, feijão, ervilha, uva e milho (Cenargen 2, 2011).

Controle: As medidas de controle indicadas para o manejo da verrugose são a utilização de mudas sadias, o plantio em períodos de menor precipitação com suplementação de água via irrigação e a aplicação de fungicidas à base de tebuconazole quando ocorrerem condições de alta umidade e precipitação (Toda Fruta, 2011).

Para seu controle, mostra-se eficaz uma cobertura com caldas fungicidas, destacando-se por sua eficiência o benomil (produto atualmente não mais comercializado no Brasil) e os produtos à base de cobre, em aplicações semanais, sob chuvas, ou quinzenais, em períodos com chuvas esparsas e menor umidade. Não se recomenda a aplicação nos frutos, quando o seu destino é a indústria de suco, pois a doença não atinge a polpa (Lima, 1999).

Tabela 2: Produtos indicados para o controle da verrugose do maracujá (Lima, 1999):

Ingrediente ativo

Produto comercial e classe toxicológica

Formulação em g.i.a./L ou Kg

Dose do produto comercial em g. ou mL/100 L de água

Carência em dias

Observações

Benomil

Benlate III

PM 500

100

7

1

Oxicloreto de cobre

Cobox (IV)

Cupravit Azul IV

Cupravit verde IV

Funguram (IV)

Reconil (IV)

Recop (IV)

PM500

PM350

PM500

PM350

PM350

PM500

200

250

250

200

150

200

7

7

7

7

7

7

2

2

2

2

2

3

Observações:

1) O fungo pode adquirir resistência se este produto for usado continuamente.

2) Produtos à base de cobre, quando aplicados com umidade e alta temperatura, podem ocasionar queima e queda de folhas.

3) Após a sua diluição em água, usar no mesmo dia.

RESISTÊNCIA VARIETAL: Não há referências sobre cultivares de maracujá com algum tipo de resistência a C. herbarum (Agrofit, 2011).

PRÁTICAS CULTURAIS: Deve-se realizar podas de limpeza para remover os órgãos afetados, os quais deverão ser retirados do pomar e queimados; igualmente, deve-se evitar plantações muito adensadas que não permitem uma boa circulação do ar, criando assim ambientes demasiadamente úmidos que propiciam a infecção (Agrofit, 2011).

CONTROLE QUÍMICO: Durante a fase de frutificação é recomendável fazer 3-4 pulverizações preventivas com fungicidas protetores, aplicadas em intervalos de 7-14 dias sob chuvas intensas e prolongadas, e de 15-30 dias sob chuvas regulares (Agrofit, 2011).

Para fazer o controle do fungo C. herbarum os produtos químicos utilizados devem ser utilizados de maneira correta, sendo necessária a recomendação por técnicos qualificados seguindo os cuidados e recomendações que o produto oferece. O Ministério da agricultura e Pecuária e Abastecimento recomendam a utilização dos seguintes fungicidas: Cartap BR 500 e seu ingrediente ativo é o Cloridrato de cartape, o Constant, o Elite e o Folicur 200 EC possuem o ingrediente ativo tebuconazol (triazol), e o Nativo possui o ingrediente ativo tebuconazol (triazol) + trifloxistrobina (estrobilurina)(Agrofit, 2011).



Figura 1. Cladosporiose ou verrugose (Cladosporium herbarum) no maracujá (Passiflora edulis), A. e B Cacro aprofundado na haste de maracujá, C. Lesões marrons a páleas com halos cloróticos observados na face abaxial, D. detalhe da lesão circundada por um halo aquoso e centro miceliado, E. Conidióforo (bar= 95,24 µm) e conídio (bar= 13,71 µm).





Figura 2: Cladosporiose ou verrugose (Cladosporium herbarum) no maracujá (Passiflora edulis), A. Colônia em meio de cultura BDA, B. Conídio polimórfico (bar= 3,65 µm), C. Conídioforo retos ou flexuosos (bar= 83,33 µm) D. Conidiogênese do conidióforo (bar= 45,45 µm), E. Conidióforos e célula conidiogênica entreoblástica trética (bar= 40,90 µm), F. Conidióforos agrupados e com cicatrização simpodial (bar= 97,83 µm).


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