terça-feira, 29 de junho de 2010

Descrição Micológica: "Aspectos Gerais e Morfológico do fungo Pseudocercospora vitis".


Nathalia Munique de Faria Melo.


O fungo da espécie Pseudocercospora vitis seu teleomorfo pertence ao reino Fungi, ao filo Ascomycota, à classe Dothideomycetes, à subclasse Dothideomycetidae, à ordem Capnodiales, à família Mycosphaerellaceae e ao gênero Pseudocercospora sp (Wikipédia, 2010).São sinônimos de Pseudocercospora vitis: Septonema vitis Lév., Ann. Sci. Nat., Bot., Ser. 3,9:261.1848; Cladosporium vitis (Lév.) Sacc., Mycoth.venet ., No.284.1875; Cercospora vitis (Lév.) Sacc., Nuovo Giorn. Bot. Ital. 8:188.1876; Helminthosporium vitis (Lév.) Pirotta, Ver. Mycol.11:185.1889; Phaeoisariopsis vitis (Lév.) Sawada, Rep. Dept. Agric. Gov. Res. Inst. Formosa 2: 164. 1922; Cercosporiopsis vitis (Lév.) Miura, Flora of Manchúria na East Mongólia, 3. Cryptog. Fungi: 527. 1928; Cercosporiopsis viticolum Ces., Flora 38: 206. 1854; Cercospora viticola (Ces.) Sacc., Syll. Fung. 4: 485. 1886; Cladosporium ampelinum Pass., Erb. Critt. Ital., Ser. 2, No. 595. 1872.; Graphium clavisporium Berk. E Cooke, Grevillea 3: 100. 1874; Isariopsis clavispora (Berk. E Cooke) Sacc., Syll. Fung. 4: 631,1886; Cercospora vitis (Lév.) Sacc. Var. rupestris CIF., Ann. Mycol. 20: 45. 1922; Cercospora vitis f. parthernocissi Docea, Lucr. Sti. Inst. Agron. ‘N. Balescu’, Ser. A. 11: 406. 1968 (Crous e Braun, 2003). Até pouco tempo a espécie válida para designar a mancha foliar da videira era Phaeoisariopsis vitis, contudo recentemente mudanças taxonônimas designaram este novo agrupamento válido como seno P. vitis (Souza et al., 2008 ).Existem 1438 espécies do gênero Pseudocercospora, 24 variedades e 11 formae especiales registradas na literatura para este gênero (Índex Fungorum, 2010). São 63 os números de hospedeiros do fungo Pseudocercospora vitis. (SBML, 2010). Segundo Crous e Braun, 2003, estão: Ampelosis aconitifolia, A. arbórea, A. cordata, A. brevipedunculata,Cissus rhodesiae, Cissus sp., Vitis amurensis, V. californica, V. cordifolia, V. davidii, V. labrusca, V. palmata, V. rotundifolia, V ruprestris, V. vinifera, Vitis sp. (Vitaceae), os países inclusos são: Australia, austria, Bangladesh, Barbados, Brazil, Bulgária, China, Colombia, Cyprus, Denmark, Egypt, France, Geórgia, Germany, Guatemala, Índia, Indonesia, Iran, Italy, Japan, Korea, Lebanon, Libya, Madagascar, Malaysia, Malta, Mauritius, Mexico, Moldova, Mozambique, Myanmar, Nepal, New Caledônia, New Zealand, Oman, Pakistan, Panam, Peru, Polande, Portugal, Rússia (Asian and European part), Saudi Arabia, Slovakia, Slovenia, Somália, South Africa, Sri Lanka, Swaziland, (LA, NC, WI), Uzbekistan, Venezuela, Yugoslavia, Zimbabwe. No Brasil são encontrados 137 registros de ocorrência do gênero Pseudocercospora sp. Os estados do Ceará e do Rio Grande do Sul tiveram ocorrência da espécie Vitis spp. Já no estado de Pernambuco teve ocorrência da espécie Vitis vinifera Linn. O estado de São Paulo obteve a ocorrência de ambas espécies (Cenargen, 2010). A mancha-foliar-da-videira representa uma doença de ocorrência muito comum, principalmente em videiras mal cuidadas. O aparecimento da doença é mais freqüente no final do ciclo vegetativo da planta (Kimati e Galli, 1980). Ocorre principalmente no sudeste dos Estados Unidos, embora tenha sido relatado em Massachusetts, Connecticut, Kansas, Illionis e Califórnia, em videiras selvagens (McGrew e Pollack, 1998).A forma teleomórfica é representada pelo fungo Mycosphaerella personata, ascomiceto da ordem Dothideales, e a fase anamórfica corresponde à espécie Pseudocercospora vitis. A forma perfeita é encontrada em folhas mortas no final de um ciclo de cultivo (Kimati e Galli, 1980).O principal dano decorrente do ataque do patógeno é a queda prematura de folhas, que provoca enfraquecimento da planta e redução de produção no ano seguinte (McGrew e Pollack, 1998).Os sintomas são manchas irregulares a angulares no limbo foliar, de 2-10 mm de diâmetro, com bordos bem definidos, de coloração inicialmente avermelhada e posteriormente pardo-escura a preta, apresentando geralmente um halo amarelo-esverdeado. Na face inferior da folha, correspondendo ao tecido afetado, sob condições de alta umidade, desenvolvem-se as frutificações do fungo, que conferem à mancha um aspecto verde-oliváceo (kimati e Galli,1980).O anamorfo apresenta células conidiogênicas poliblásticas integradas, terminais, simpodiais, cilíndrico com fina cicatriz, mas visível, achatada contra a parede da célula (Ellis, 1971).As estruturas de frutificação são delgadas e preto. O ascostroma esférico (60-90 µm de diâmetro) abriga ascos clavados (30-40 x 6-10 µm). A fase anamórfica P. vitis possui conídios alongados com dimensões de 25-99 x 4-8 µm, multiseptados, possui de 3 a 17 septos, formados sobre sinêmios (conidióforos agregados em feixes) de coloração verde-oliva (Pearson e Goheen, 1998).O objetivo desse trabalho foi mostrar as estruturas fundamentais do fungo Pseudocercospora vitis.
O trabalho foi realizado no Laboratório de Microbiologia do IFGoiano campus Urutaí, GO.O fungo foi retirado da folha de uva coletada na cidade de Taguatinga, DF, com o auxilio de microscópio esteroscópio e estilete. Na lâmina com adição fixador lactofenol cooton-blue (62,5 mL ácido lático, 2,6 mL ácido acético, 100 mL água e 100 mL glicerina), depositou-se fragmentos de estruturas fúngicas para conservação das estruturas do fungo, em seguida coberta com lamínula e vedada com esmalte. Essa lâmina foi levada ao microscópio ótico para visualização das estruturas fúngicas na lente de aumento de 100x com óleo de imersão. Foi colocado uma gota em cima da lâmina, uma vez que em foco o óleo age como uma ponte entre o vidro da lâmina e o vidro da objetiva, aumentando a definição da imagem.Em seguida foram sendo identificadas as estruturas do fungo. Microfotografias foram tiradas no microscópio estereoscópico e ótico. Os registros micro e macrofotográficos foram realizados utilizando câmera digital Canon® modelo Power Shot A580.

Figura 1. Incidência do fungo Pseudocercospora vitis em folha de uva. A. sintoma de macnha necrótica na folha, B. detalhe do formato e da cor da lesão em microscópio estereoscópio (bar = 3 mm), C. porção terminal do sinêmio (bar = 80 µm), D. conídio escuros e septados (bar = 14 µm), E. conídio escuro de formato irregular (bar = 45 µm), F. extremidades das células conidiogênicas truncadas (bar = 2 µm), G. tecido estromático e dois conidióforos (bar = 11 µm), H. conídio uni septado (bar = 9 µm).

Descrição Micológica

O principal sintoma doença são manchas irregulares a angulares no limbo foliar, de 2 mm a 1 cm de diâmetro, com bordos bem definidos. Inicialmente, as manchas apresentam coloração avermelhada, passando a pardo-escuro e preta. Freqüentemente observa-se ao redor das manchas um halo amarelo-esverdeado (Fig. 1. B) assim como descreveram Kimati et al. (2005). P. vitis possui o ascostroma esférico (60- 90 µm de diâmetro) e negro que abriga ascos clavados (30- 40 x 6- 10 µm) (Fig. 1. C). Os conidióforos escuros frouxamente reunidos em sinêma (Fig. 1. D) (Fig. 1. E), produz conídios cilíndricos contendo vários septos, embora possam aparecer conídios com apenas dois septos ou mesmo sem nenhum (Fig 1. H) (Galli et al., 1978). O conidióforo apresenta a forma irregular na extremidade ( Fig. 1. F).


Referências Bibliográficas

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ELLIS, M.B.. Dermatiaceous Hyphomycetes. COMMONWEALTH MYCOLOGICAL INSTITUTE. KEW, SURREY, ENGLAND 1971.
KIMATI, H. e GALLI, F.. Doenças da Videira – Vitis spp. In: GALLI F.; CARVALHO, P. C. T.; TOKESHI H.; BALMER E.; KIMATI H.; CARDOSO, C. O. N.; SALGADO C. L.; KRUGNER T. L.; CARDOSO E. J. B. N.; FILHO A. B. Manual de Fitopatologia- Doenças das Plantas Cultivadas. Vol. 2. Editora Agronômica Ceres LTDA. São Paulo, SP, 1980.
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WIKIPÉDIA The Free Encyclopedia Disponível em: acessado em 15 de abril de 2010.
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CHUPP C. . A Monograph of the Fungus Genus. Ithaca. New York, USA, 1953.

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