quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Boletim Técnico (1-2015): MANCHA OCULAR (Bipolaris sacchari) DA CANA-DE-AÇÚCAR (Sacharum officinarum)

MANCHA OCULAR (Bipolaris sacchari) DA CANA-DE-AÇÚCAR (Sacharum officinarum)

Alexsandro Ribeiro Santos
Acadêmico do curso de Agronomia

INTRODUÇÃO
A cana de açúcar (Saccharum oficinarum - Poaceae) tem como centro de origem à Melanésia (Oceania), onde ela foi domesticada e depois disseminada pelo homem por todo o Sudeste asiático. As primeiras mudas de cana chegaram ao Brasil por volta de 1515, vindas da Ilha da Madeira (Portugal), e o primeiro engenho de açúcar foi construído em 1532, na capitania de São Vicente (na região Sudeste). Mas foi no Nordeste, especialmente nas Capitanias de Pernambuco e da Bahia, que os engenhos de açúcar se multiplicaram. Historicamente, a cana-de-açúcar sempre foi um dos principais produtos agrícolas do Brasil e atualmente o País é novamente o maior produtor mundial da cultura (CIB, 2015). A cana-de-açúcar é uma cultura perene, podendo produzir por 4 a 6 anos. Relativamente fácil de ser implantada e manejada, com baixo custo, podendo atingir rendimentos de massa verde superiores a 120 t/ha/ano. Normalmente a maturação se dá durante o período seco, quando a oferta de forragem das pastagens, é bastante limitada à produção animal (TOWNSEND, 2000). O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com mais de sete milhões de hectares plantados, produzindo mais de 480 milhões de toneladas de cana, o que coloca o País na liderança mundial em tecnologia de produção de etanol. Além de matéria-prima para a produção de açúcar e álcool, seus subprodutos e resíduos são utilizados para co-geração de energia elétrica, fabricação de ração animal e fertilizante para as lavouras (AGEITEC, 2015).
A doença chamada popularmente de mancha ocular ou “eye spot”, tem como agente causa Bipolaris sacchari manifesta-se nas folhas, na forma de numerosas manchas redondas, o que evidencia morte do tecido vegetal. Quando as condições são favoráveis, a mancha ocular atinge as folhas novas do ponteiro, causando a morte dos tecidos jovens, do colmo imaturo e até da touceira jovem. O fungo também pode causar queda de germinação (AGEITEC, 2015). Em lesões maduras os conídios são longos, levemente coloridos, septados e produzem vários conídios na extremidade distal. (TOKESHI e RAGO, 2005). Podem ter até 200 µm de comprimento, 5-8 µm de espessura, com um ou mais cicatriz de conídios. Apresentam dimensões de 35-95 µm de comprimento, 9-17 µm de largura (MCKENZIE,2015).
OBJETIVOS
O objetivo deste boletim técnico é descrever a sintomatologia, etiologia, epidemiologia controle do mancha ocular (Bipolaris sacchari) da cana-de-açúcar (Sacharum officinarum).

DESENVOLVIMENTO
Hospedeiro/cultura:        Cana-de-açúcar (Bipolaris saccharum)                          
Família Botânica: Poaceae
Doença: Mancha-ocular
Agente Causal (Teleomorfo): Bipolaris Sacchari Subram. & Jain, 1966. (E.J. Butler) Shoemaker, 1959
Local de Coleta: Urutaí - Goiás                                                  
Data de Coleta: 10/04/2015

TAXONOMIA:
Reino Fungi, Filo Ascomycota, Classe Pezizomycotina, Subclasse Dothideomycetes, Ordem Pleosporomycetidae, Subordem Pleosporales, Família Pleosporaceae, Gênero Bipolaris sp. (MYCOBANK, 2015).

SINTOMATOLOGIA:
O sintoma mais típico manifesta-se nas folhas, na forma de numerosas manchas necróticas, elípticas, inicialmente pardas, mais tarde marrom-avermelhadas. À medida que crescem, as lesões tornam-se alongadas, com centro de cor palha e frequentemente com halo amarelado. O tamanho das lesões varia de 0,5 a 3 cm. Em variedades suscetíveis, podem aparecer longas estrias de 5 cm a 60 cm, inicialmente amareladas que evoluem para pardo-avermelhadas. As estrias são ocasionadas por uma toxina produzida pelo fungo. Quando as condições são favoráveis, o ataque estende-se as folhas novas do ponteiro, causando a completa necrose dos tecidos imaturos, atingindo o meristema apical causando a morte do colmo imaturo e até das touceiras novas. Ocasionalmente, em variedades suscetíveis, causa manchas necróticas na casca de entrenós imaturos. O fungo também é capaz de atacar cariopses, causando malformações e queda de germinação (TOKESHI e RAGO, 2005).


Figura 1. Mancha ocular da cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) causada por Bipolaris sacchari; A. sintomas na parte aérea da planta; B. sintoma na face adaxial, manchas elípticas cobrindo quase que total superfície da folha; C. detalhe das lesões na face adaxial; D. células conidiogênicas(cc) conidióforos (cF), e célula basal coliforme (cB); bar = 10 µm; E. conídio alongado, cilíndrico, conídio curvado  pseudo septados, bar = 7,3 μm; F. conídio fusiforme; bar = 9 μm.


ETIOLOGIA:

Em lesões maduras os conídios são produzidos em conidióforos que emergem isolados ou em grupos dos tecidos necrosados. Estes são longos, levemente coloridos, septados e produzem vários conídios na extremidade distal. Os conídios são longos, afilados ligeiramente curvos com a 3 a 10 septos (TOKESHI e RAGO, 2005). Podem ter até 200 µm de comprimento, 5-8 µm de espessura, com um ou mais cicatriz de conídios. Conídios único, em linha reta ou ligeiramente curvada, cilíndrico ou estreitamente elipsoidal, 35-95 µm de comprimento, 9-17 µm de largura, pálido ao marrom dourado, liso, 5-9-distoseptate (na maior parte 8), cicatriz basal distinta 3-4,5 µm de largura (Tabela e figura 1) (MCKENZIE, 2015).

Tabela 1. Comparação das características morfológicas e morfométricas do isolado de Bipolaris aacchari oriundo de Urutaí-GO comparado com a descrição feita por Subram. & Jain, 1966. (E.J. Butler) Shoemaker, 1959.



EPIDEMIOLOGIA:

Se desenvolvem em temperaturas de 10 a 25ºC, na presença de orvalho, neblina ou chuva fina durante vários dias e aplicação exagerada de vinhoto, se dissemina por meio do vento (PAES et al., 2007).
A cana-de-açúcar no mundo de acordo com o banco de dados SMML (2016) foram registradas sete espécies de Bipolaris spp. representadas por B. hawaiiensis no Havaí, B. maydis nas Barramas e Ghana, B. papendorfii no Iran, B. sacchari na Austrália, no Brasil, EUA, Cuba, Havaí, Hong Kong, Índia, Jamaica, Malásia, Ilhas Mauritius, Myanmar, Nicarágua, Panamá, Papoa Nova Guiné, Filipinas, Porto Rico, Senegal, Ilhas Solomon, África do Sul, Sri Lanka, Uganda e Venezuela, B. setariae em Bangladesh, Índia e Paquistão, B. spicifera na China, B. stenospila no Brasil, Cuba, EUA, Guiana, Havaí, Malásia, Filipina, Samoa.

CONTROLE:
Controle Físico e Cultural
Deve-se evitar o plantio de variedades suscetíveis nas margens de lagos, rios, e baixadas onde o ar frio e a neblina acumulam-se durante os meses de inverno (TOKESHI e RAGO, 2005).
Controle Genético
O método mais prático de controle é o uso de variedades resistentes nos locais onde a doença aparece sistematicamente todos os anos (TOKESHI e RAGO, 2005). Para o controle genético recomenda-se a variedade RB725828, variedade RB725147 e variedade RB735275 (
Controle Biológico
A aplicação exagerada de vinhoto nas áreas de reforma de canaviais pode favorecer o patógeno (TOKESHI e RAGO, 2005).
Controle Químico
Para o controle químico da doença não possui nenhum produto registrado (AGROFIT, 2015).

LITERATURA CITADA
A origem da Cana de açúcar. Disponível em . Acesso em 25 de junho de 2015.
AGROFIT. Consulta de produtos formulados. Disponível em
Cultura da cana de açúcar. Disponível    em<http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/cana-de-acucar/arvore/CONTAG01_1_711200516715.html>. Acesso em 25 de junho de 2015.
Doenças da cana de açúcar. Disponível em. Acesso em 25 de junho de 2015.
MCKENZIE, E. (2013) Bipolaris sacchari (Bipolaris sacchari). Disponivel em < http://www.padil.gov.au>. Acesso em 25 de junho de 2015.
PAES, J.M.V; SILVEIRA, L.C.I; BARBOSA, M.H.P.; SILVA, E.A.; MOLINA, R.M.S.; WRUCK, D. S.M. Cana-de-açúcar (Saccharum spp.). In: PAULA JUNIOR, T.J.; VENZON, M. 101 culturas: Manual de tecnologias agrícolas. Belo Horizonte: EPAMIG, 2007.
SMML Systematic Mycology and Microbiology, Disponível em , acessado em 10 de fevereiro de 2016.
TOKESHI, H.; RAGO, A. Doenças da cana-de-açúcar (híbridos de Saccharum spp. In: KIMATI, H.; AMORIM, L.; REZENDE, J.A.M.; BERGAMIN FILHO, A.; CAMARGO, L.E.A. Manual de Fitopatologia: princípios e conceitos. 4a Ed., Vol. I, São Paulo: Editora Agronômica Ceres Ltda, 2005.
TOWNSEND, C. R. Recomendações técnicas para o cultivo da cana-de-açúcar forrageira em Rondônia. EMBRAPA-CPAF Rondônia, RT/21, p.5-5, 2000. Disponível em. Acesso em 25 de junho de 2015.
Variedades da cana de açúcar. Disponível em . Acesso em 25 de junho de 2015.

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