quarta-feira, 23 de junho de 2010

“ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DE Chaetomium sp.”

autor: Felipe Soares de Paula.
O gênero chaetomium sp. Apresenta a seguinte morfologia; ascoma aceolado peritecial, superficial simples agregado, globoso e a sub-globoso, de forma alongada, obpiriforme ou em formato de vaso. Apresenta coloração marrom, com apêndices que podem ser de várias formas; ramificados, coloridos ou arcados, de parede fina, septados ou asseptados, lisos ou rugosos, a parede do ascoma pode ser translúcida, membranosa, pseudoparenquimatosa, prosenquimatosa, e as paráfises podem estar presentes ou ausentes. Os ascos podem ser clavados, lineares e cilíndricos, e em seu interior possuem de 4 a 8 ascósporos sendo que sua asca possui parede evanescente. Os ascósporos são unicelulares de coloração marrom olivácea clara a marrom escura, possui poros germinativos, com uma ou ambas as terminações, muitas vezes podem ser limoniformes, apiculados; os ascos podem ser na maioria das vezes globosos, sub-globosos, clavados, filiformes ou triangulares, lisos. Podem apresentar perífises no ostíolo (Halim, 1989).

A sua forma anamórfica pode pertencer aos seguintes gêneros; Acremonium sp., Botyotrichum sp., Scytalidium sp. e Sporothrix sp.. O principal anamorfo pertence à espécie é o Chaetomium globosum Kunze. O gênero é encontrado, principalmente, em substratos celulósicos, sementes e no solo (Halim, 1989).

O gênero Chaetomium sp. pertence a família Chaetomiaceae, Ordem Sordariales, Família Sordariomycetidae, Classe Sordariomycetes, Divisão Ascomycota e Reino Fungi (Index Fungurum, 2010).

Trabalhos demonstram a ocorrência do gênero chaetomium sp. em todos os estados Brasileiros e na maioria das espécies o gênero está associados a sementes (Embrapa- Cernagem, 2010).

Chaetomium sp. é um fungo filamentoso encontrado no solo, ar e resíduos vegetais. Esse gênero de fungo, que contém cerca de 80 espécies conhecidas está entre o grupo de fungos que podem causar problemas para a saúde humana como resultado da exposição prolongada, tornando-os de interesse para pessoas que lidam com problemas de mofo em suas casas. Estes fungos gostam de viver em celulose, e são encontrados em madeira, compostos, folhas, palha e materiais similares. A colônia de fungos pode levar até três semanas para amadurecer em um ambiente frio, produzindo esporos que se espalham através do vento. Os esporos de fungo Chaetomium sp. tem uma forma de um limão que as torna fáceis de identificar. O Chaetomium globosum é a espécie mais comumente encontrada dentro de casa. Esta espécie é de particular interesse porque produzem micotoxinas, substâncias que são prejudiciais à saúde humana. Estes fungos foram definitivamente associados a alergias em pessoas que são sensíveis a fungos, e eles produzem micotoxinas mutagênicas que interferem com o DNA de replicação em organismos como os seres humanos e outros animais. (Wikipédia, 2010).

Trabalhos realizados constataram que em sementes de amendoim o gênero chaetomium sp. destacam-se pela freqüência que ocorrem e pela sua ação sobre as sementes, prejudicando a germinação ou causando tombamento das plântulas após a germinação (Sergio,1985).

Foi verificada em sementes de arroz uma série de fungos sendo verificado que Chaetomium sp. foi um dos gêneros mais freqüentes, sendo este fato associado a condições de alta precipitação pluviométrica no local na fase de enchimento de grãos de arroz (Silva - Lobo et al.,2006)

No Brasil o gergelim é cultivado em quase todo o seu território para produção de óleo, uso na alimentação, indústria farmacêutica e de cosméticos. A planta é suscetível a diversas doenças, causadas por fungos, um dos fungos mais encontrados nessas plantas e o chaetomium sp. que em sua grande maioria são transmitidos pelas próprias sementes. Os principais danos causados pelo gênero em sementes de gergelim são: deterioração das sementes, perdas na pré e pós-emergência, rendimento na quantidade e na qualidade do óleo das sementes (Embrapa- Cernagem, 2010).

O grão-de-bico é uma das leguminosas mais produzidas e consumidas no mundo, possuindo alto valor nutritivo. O surgimento do gênero Chaetomium sp em sua sementes é um fator preponderante para o surgimento de doenças nas fases iniciais e durante desenvolvimento das culturas (Aquino, 2009).

A podridão-cinzenta-das-flores e botões é encontrada disseminada em todas as regiões produtoras do Brasil, aparecendo sempre que as condições ambientais apresentam elevada umidade. É um sério problema na pós-colheita, causando necrose das pétalas. Causa descoloração típica das flores e botões, os quais podem apodrecer. Eventualmente flores já completamente formadas e prontas para colheita são também atacadas. Recentemente, no Estado do Ceará, rosas destinadas à exportação apresentaram os mesmos sintomas, e aos isolamentos verificou-se que se tratava de Chaetomium sp.( Freire , 2006).

O objetivo deste trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos do fungo Chaetomium sp.
O trabalho foi realizado no laboratório de microbiologia do IF Goiano- campus Urutaí.
As estruturas fúngicas foram retiradas de uma folha de amendoim (Arachis hypogaea.) submetidas a condições de câmara úmida.
Utilizando microscópio estereoscópico analisaram-se os materiais para identificação das estruturas morfológicas fúngicas para conseguir identificar e coletar a estrutura do fungo, próximo passo foi depositar o corante lactofenol-cotton-blue na lâmina e depois se retirou estruturas fungicas da folha e depositou sobre uma gota de corante, logo em seguida depositou-se a lamínula e vedou-se com esmalte.
Após a montagem a lâmina foi levada para visualização em microscópio ótico e registro microfotográfico. As estruturas morfológicas verificadas foram peritécio, asco e ascósporos.
Comparamos as estruturas observadas com estruturas descritas em literatura para identificar o gênero ao qual o fungo pertence. Nesse trabalho o fungo identificado pertenceu ao gênero chaetomium sp.
Também foram realizados microfotografias em microscópio estereoscópico. Os registros macro e microfotográficos foram realizados utilizando a câmera digital Canon modelo Power Shot A580.


Figura 1: Aspectos morfológicos do gênero Chaetomium sp : 1A. folha de amendoim ( Arachis hypogaea L.) com presença de estruturas fungicas; 1B. peritécio hialino e rostrado (bar=40m); 1C. detalhe do rostro e ostíolo (bar=25m); 1D. detalhe de uma asca contendo ascósporos maduros(bar=30m); 1E. Ascósporo de forma limoniforme de cor marrom escuro (bar=4m); 1F. ascósporo forma limoniforme de cor marrom olivácea clara (bar=8m).

DESCRIÇÃO MICOLÓGICA

O gênero chaetomium sp. apresenta colônias com crescimento rápido na cor branca inicialmente e acinzentado quando maduros essas colônia de fungos pode levar até três semanas para amadurecer em um ambiente frio, produzindo esporos que se espalham através do vento. A (fig 1A) apresenta uma folha com pequenas colônias, apresentando coloração acinzentada e branca o que demonstra que as colônias apresentam diferentes estágios de desenvolvimento. (Fig1B) Possuem peritécios grandes, hialinos e frágil, globosos em forma de balão e possuem filamentosos, apêndices (setas) em sua superfície, a parede do ascoma pode ser translúcida, membranosa, pseudoparenquimatosa, prosenquimatosa, e as paráfises podem estar presentes ou ausentes. O peritécio (fig1C) tem ostíolo (pequenas aberturas arredondadas) com perífises presentes e contem ascos e ascósporos dentro. Os ascos (fig1D) podem ser na maioria das vezes globosos, sub-globosos, clavados, filiformes ou triangulares, lisos. Os ascósporos (fig 1EF) são unicelulares de coloração marrom olivácea clara a marrom escura, possui poros germinativos, com uma ou ambas as terminações, na maioria das vezes podem ser limoniformes. Estes elementos morfológicos se adequaram as informações descritas para o gênero por Halim (1989).


LITERATURA CITADA.

AQUINO, CF; ARAUJO, AV; FERREIRA, ICPV; SALES, NPL; COSTA, CA; BRANDÃO, J; Qualidade sanitária de sementes de genótipos de grão-de-bico cultivados em Montes Claros-MG. Fitopatologia brasileira, 34(suplemento), agosto de 2009.

EMBRAPA CENARGEN Disponível em: http://www.cenargen.embrapa.br/publica/trabalhos/bp026.pdf Acessado em: 20 de junho 2010.

EMBRAPA CENARGEN Disponível em: http://pragawall.cenargen.embrapa.br/aiqweb/michtml/fichafg.asp?id=845 Acessado em: 16 de junho 2010.

FREIRE F.C. O; Doenças atuais e potenciais das principais frutíferas e flores ornamentais do nordeste. Embrapa Agroindústria Tropical, Fortaleza - Ceará, Fitopatologia brasileira, 31(suplemento), 2006.

INDEX FUMGORUM Disponível em: http://www.indexfungorum.org/names/ NamesRecord.asp?RecordID=495633 acessado em 2010.

MORAES, S.A, MORIOTTO, P.R, Diagnóstico da patologia de sementes de amendoim no Brasil. Revista brasileira de sementes, vol. 7, no 1, p. 41-44, 1985.

SILVA-LOBO, V.L, UTUMI, M.M, PEIXOTO, O.M, CASTRO e BRITO A.M, incidência de fungos causadores de mancha de grãos em arroz produzidos nos estados de Goiás, Mato grosso e Rondônia. Fitopatologia brasileira, 31(suplemento), 2006.

RICHARD T. H., Illustrated genera of ascomycetes, Aps Press, the Americamn Phythological Society St, Minnesota. Volume 2, 1989.

WIKIPÉDIA disponível em:http://www.wisegeek.com/what-is-chaetomium.htm acessado em 20 de junho 2010.












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